
Convenio FENIPE e FATEFINA Promoo dos 300.000 Cursos Grtis Pelo Sistema de Ensino a Distancia - SED
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Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira

APOSTILA N. 26/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 96 PAGINAS.

Apostila 26
Curso de Teologia de Misses

Parte I
A FRAGILIDADE DE MISSES
Parece claro  todos ns, que a igreja do chamado terceiro mundo tem tido e ter uma grande e importante participao no avano do Evangelho em termos mundiais nesse 
novo milenium. No podemos negar que houve uma vasta mudana no centro de gravidade em misses e que agora possumos uma nova agenda. Cristos vindos da Asia, frica 
e Amrica Latina para a Europa, ficam impressionados e at mesmo chocados com o declno do cristianismo nesse continente. Em geral eles encontram um cristianismo 
apologtico e ansioso para assegurar  todos que eles no querem impor a sua f sobre ningum.

Isto acontece ao mesmo tempo em que testemunhamos um vibrante crescimento da Igreja de Cristo, jamais visto em toda histria, especialmente no chamado terceiro mundo. 
Patrick Johnstone1, quando fala sobre o crescimento dos evanglicos nos ltimos quarenta anos, ressalta que esse crescimento tem acontecido predominantemente nas 
partes mais pobres do mundo. Citando a Amrica Latina e o que tem acontecido em nosso continente, especialmente na dcada de 70, nos faz sentir que vivemos num verdadeiro 
tempo de Deus (kairos). Tempo esse que com certeza nenhum de ns quer perder. Continuando ele declara que "existem mais evanglicos no Brasil do que em toda Europa", 
o que deveria ser motivo de alegria, mas quando pensamos no velho continente e o que ele significa para todos ns hoje, no s como o bero da Reforma Protestante 
mas tambm em termos missionrios. Sem dvida alguma sentimos a grande responsabilidade que pesa sobre todos ns. 

Porm, quando no meio de todo esse processo, comeamos a refletir em nossa participao e em como podemos contribuir com a obra missionria como um todo, logo vamos 
nos deparar com algumas realidades desfavorveis. Elas denunciam nossas muitas fraquezas, inabilidades e falta de poder poltico e econmico para abrir o caminho 
 nossa frente. Pois essa foi uma das alavancas impulsionadora do Cristianismo em direo ao chamado terceiro mundo no passado. David J. Bosch2, menciona o fato 
de que "era natural para as naes do ocidente argumentar que aonde quer que o poder delas fossem a sua religio tambm tinha que ir". 

No podemos esquecer que somos um Continente marcado pela instabilidade poltica e que tambm vive sob o signo da instabilidade econmica. Nem to pouco devemos 
esquecer que quanto ao nosso contexto social estamos mais para recipientes do que para doadores. Alm do mais no que diz respeito a misses, como disse Newbigin, 
que mesmo vivendo em um mundo globalizado ainda possumos uma mentalidade paroquial3. 

Indubitavelmente, esse  um quadro que tem profundas implicaes em nosso fazer missionrio. Creio que at podemos dizer que essa  realmente uma das fraquezas de 
misses a partir do chamado terceiro mundo e tambm um dos nossos pontos mais vulnerveis. Segundo a Revista Mission Frontiers, citando estudo feito pela World Evangelical 
Fellowship Mission Comission4, falando sobre o Brasil, diz que entre as causas de atrito indesejvel que acontecem anualmente com missionrios no campo fazendo-os 
voltar ao pas de origem, so encontrados basicamente cinco fatores que alistados por eles so: Treinamento inadequado; falta de sustento financeiro; falta de compromisso; 
fatores pessoais tais como auto-estima, stress e problemas com colegas. Todos estes aspectos refletem um pouco daquilo que somos enquanto igreja neste momento histrico 
e do nosso envolvimento com misses mundiais. 

Talvez devssemos concordar com alguns que pensam que, neste exato momento de nossa histria, no estamos amadurecidos o suficiente para participar em tal projeto 
ou mesmo nos questionar: Ser que podemos, enquanto igreja do mundo pobre, fazer Misso? 

Penso que deveramos fazer algumas consideraes que talvez venham a nos ajudar em nossa reflexo. Segundo Antonio Carlos Barro5, devemos lembrar que at mesmo todos 
esses fatores que pesam contra ns, acabam se tornando um ponto positivo em nosso fazer missionrio. Dizendo ele que uma das razes pelas quais as igrejas do chamado 
terceiro mundo no poderiam imitar as igrejas ricas do primeiro mundo se d justamente por causa da sua pobreza. Tambm citando, no mesmo artigo, Ren Padilla quando 
afirma que as nossas igrejas continuam a ser, de uma maneira geral, as igrejas dos pobres e as igrejas para os pobres. 

Creio que  exatamente para dentro desta dimenso que deveramos nos mover e refletir a nossa ao missionria, enquanto igreja do terceiro mundo. Se torna fundamental 
para ns neste momento, no s entendermos o papel que temos que desenvolver em nossa misso, mas como tambm buscar uma compreenso mais clara da natureza e origem 
da misso que nos alcanou. A priori este  um chamado para entender de onde viemos e para onde estamos indo em nossa caminhada.

Primeiramente, creio que devemos entender que Misses  um ato da Soberania de Deus. No  pelo fato de no pertencermos ao chamado primeiro mundo que devemos nos 
privar do privilgio de fazer Misses. No  o quanto possumos ou o que temos sobrando que conta. Nem mesmo o poder, quer seja ele econmico ou poltico, que deve 
nos motivar em nosso envolvimento em misses, pois foi em aparente fraqueza, debilidade e pobreza que a salvao de Deus chegou at ns.

Foi exatamente isso que Isaas expressou quando pintou o quadro da fraqueza e debilidade do Servo Sofredor. A mensagem parecia to absurda e sem sentido para aqueles 
que a ouviam, que ele diz: "Quem deu crdito  nossa mensagem?"6. Como podiam crer que o Deus criador de todas as coisas, que havia mostrado os seus atos salvficos 
de modo to poderoso, podia manifestar uma to grande salvao morrendo daquela forma? Quem na verdade queria se associar com essa figura sem expresso e sem poder 
algum, que parecia incapaz de salvar-se a si mesmo?. Quando ele descreve o Salvador diz que "...No tinha parecer nem formosura; e, olhando ns para Ele, nenhuma 
beleza vamos, para que o desejssemos."7. O que fica implcito no texto  que foi atravs da fraqueza do servo que a salvao de Deus, no s se tornou possvel, 
mas como tambm se manifestou. 

Paulo mais tarde usa Isaas como background para fundamentar a mensagem das Boas Novas. Ele afirma que aquilo que aparentemente era frgil se revelou em uma tremenda 
demonstrao do poder de Deus e consequentemente todo aquele que pe sua confiana Nele tem salvao. Creio que o ponto aqui  exatamente o fato de que Deus, para 
alcanar seus propsitos usa aquilo que aparentemente  frgil para revelar a sua salvao aos povos. "Deus em sua soberania escolhe as coisas vis deste mundo, e 
as desprezveis, e as que no so, para aniquilar as que so; para que ningum se glorie perante ele."8 Foi assim que em meio ao aparente fracasso, Deus manifestou 
salvao  toda humanidade, com poder ao ressuscitar Jesus de entre os mortos. Em segundo lugar, devemos entender que Misses  um ato de f. Era para isto que Isaas 
queria chamar nossa ateno quando afirma "...O teu Deus reina9". Esta foi a mensagem das Boas Novas anunciada por ele, mesmo antes de falar sobre o Servo Sofredor. 
Israel, enquanto povo de Deus, no entendeu que aquele que o chamou de entre os povos estava no controle de todas as coisas. Ele reina e os seus propsitos sero 
efetivados e smente Ele vai ser glorificado e honrado por isso. O chamado  para Israel confiar em Deus, crer que para Ele tudo  possvel. Em nossa caminhada missionria 
no devemos esquecer de crer que ele reina e est no controle, e que qualquer projeto missionrio  vivel porque Ele reina. Quem de ns cria que alguns anos atrs, 
a cortina de ferro, viria a baixo e que as portas da Rssia se abririam para o Evangelho? Quem acreditava que o Evangelho sobreviveria na China comunista aps a 
expulso de todos os missionrios? Independentemente das circumstncias, Deus est no controle. A nossa certeza tem que estar naquele que, como disse Joo Batista, 
"...at destas pedras Deus pode suscitar filhos  Abrao."10  Mesmo em aparente fraqueza e debilidade a igreja do chamado terceiro mundo deve crer que aquele que 
reina, tem um chamado para seu povo independentemente de sua condio econmica, poltica ou social. Ele a esta chamando no por causa da fora ou poder que ela 
porventura possua em si mesma. Ele a est chamando para que ande em obedincia de f, no olhando o tamanho de nossas congregaes ou mesmo estar preocupados com 
a situao econmica e poltica do nosso pas, que nos enfraquece. Creio que  exatamente neste contexto que Deus encontra o ambiente ideal para demonstrar o seu 
poder. O que cabe a ns  simplesmente ser fiis. Entregar  Ele nossos talentos, recursos e energia como reconhecimento de que Ele reina. Para assim cumprirmos 
nosso papel no mundo. O que resta ento para ns, a luz do que foi dito acima,  pensar em como tudo isso pode afetar, de maneira prtica a nossa expresso missionria 
no mundo, enquanto igreja dos pobres. Pensar em como podemos caminhar, mesmo em aparente fraqueza, em obedincia ao chamado de Deus. Primeiramente, penso que deveramos 
fugir da tentao de ver misses como resultado de um mandato que pesa sobre ns enquanto Igreja. Abordando esse assunto Lesslie Newbigin diz que existe uma longa 
tradio que v a misso da Igreja, primariamente como obedincia a um mandato.11 Continuando ele diz: mesmo que esse venha a ser o caso, isso faz com que a tarefa 
missionria seja encarada muito mais como um fardo, do que como uma expresso de alegria. Muito mais como parte da Lei, do que da Graa de Deus. Misses no inicio 
da Igreja Crist acontece primariamente como uma exploso de alegria, daqueles que tiveram um encontro pessoal com Jesus. Mais tarde, daqueles que descobrem que 
Jesus est vivo e que so impulsionados a contar aos outros esse fato extraordinrio que no podia se escondido. Esta  uma das caractersticas da igreja do chamado 
terceiro mundo, que deveria ser preservada em nossa caminhada missionria. Muitas igrejas tem crescido ou so plantadas como fruto do esforo daqueles que, tendo 
sido alcanados por Deus, se sentem impulsionados pelo desejo de compartilhar alegremente as Boas Novas com suas famlias, vizinhos, amigos e parentes. Este  um 
dos aspectos que temos para contribuir enquanto igreja obediente. O simples fato de querer alegremente, compartilhar com outros as Boas Novas sem constrangimentos, 
nos leva a ser efetivos em misses.  Em segundo lugar, creio que a nossa fragilidade nos leva, inevitavelmente a uma interdependncia, ou seja dependemos uns dos 
outros para a realizao da nossa tarefa.  de capital importncia para ns, realizar a obra em parceria com o resto do Corpo de Cristo no mundo.

Aprender com outras igrejas e contribuir com elas (e elas conosco) no esforo missionrio, deve ser a nossa prioridade nessa rea de parceria. Dentre as muitas coisas 
que temos que aprender com estas igrejas, e que no deveramos negligenciar so: suas estruturas e como elas funcionam em todo o processo para melhorarmos tambm 
as nossas prprias estruturas e faz-las funcionar de maneira correta; seu cuidado para com aqueles que so enviados por eles; qual o tipo de treinamento oferecido; 
viso de ministrio e etc.

 preciso que entendamos que essa deve ser uma parceria aonde os obreiros da igreja do chamado terceiro mundo, sejam reconhecidos como parceiros de verdade, tratados 
no mesmo nvel, tendo seus dons e ministrios reconhecidos, como uma contribuio a ser dada para a maturidade do Corpo de Cristo. J no existem mais Judeus e nem 
Gregos, escravos e senhores, pois fomos feitos um em Cristo. Em ltimo lugar, a vantagem dessa igreja  que ela s pode contar com o poder de Deus para levar adiante 
a mensagem do Evangelho. Essa presena pode ser notada na forma como o Esprito Santo de Deus tem operado atravs dela e feito ela expandir.

Queria destacar a idia to bem expressada por Newbigin12, quando fala sobre a presena de poder velada na fraqueza. Num mundo de tantos conflitos tnicos e animosidade, 
especialmente contra a dominao dos pases do primeiro mundo, considerados cristos e opressores. Uma igreja que no possua o poder poltico, est livre do peso 
de tentar usar poderes humanos para dominar e influenciar o mundo.13  Uma boa maneira de pensar sobre tudo isso que temos falado at agora,  conforme descrito por 
David J. Bosch14, citando D. T. Niles, quando retrata misses como um mendigo contando a outro mendigo aonde encontrar po. Creio que poderamos dizer que ns somos 
(enquanto igreja dos pobres) to dependentes desse po quanto queles para quem ns estamos indo e que a medida que o compartilhamos podemos experimentar o verdadeiro 
sabor e o valor nutritivo dele. 

Notas
1 Patrick Johnstone; The Church is Bigger than you Think. Pgs. 113-116.
2 David J. Bosch; The Vulnerability of Mission. Occasional Paper No. 10. Selly Oak Colleges 
3 Lesslie Newbegin; The Gospel in Today's Society. Occasional Paper, Selly Oak Colleges
4 Mission Frontiers; Jan-Feb 1999. The U.S. Center for World Mission. Pgs. 33-37 
5 Antonio Carlos Barro; Parceria em Missoes. Internet
6 Isaias 53:1
7 Isaias 53:2
8 1 Corintios 1:28-29
9 Isaias 52:7
10 Lucas 3:8
11 Newbigin, Lesslie; The Gospel in a Pluralistic Society. Pgs.116
12 Newbigin, Lesslie; The Gospel in a Pluralistc Society. Pgs. 120
13 Patrick Johnstone; The Church is Bigger than you Think. 
14 David J. Bosch; The Vulnerability of Mission. Occasional Paper no. 10, Selly Oak College


Parte II
A MISSO EM FILIPOS
Um estudo em Atos 16 
Uma das passagens mais impressionantes sobre a relao do Esprito Santo com a obra missionria  Atos 16.6,7: "E percorrendo a regio frgio-glata, tendo sido 
impedidos pelo Esprito Santo de pregar a palavra na sia, defrontando Msia, tentavam ir para Bitnia (1), mas o Esprito de Jesus no o permitiu". Como e por que 
o Esprito Santo impediu que Paulo e seus companheiros pregassem na sia e fossem tambm para Bitnia? 

A maioria dos comentaristas bblicos admite no saber ao certo como foi que o Esprito Santo revelou-lhes que possua outro programa de viagem. Mas todos eles sugerem 
uma ou mais possibilidades. Citemos algumas: De acordo com Norman Champlin, "pode ter sido por impulso interior, ou circunstncias adversas que fugiam ao controle 
de Paulo, ou alguma viso ou sonho noturno, ou mesmo alguma declarao proftica por parte de seus convertidos que possussem o dom da profecia" (2). Simon Kistemaker 
sugere Silas, pois era um profeta (cf. At 15.32) (3). Na minha opinio,  provvel que eles s passaram a entender o significado dos impedimentos do Esprito aps 
analisarem os fatos ocorridos. Aquele duplo impedimento (vv6,7), a viso de Paulo (v9) e a declarao de Lucas no verso 10 parecem lanar luz sobre esta possibilidade. 
Quanto ao "por que?" no h necessidade de se especular. Em Atos a soberania e a liberdade do Esprito Santo na obra missionria so inquestionveis. O Esprito 
Santo dirige e coordena a obra missionria.  ele que determina quem vai, como se vai e para quem se vai pregar o evangelho (4). 

Acredita-se que havia cerca de meio milho de pagos em Antioquia no tempo de Paulo, mas o Esprito no o quis em Antioquia. Certamente o nmero de habitantes que 
no ouviram o evangelho na sia e Bitnia tambm no era pequeno, contudo, o Esprito Santo tinha outros planos!

Do incio ao fim do livro de Atos no  difcil perceber que o Esprito Santo  quem prepara o campo para receber a boa semente do evangelho. Somente pela atuao 
direta do Esprito  que a Palavra de Deus germina, cresce e frutifica. E  ele, o Esprito, que alm de vocacionar, capacitar e enviar seus obreiros ao campo missionrio, 
sai na frente e prepara com antecedncia o corao daqueles que havero de ouvir a pregao da Palavra. Um exemplo disso  o captulo 16 de Atos. O campo que o Esprito 
preparou para aquela ocasio no seria, por enquanto (5), a provncia da sia e Bitnia que, a princpio, Paulo e seus companheiros tanto queriam ir. O objetivo 
do Esprito Santo era a Europa (At 16.9,10). E naquela ocasio, em especial, "Filipos, cidade da Macednia, primeira do distrito, e colnia" (At 16.12). O nome da 
cidade  originrio de Filipe da Macednia, que a conquistou dos tsios por volta do ano 300 a.C. Em Filipos Paulo teria uma das experincias mais frutferas de 
seu ministrio. Ali nasceria uma igreja abenoada, sua "alegria e coroa", como ele mesmo diria mais tarde em sua epstola aos filipenses (Fp 4.1). 

A converso de Ldia
O pouco que sabemos de Ldia est em Atos 16.14. Sua cidade natal era Tiatira. Uma prspera cidade da provncia romana da sia, a oeste do que atualmente se conhece 
como Turquia Asitica. Foi colonizada por Seleuco Nicator, rei da Sria, em 280 a.C. No ano 133 a.C. passou para o domnio dos romanos. Era um ponto importante do 
sistema de estradas dos romanos, pois ficava na estrada que vinda de Prgamo, a capital da provncia, se estendia at s provncias orientais. Nos tempos do Novo 
Testamento Tiatira era tambm um importante centro manufatureiro; tinturaria, feitura de vestes, cermica e trabalhos em bronze figuravam entre os trabalhos da regio. 
Hoje, uma cidade bastante grande chamada Akhisar, continua existindo no mesmo local.
Profissionalmente Ldia era uma vendedora bem sucedida. Ela trabalhava no prspero comrcio de tecidos de prpura (6) e/ou na venda da tinta quando se mudou para 
Filipos. Quanto  sua religiosidade, Ldia era "temente a Deus" (cf. At 10.1,2). A expresso "temente a Deus" de Atos 16.14 significa mais do que dizer simplesmente 
que Ldia cria em Deus ou algo parecido, e sim, que ela fazia parte de uma classe de gentios simpatizantes, por assim dizer, do judasmo.
Em quase toda sinagoga judaica existiam, alm de judeus  claro, dois grupos distintos de gentios. O primeiro grupo era formado pelos denominados "proslitos", isto 
, gentios convertidos ao judasmo. Os homens eram circuncidados, concordavam em obedecer a lei e guardar o sbado, faziam peregrinaes a Jerusalm, e da em diante 
no eram mais gentios, e sim judeus.

O segundo grupo de gentios que normalmente freqentava a sinagoga era formado pelos "tementes a Deus". Eram apreciadores da lei e do ensinamento judaicos, mas por 
uma srie de razes pessoais achavam por bem no se desvincular de suas razes gentlicas, como os proslitos, para se tornarem judeus.

Lucas relata: "Quando foi sbado, samos da cidade para junto do rio, onde nos pareceu haver um lugar de orao; e, assentando-nos, falamos s mulheres que para 
ali tinham concorrido. Certa mulher chamada Ldia, da cidade de Tiatira, vendedora de prpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o corao para atender 
s cousas que Paulo dizia" (At 16.13,14). Aqui temos o que biblicamente denominamos de novo nascimento ou converso de Ldia. Uma obra do Esprito de Deus. O verbo 
grego dih/noicen (abriu) est no aoristo e significa que ali houve uma ao completa e definitiva do Esprito Santo. Durante a pregao de Paulo Ldia "escutava" 
e o seu corao foi "aberto" para que atendesse.  necessrio que a interveno divina, que torna o homem natural receptivo para com a Palavra de Deus, anteceda 
o ouvir com proveito a pregao do evangelho. "Deus concedeu a Ldia um corao receptivo para compreender coisas espirituais. Ele deu a ela o dom da f e a iluminao 
do Esprito Santo" (7). E como resultado desta converso o Senhor Deus salvou, pela instrumentalidade de Ldia, e principalmente de Paulo, toda a famlia dela (At 
16.15).

A cura de uma jovem adivinhadorae a salvao dos presos
Quando Paulo e seus amigos seguiam para o lugar de orao, eis que saiu ao encontro deles "uma jovem possessa de esprito adivinhador" (At 16.16). Era uma escrava 
de Satans e de seus senhores. Aps perturbar por muitos dias os missionrios do Senhor, Paulo, j indignado, expulsou o esprito malgno que nela havia. Isto bastou 
para que os senhores daquela jovem se juntassem e os lanassem no crcere, mas no sem antes os levarem diante das autoridades e insuflarem o povo contra eles para 
que fossem aoitados. Entretanto, se Satans pensou que estivesse frustrando o trabalho de Deus naquela cidade, ele se enganou profundamente, pois jamais imaginava 
que a obra de Deus ali estava por comear.  na priso de Filipos que encontramos uma das mais belas cenas do testemunho cristo. "Por volta da meia-noite, Paulo 
e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de priso escutavam" (At 16.25). Paulo e Silas no somente glorificavam a Deus e se edificavam 
e fortaleciam a si mesmos orando e cantando, mas tambm davam bom testemunho, alm de servirem como fonte de encorajamento para os presos que ouviam suas oraes 
e hinos. O verbo e\phkrow=nto (3 p. pl. imperf. mdio de a)kou/w = ouvir) indica que enquanto os missionrios oravam e cantavam hinos de louvores a Deus, por um 
perodo indefinido de tempo, os outros prisioneiros ouviam prazerosa e atentamente. A atitude incomum de Paulo e Silas de orarem e cantarem louvores a Deus na priso 
e o terremoto sbito que abriu as portas do crcere soltando as cadeias de todos, foram os meios utilizados pelo Esprito Santo para salvar aqueles prisioneiros. 
A prova de que eles realmente foram salvos est no fato de no fugirem (v28) aps o terremoto do verso 26. 

A converso do carcereiro
Outro exemplo fabuloso do extraordinrio alcance do evangelho em Filipos foi a converso do carcereiro. "O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas as portas 
do crcere, puxando da espada, ia suicidar-se, supondo que os presos tivessem fugido" (At 16.27). Aquele terremoto, as portas do crcere abertas e a "ausncia" dos 
presos levaram o carcereiro ao desespero. Ele ia se suicidar. "Mas Paulo bradou em alta voz: No te faas nenhum mal, que todos aqui estamos!" (v28). E neste episdio 
todo, o que realmente importa  uma pergunta e uma resposta. O carcereiro pergunta a Paulo e Silas: "Senhores, que devo fazer para que seja salvo?" (v30). swqw= 
 o aoristo passivo subjuntivo de s%/zw (salvar). "O aoristo indica a totalidade da salvao do carcereiro, o passivo implica que Deus  o agente, e o subjuntivo 
denota o pedido corts do carcereiro" (8). O contexto anterior e posterior da pergunta do carcereiro mostra que seu desejo de ser salvo era to somente por salvao 
eterna. A resposta de Paulo e Silas implica que eles dois entenderam o tipo de salvao que o carcereiro buscava. "Responderam-lhe: Cr no Senhor Jesus, e sers 
salvo, tu e tua casa" (v31). Se o carcereiro verdadeiramente direcionasse a sua f para o Senhor Jesus, conforme sugere a preposio e/pi/, a salvao dele e de 
sua famlia estaria definitivamente garantida, pois a expresso grega swqh/s$ su/ kai/ o/ oi/=ko/j sou  regida por um verbo no futuro (swqh/s$). Na lngua grega 
o futuro  definido.
A ddiva oferecida ao carcereiro tambm seria concedida  totalidade da sua casa (kai/ o/ oi/=ko/j sou). Diz Marshall:

O Novo Testamento leva a srio a unio da famlia, e quando a salvao se oferece ao chefe de um lar, torna-se logicamente disponvel ao restante do grupo familiar 
(inclusive dependentes e servos) tambm (cf. 16.15). A oferta, porm, segue as mesmas condies: devem ouvir a Palavra tambm (16.32), crer e ser batizados; a f 
do prprio carcereiro no d cobertura a todos eles (9).

As converses relatadas no captulo 16 de Atos so alguns exemplos de que a obra missionria s  bem sucedida quando o Esprito Santo vocaciona, capacita e envia 
Seus obreiros, alm  claro, de preparar o caminho para eles. Assim acontece dentro do livro de Atos e no pode ser diferente fora dele. 

NOTAS:
1. sia, Msia e Bitnia. De acordo com Simon J. Kistemaker (New Testament Commentary: Exposition of the Acts of the Apostles, pp. 582-84), a sia de Atos 16.6 seria 
a provncia da sia (parte ocidental da Turquia); Msia e Bitnia regies da sia Menor.
2. R. N. Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versculo Por Versculo, p. 329.
3. S. J. Kistemaker, Op. Cit., p. 584.
4. O Esprito Santo  soberano mas no age por capricho, Ele no faz as coisas simplesmente por fazer. Ele sabe o que faz e porque faz. E isto, com certeza, seria 
uma lio que Paulo e seus companheiros jamais haveriam de esquecer. "Assim que (Paulo) teve a viso, imediatamente procuramos partir para aquele destino (a Macednia), 
concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho" (At 16.10).
5. Que estas regies (a provncia da sia e Bitnia) no seriam definitivamente preteridas pelo Esprito Santo, conclui-se de passagens como At 19.10 e I Pe 1.1.
6. Para o significado e emprego da prpura nos tempos bblicos, veja R. A. Cole, Cores em O Novo Dicionrio da Bblia, Vol. II, pp. 324,5.
7. Cf. S. J. Kistemaker, Op. Cit., p. 591.
8. Kistemaker, Op. Cit., p. 601.
9. I. H. Marshall, Atos: Introduo e Comentrio, p. 258.

Parte III
A PERSPECTIVA MISSIONRIA DO PENTECOSTES 
Qual o propsito fundamental do Pentecostes de Atos 2? Seria o batismo do Esprito Santo, o dom de lnguas, a edificao da igreja? O objetivo deste artigo  mostrar 
que apesar de vlidas, nenhuma das alternativas acima mereceria uma resposta afirmativa como um fim em si mesma. Tentaremos mostrar a partir de agora que o batismo 
do Esprito Santo, o dom de lnguas e a edificao do povo de Deus foram necessrios em Atos 2, mas apenas como meio e no como fim do propsito fundamental de Deus 
para a igreja e o mundo.
A natureza e propsito do Pentecostes so eminentemente missionrios. E Lucas prepara o cenrio para apresent-lo desta forma quando diz em Atos 2.5: "Ora, estavam 
habitando em Jerusalm judeus, homens piedosos, vindos de todas as naes debaixo do cu" (grifo nosso). Para uma melhor compreenso deste tema, acreditamos que 
seria interessante traarmos primeiro um panorama geral da festa de pentecostes, segundo era comemorada nos tempos do Antigo Testamento. Vejamos qual a finalidade 
desta festa e o que ela representava, para em seguida tratarmos do Pentecostes de Atos 2.

1. A FESTA DE PENTECOSTES NO ANTIGO TESTAMENTO
A festa de pentecostes fazia parte (juntamente com a dos tabernculos e a pscoa) da trade das festas anuais mais importantes da lei mosaica. Trs festas que celebravam 
aspectos do xodo, o estabelecimento da aliana e o recebimento da terra prometida. Nelas exigia-se a presena de todos os homens de Israel que vivessem dentro de 
um raio de 32km de Jerusalm, a no ser que fossem impedidos por motivo de enfermidade (cf. Ex 23.17; Dt 16.16). Jesus, como era cumpridor da lei, provavelmente 
comparecia anualmente s trs festas tradicionais dos judeus.
A celebrao da pscoa iniciava-se na tarde do dcimo quarto dia do primeiro ms, em conjunto com a festa dos pes asmos, que comeava no dia quinze e durava sete 
dias (cf. Lv 23.5-8). A pscoa comemorava a libertao de Israel do cativeiro egpcio. Os pes asmos relembravam as dificuldades da fuga apressada do Egito. 
A festa dos tabernculos comeava no dcimo quinto dia do stimo ms e continuava durante sete ou oito dias (cf. Lv 23.34-44). Seu propsito era fazer o povo recordar 
as peregrinaes no deserto e regozijar-se pelo sucesso de todas as colheitas (cereais, frutas, vindimas, etc.).

Por ocasio da festa de pentecostes, tambm chamada de festa das semanas, das colheitas ou das primcias, apresentava-se a Deus as primcias da colheita do trigo 
ou da cevada como gratido a Ele por ter dado ao povo a nova e boa terra. Era comemorada cinqenta dias depois da pscoa; da o nome pentecostes. Seus propsitos 
eram baseados em Levtico 23, Nmeros 28 e Deuteronmio 16. 
O termo pentecostes deriva-se do grego penth/konta h(me/raj (cinqenta dias); uma traduo da Septuaginta (a mais antiga verso grega do Antigo Testamento [sc. 
III a. C.]) da expresso hebraica MwIY mYi$iimfx (cf. Lv 23.16). 

A festa de pentecostes era proclamada como "santa convocao", durante a qual nenhum trabalho servil podia ser feito, e todo homem israelita era obrigado a estar 
presente no santurio (Lv 23.21). Nesta ocasio dois pes assados, feitos com farinha nova, fina e fermentada, eram trazidos dos lares e movidos pelo sacerdote perante 
o Senhor, juntamente com as ofertas de sacrifcio animal, como as ofertas pelo pecado e pacficas (Lv 23.17-20). Por ser um dia festivo (cf. Dt 16.16), nele os israelitas 
devotos expressavam 1) gratido pelas bnos do cereal colhido e 2) um sincero temor a Deus (cf. Jr 5.24). 

No Antigo Testamento a festa de pentecostes no se limitava apenas ao Pentatuco. Sua observncia  indicada nos dias de Salomo (2 Cr 8.13) como o segundo dos trs 
festivais anuais (cf. Dt 16.16). A festa de pentecostes tambm era observada pelos cristos do Novo Testamento, mas somente como meio de evangelizao. Lucas registra 
em Atos 20.16 que Paulo estava resolvido a no perder tempo na sia, e se apressava para estar em Jerusalm no dia de pentecostes. Em 1 Corntios 16.8, o apstolo 
props-se a permanecer em feso at o pentecostes, visto que uma porta estava se abrindo para o seu ministrio.

Com o passar do tempo,  festa de pentecostes foi-se acrescentando outros significados. Durante o perodo inter-bblico e posteriormente a ele, a festa de pentecostes 
tambm passou a comemorar o aniversrio da transmisso da lei dada por Deus a Moiss no Sinai. Mas no  s isso. Assim como a celebrao das primcias, pentecostes 
tambm apontava para bnos maiores que Deus concederia no futuro, como por exemplo, a inaugurao da igreja neotestamentria em Atos 2.2 

II. O DUPLO PROPSITO DO PENTECOSTES DE ATOS 2
No  difcil percebemos que o relato do Pentecostes por Lucas teve dois propsitos fundamentais, sendo que o primeiro  mencionado para balizar e dar respaldo ao 
segundo. O primeiro propsito trata do contexto prximo e remoto da profecia bblica e seu cumprimento. O segundo tem haver com a inaugurao da igreja crist e 
sua misso no mundo.

2.1. A profecia e seu cumprimento em Atos 2

2.1.1. Contexto remoto
Dentre as passagens bblicas do Antigo Testamento3 que profetizaram o derramamento do Esprito Santo em Atos, a mais conhecida delas  a de Joel 2.28-32, justamente 
porque  a ela que Pedro faz meno na primeira parte de seu discurso em Atos 2.14-21, para explicar o pentecostes do Esprito aos cticos que no o entenderam ou 
zombavam dos que falavam em outras lnguas, chamando-os de embriagados. 
Mas por que ser que Pedro citou justamente Joel e no um profeta maior como Isaas ou Ezequiel? Alm disso, como explicar, de um lado, as omisses e acrscimos 
que Pedro faz  passagem de Joel e como entender, por outro lado, os detalhes da profecia ditos por Pedro que no aconteceram em Atos 2 como, por exemplo, o fenmeno 
do sol se convertendo em trevas e a lua em sangue? 

Vejamos o texto: 
Ento se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Vares judeus e todos os habitantes de Jerusalm, tomai conhecimento disto e 
atentai nas minhas palavras. Estes homens no esto embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia. Mas o que ocorre  o que foi dito por intermdio 
do profeta Joel: E acontecer nos ltimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Esprito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizaro, vossos 
jovens tero vises, e sonharo vossos velhos; at sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Esprito naqueles dias, e profetizaro. Mostrarei 
prodgios em cima no cu e sinais em baixo na terra; sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converter em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso 
dia do Senhor. E acontecer que todo aquele que invocar o nome do Senhor ser salvo (At 2.14-21).

Seria um equvoco de nossa parte supormos que entre a passagem de Joel 2.28-32 e o Pentecostes de Atos 2 no houvesse similitude alguma.  evidente que existem semelhanas 
entre as duas passagens. Por exemplo: nos dois casos o Senhor derrama o Esprito Santo sobre a comunidade reunida de Israel. No Pentecostes os judeus da disperso 
estavam reunidos em um s lugar. Em seu discurso, Pedro afirma que aps Jesus ressuscitar dos mortos, Ele foi exaltado  direita de Deus e "tendo recebido do Pai 
a promessa do Esprito Santo, derramou (e)ce/xeen) isto que vedes e ouvis" (At 2.33). O verbo e)ce/xeen vem de e/kxe/w (derramar) e  o mesmo usado pela LXX na traduo 
de "Eu derramarei" de Joel 2.28-32.4
E quanto ao uso da passagem de Joel por Pedro?
A profecia de Joel sobre o derramamento do Esprito Santo  uma das mais completas do Antigo Testamento. A citao de Pedro segue a LXX, mas com algumas pequenas 
alteraes para adaptar a profecia ao seu contexto.5 O Dr. I. Howard Marshall alista quatro temas importantes da profecia de Joel em Atos 2. 
O primeiro tema da profecia, e o principal, segundo Marshall,  que Deus est para derramar o Seu Esprito sobre todos os povos, isto , sobre todos os tipos de 
pessoas6, e no apenas sobre os profetas, reis e sacerdotes, como acontecia no Antigo Testamento. 

Um segundo elemento da profecia  a ocorrncia de sinais csmicos do tipo que se associa com os quadros apocalpticos do fim do mundo (cf. Ap 6.12). Aqui, podemos 
notar que Pedro alterou a expresso de Joel: "prodgios no cu e na terra", para prodgios em cima no cu e sinais em baixo na terra. Os sinais seriam provavelmente 
o dom de lnguas e os vrios milagres de cura que logo passariam a ser narrados. O que dizer, porm, dos prodgios? Se no aceitarmos que a referncia diz respeito 
aos sinais csmicos que acompanharam a crucificao (Lc 23.44,45), ento teremos que entender que Pedro antev os sinais que anunciaro o fim do mundo. Estes ainda 
so futuros e pertencem ao "fim" dos ltimos dias, e no ao "comeo" deles, que estava se realizando.
O terceiro elemento na profecia de Joel  o evento do qual estes sinais so a prefigurao. Para Joel,  claro, o Senhor era o prprio Jav. Para Pedro e Lucas surge 
a pergunta: Senhor, aqui, no significa implicitamente Jesus? Isto porque em Atos 2.36 Jesus ser declarado Senhor.  Em quarto lugar, a profecia de Joel termina 
com uma promessa no sentido de que aquele que invocar o nome deste Senhor, isto , apelar a Ele, pedindo socorro, ser salvo. Para os cristos, certamente, se tratava 
de procurar em Jesus a salvao (cf. Rm 10.13,14; 1 Co 1.2). Reconhece-se que, se Pedro citou o texto em hebraico, haveria clara referncia a Jav, e, portanto, 
a aplicao a Jesus ficaria clara somente queles que ouviam ou liam o texto em grego.7

2.1.2. Contexto prximo
O Novo Testamento antecipa de modo vvido o que aconteceria em Atos 2. Lucas relata em seu Evangelho que Joo Batista pregava assim: "Eu, na verdade, vos batizo 
com gua, mas vem o que  mais poderoso do que eu, do qual no sou digno de desatar-lhe as correias das sandlias; ele vos batizar com o Esprito Santo e com fogo" 
(Lc 3.16; cf. Mt 3.11). A palavra fogo nesta passagem refere-se ao Pentecostes mas tambm ao juzo final.8
Mais tarde, no final de seu Evangelho, Lucas volta a tratar daquela mesma promessa, agora dita pelo prprio Senhor Jesus. "Eis que envio sobre vs a promessa de 
meu Pai; permanecei, pois, na cidade, at que do alto sejais revestidos de poder" (Lc 24.49). E o Cristo exaltado derramou o Esprito Santo prometido que Ele recebeu 
de Deus Pai (cf. At 2.33).
Contudo, o contexto mais prximo que se pode ter do Pentecostes est exatamente no captulo 1 do segundo livro de Lucas.
E, comendo (Jesus) com eles (seus discpulos), determinou-lhes que no se ausentassem de Jerusalm, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse 
ele, de mim ouvistes. Porque Joo, na verdade, batizou com gua, mas vs sereis 
batizados com o Esprito Santo, no muito depois destes dias. Ento, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, ser este o tempo em que restaures o reino 
a Israel? Respondeu-lhes: No vos compete conhecer tempos ou pocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade; mas recebereis poder, ao descer sobre vs o 
Esprito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalm como em toda a Judia e Samaria a at aos confins da terra (At 1.4-8).
Jesus ordenou aos Seus discpulos que no se ausentassem de Jerusalm, enquanto no recebessem o batismo do Esprito. 
S podemos entender adequadamente esta ordem  luz de seu contexto histrico. Aps a sua ressurreio, Jesus instruiu o discpulos a retornarem  Galilia (cf. Mt 
28.10; Mc 16.7). E eles prontamente o fizeram, por duas razes. Em primeiro lugar, eles teriam a oportunidade de v-lO novamente na Galilia, conforme prometera. 
Em segundo lugar, eles no estavam nem um pouco interessados em permanecer em Jerusalm, o lugar onde os judeus mataram Jesus e que eles, os discpulos, tambm estariam 
correndo perigo de morte.  provvel que depois da ascenso de Jesus os discpulos ficassem tentados a retornar  Galilia, conforme j haviam feito antes (Jo 21). 
O lugar onde Jesus concluiu seu ministrio terreno seria agora o ponto de partida de uma nova era. Dali, no dia de Pentecostes, Ele enviaria a Sua igreja como primcias 
e verdadeira testemunha de tudo o que Ele disse e fez, isto , "que em seu nome se pregasse arrependimento para remisso de pecados a todas as naes, comeando 
de Jerusalm" (Lc 24.47).
Por isso, logo aps a Ascenso, os discpulos fizeram imediatamente o que Jesus mandou. Retornaram do Monte das Oliveiras para Jerusalm, e quando ali entraram subiram 
ao cenculo, local onde o Senhor celebrou a ceia e por diversas vezes apareceu a eles. Lucas diz que no cenculo "Todos estes (os onze, cf. At 1.13) perseveravam 
unnimes em orao, com as mulheres, com Maria, me de Jesus, e com os irmos dele" (At 1.14).9
 luz dos textos de Atos 1.14,15 e 2.1 podemos notar que ocorreram trs reunies distintas em Jerusalm.  at possvel que os cento e vinte de Atos 1.15 estivessem, 
todos eles, na reunio de Atos 2; porm, isso parece pouco provvel porque o texto fala de uma casa (cf. At 2.1,2). Mas esta informao no  o que verdadeiramente 
importa. Importante mesmo  saber que a promessa de Atos 1.4-8 comeava a se cumprir em Atos 2. 

3.2. A Igreja e sua misso

3.2.1. O nascimento da igreja crist
O tempo entre a ascenso de Jesus e a espera dos discpulos para o derramamento do Esprito Santo foi curto, de apenas dez dias. Nas palavras de Jesus, o Pentecostes 
ocorreria "no muito depois destes dias" (At 1.5).
O contexto da inaugurao da igreja crist no poderia ser outro. Estavam presentes em Jerusalm judeus piedosos "vindos de todas as naes debaixo do cu" (At 2.5). 
Como os judeus estavam amplamente dispersos, era impossvel para a maioria comparecer a todos os trs festivais a cada ano. No entanto, um nmero surpreendente vinha, 
de fato, a Jerusalm para adorao nas trs ocasies. Como a viagem pelo Mediterrneo era mais segura ao final da primavera, quando o Pentecostes era celebrado, 
esta festa normalmente trazia as maiores multides para a cidade. Sua populao, que normalmente era de cinqenta mil habitantes, inflava para quase um milho nesta 
poca do ano.10

Lucas relaciona, em Atos 2.9-11, quinze naes do mundo antigo. Comea com as naes do leste (Partia, Media, Elam e Mesopotmia), depois segue da Judia  sia 
Menor (Capadcia, Ponto, sia, Frgia e Panflia), prossegue em direo  frica (Egito, Lbia e Cirene) e continua at Roma, Creta e Arbia. Porqu a lista omite 
naes que obviamente deveriam ser mencionadas por Lucas, como Grcia, Macednia e Cpria, no sabemos ao certo. O importante  saber que a inteno primordial do 
autor est bem evidente.
"Lucas parece agrupar as naes em categorias lingsticas, pois seu objetivo no relato do Pentecostes  enfatizar que as boas novas transcendem as barreiras lingsticas".11 
Marshall fala de algo parecido quando diz: 

Basta, ento, observar que a lista claramente visa ser uma indicao de que estavam presentes pessoas de todas as partes do mundo conhecido, e talvez que haveriam 
de voltar aos seus prprios pases como testemunhas daquilo que acontecia. Todas elas, como adoradores de Jav, podiam perceber que os cristos estavam celebrando 
as obras poderosas de Deus.12

Diferente do que muitas vezes vemos em nossas igrejas brasileiras, em Atos a igreja possui caractersticas bblicas bem definidas. Consciente ou inconscientemente, 
muitas de nossas igrejas esto influenciadas pelo que se pode denominar de "mito da vida espiritual interior e individual" e "narcisismo eclesitisco". 
Ely Csar, abordando o tema do propsito fundamental da inaugurao da igreja crist, diz com preciso:
A maneira como os primeiros cristos compreenderam o Pentecostes atesta um fato bsico: sem o Esprito no h proclamao possvel, no h evangelho, no h vida 
em Cristo. Antes do Pentecostes os apstolos so apenas testemunhas da ressurreio no sentido passivo do termo. A partir do Pentecostes eles comovero o mundo com 
o testemunho fabulosamente dinmico de que Deus concede, agora, vida ao mundo. A Igreja  empurrada ao mundo, descobrindo de maneira clara que  Verdade para o mundo, 
convencida de que o Esprito no foi concedido para seu deleite pessoal mas para capacit-la a proclamar que Deus amou ao mundo de tal maneira que agora lhe possibilitou 
a vida em Cristo.13

Qual o motivo da introspeco da igreja de hoje? Seria porventura o resultado de uma teologia sistemtica desassociada de misses? Na opinio do telogo Hendrikus 
Berkhof,  possvel. Diz ele: "Lamento, portanto, ter que dizer que o enriquecimento da teologia sistemtica que deveria resultar em tomar a misso como um elemento 
essencial dos atos poderosos de Deus ainda est por vir".14 E mais: 
Uma conseqncia de tudo o que temos dito  que j no podemos conceber a misso como um mero instrumento da obra salvfica de Cristo, como o meio pelo qual os poderosos 
atos da encarnao, a expiao e a ressurreio so 
transmitidos s geraes que se seguem e s naes mais remotas. Tudo isto tambm  certo. Mas, como transmisso dos atos poderosos, a misso , em si, um ato poderoso 
como so a expiao e a ressurreio. Todos estes outros atos jamais seriam conhecidos como atos poderosos de Deus se no fosse por este ltimo: o movimento do Esprito 
missionrio. Este ltimo ato  a porta pela qual passam todos os precedentes. Este ltimo ato ainda continua. Ns somos testemunhas de sua continuada realizao.15

3.2.2. A perspectiva missionria do Pentecostes

O Pentecostes  o ponto alto do conjunto ou complexo daquela seqncia de eventos relacionados  morte, ressurreio e ascenso de Jesus.  por isso que para Lucas 
o Pentecostes possui um significado prtico e dinmico, traduzido em termos de nascimento e misso da igreja crist.
Lucas apresenta o Pentecostes como o incio da misso mundial da 
Igreja. A implementao do programa de Atos 1.8 dependia do Pentecostes. Aqueles que testificaram os efeitos do derramamento do Esprito Santo e ouviram o evangelho 
pregado por Pedro, representavam "todas as naes debaixo do cu" (At 2.5). E a lista, como j vimos, inclua um vasto panorama das naes do Mediterrneo oriental 
(At 2.9-11).
O carter missiolgico de Atos 2  facilmente percebido pela importncia que Lucas d ao Pentecostes. O Pentecostes est no comeo de um novo livro escrito por ele 
e no no final de sua primeira obra. No seria exagero dizer que pela posio do Pentecostes em Atos, Lucas atribui a ele um valor e importncia semelhantes ao nascimento 
de Cristo no incio de seu Evangelho, ou mesmo a algo como o relato da criao no incio de Gnesis.
Concordamos com Simon Kistemaker quando diz: "Depois da obra da criao de Deus e a encarnao do Filho de Deus, a descida do Esprito Santo no Pentecostes  o terceiro 
maior ato divino".16
No decorrer deste estudo procuramos salientar que o propsito fundamental do Pentecostes de Atos 2  a formao de uma igreja missionria.17 Igreja e misso significam 
duas partes inseparveis na mente do Esprito. 
Mas o que dizer das lnguas faladas no dia de Pentecostes? Nem  preciso especular se eram dos homens ou dos anjos. Lucas deixa claro que os "galileus"18 (no caso 
os apstolos e outros que estavam na casa) de Atos 2.7 falavam as lnguas das naes presentes naquela festa (At 2.6-11). Quanto  natureza e propsito das mesmas 
em Atos, Marshall comenta:
A histria ensina que lnguas humanas inteligveis so significativas, no as lnguas ininteligveis como as freqentemente encontradas na glossollia moderna ou 
como as que usualmente pensa-se ter sido faladas em Corinto. Acreditamos que dos diversos oradores cada um falou uma lngua particular, embora fosse possvel que 
cada um deles falasse diversas lnguas diferentes em sucesso.19

A misso no  mera realizao humana. Os dons do Esprito foram dados para o propsito da misso, e no para a edificao particular da igreja ou dos seus membros 
individuais.20

E qual o significado do vento e do fogo em Atos 2?

O vento simboliza o Esprito Santo. O som do vento denota poder celestial e seu aparecimento repentino revela a inaugurao de algo sobrenatural.

O fogo era o cumprimento da descrio de Joo Batista do poder de Jesus: "Ele vos batizar com o Esprito Santo e com fogo" (Mt 3.11; Lc 3.16). No Antigo Testamento 
o fogo  freqentemente um smbolo da presena de Deus para indicar santidade, juzo e graa (cf. Ex 3.2-5; 1 Rs 18.38; 2 Rs 2.11). Em Atos 2 o fogo se dividiu em 
lnguas de fogo que pousaram sobre cada um dos crentes presentes na casa. Em decorrncia disto eles falaram em outras lnguas.
 provvel que o contedo das lnguas faladas por aquele grupo de irmos consistia na profecia da graa e justia de Deus.21
Vale ressaltar que Lucas tem o cuidado de observar que no foram simplesmente vento e fogo que invadiram a casa, mas sim o Esprito Santo como vento e fogo. Esta 
foi a maneira que Lucas encontrou para dizer que o que aconteceu naquele dia no tinha nada haver com fenmenos meramente naturais.

III. PRINCIPAIS CARACTERSTICAS DO PENTECOSTES

H pelo menos trs caractersticas do Pentecostes de Atos 2 que pretendemos destacar aqui.
1) O Pentecostes foi um ato soberano do Esprito
Lucas relata nos quatro primeiros versculos de Atos 2 como o Esprito Santo atuou soberanamente naquele dia, em fragrante contraste com a passividade dos que "estavam 
reunidos no mesmo lugar" (At 2.1). Depois diz que "de repente, veio do cu um som, e encheu toda casa onde estavam assentados" (At 2.2, grifo nosso). "E apareceram, 
distribudas entre eles, lnguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles" (At 2.3, grifo nosso). "Todos ficaram cheios do Esprito Santo e passaram a falar 
em outras lnguas, segundo o Esprito lhes concedia que falassem" (At 2.4, grifo nosso).
Neste ato soberano do Esprito ficam evidentes a natureza sobrenatural do Pentecostes quando o Esprito Santo vem do cu e entra na casa com um som repentino como 
vento impetuoso e lnguas de fogo que pousavam sobre cada um deles. Ficando todos cheios do Esprito passaram a falar em outras lnguas, segundo o Esprito lhes 
concedia que falassem. O dom das lnguas em Atos 2 nos faz relembrar o ensino de Paulo em 1 Corntios 12.11: "Mas um s e o mesmo Esprito 
realiza todas estas cousas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um,
individualmente".22

2) O Pentecostes foi um ato nico do Esprito
A segunda coisa que aprendemos em Atos 2  que o Pentecostes foi um ato nico do Esprito Santo. Naturalmente este  um ponto controvertido, visto que as igrejas 
histricas o defendem mas as igrejas neo-pentecostais e carismticas o rejeitam terminantemente. Buscando uma definio equilibrada a esse respeito 
captulo (1 Co 12) para tecer um comentrio importante do significado teolgico do batismo com o Esprito em comparao ao Pentecostes de Atos. Diz ele: "O significado 
teolgico do batismo com o Esprito no  explicado em parte alguma de Atos, e h apenas uma declarao, em todo o Novo Testamento, neste sentido. Embora isto seja 
encontrado em Paulo, as vrias extenses do Pentecostes, relatadas em Atos, podem ser compreendidas  luz desta afirmao: 'Pois em um s Esprito fomos todos ns 
batizados em um s corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos ns foi dado beber de um s Esprito' (1 Co 12.13). O batismo com o Esprito 
 o ato do Esprito Santo reunindo, em uma unidade espiritual, pessoas de diferentes origens raciais e formao social, a fim de que formem o corpo de Cristo - a 
ekklsia". acreditamos que o Dr. Pierson foi muito feliz em sua abordagem. Diz ele:
Alguns estudiosos falam de um "Pentecostes samaritano" e de um "Pentecostes gentlico" que sucedeu o Pentecostes de Jerusalm. No podemos 
fazer o mesmo de modo nenhum,  claro. O primeiro Pentecostes, quando o Esprito foi derramado sobre os crentes, foi nico. No entanto, existe um sentido segundo 
o qual estes termos esto corretos. O Esprito veio sobre a igreja de Jerusalm para prepar-la e capacit-la para a sua misso. Mais tarde, pela vinda sobre os 
crentes de Samaria e ento sobre os gentios, de modo to claro e dramtico, o Esprito aumentou a compreenso da igreja acerca da sua misso e preparou-a para os 
prximos passos. O Esprito do Cristo ressurreto continuava a liderar a sua igreja para fora dos limites de Jerusalm e da sua familiar cultura judaica em direo 
a outros povos, lugares e culturas - at aos confins da terra.23

3) O Pentecostes de Atos 2 foi universal
Um terceiro ponto que queremos destacar  o carter universal do Pentecostes. Percebemos facilmente a inteno de Deus ao enviar o Esprito Santo numa ocasio em 
que "estavam habitando em Jerusalm judeus, homens piedosos, vindos de todas as naes debaixo do cu" (At 2.5). Entre os judeus "vindos de todas as naes" haviam 
tambm "proslitos" (At 2.11). Mas isto no  tudo. O carter universal do Pentecostes fica ainda mais evidente naquele trecho do discurso de Pedro que diz: "Pois 
para vs outros  a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda esto longe, isto , para 
quantos o Senhor, nosso Deus, chamar" (At 2.39). 
No sabemos at onde Pedro entendeu que a profecia de Joel prometia este dom ou batismo do Esprito a todos os crentes. Se tomarmos isoladamente o texto de Atos 
10 poderemos concluir que foi somente aps aquela experincia em Jope e na casa de Cornlio que Pedro e a igreja de Jerusalm entenderam que "tambm aos gentios 
foi por Deus concedido o arrependimento para a vida" (At 11.18).24 Contudo, recordemos que em seu discurso Pedro cita Joel, dizendo: "E acontecer que todo aquele 
que invocar o nome do Senhor ser salvo" (At 2.21). No esqueamos que os "proslitos" de Atos 2.11 eram gentios.
A passagem citada h pouco de Atos 2.39 tambm parece lanar alguma luz sobre a concepo universal de Pedro.25 Uma referncia aos gentios por Pedro  altamente 
provvel, tendo em vista a maneira rabnica de entender a frase em Isaas 57.19 (cf. Ef 2.13,17). So promessas mediadas pela chamada divina - e com
estas palavras (de Atos 2.39), Pedro completa a citao de Joel 2.32 com a qual comeara o seu discurso. "Ressalta-se a primazia da chamada divina e da graciosidade 
do Seu convite  toda humanidade".26

Na minha opinio Pedro estava certo de que o evangelho seria pregado a todos os povos, conforme a ordem de Jesus, "fazei discpulos de todas as naes" 
(Mt 28.19), mas que no seria atravs dele ou pelo menos no necessariamente atravs dele e dos judeus. "Os primitivos cristos no compreenderam de imediato que 
era a sua misso proclamar o evangelho em todo o mundo. Eles permaneceram 
em Jerusalm, e a misso mundial no comeou seno quando a perseguio expulsou os helenistas para fora da capital".27 De qualquer forma, Lucas, que era gentio, 
tinha em mente o evangelho para todos os povos quando escreveu Atos 2.
Gostaria de finalizar este pequeno estudo dizendo que o Pentecostes foi um ato nico na histria, mas com efeitos duradouros e permanentes. No era o fim mas o incio 
de uma nova era. A era do Esprito Santo. E aquele comeo no poderia ser mais extraordinrio como foi. Quer seja pela maneira como o Esprito se manifestou, quer 
seja pelo resultado daquela manifestao. Dos que ouviram a pregao do evangelho naquele dia, trs mil foram salvos.

Na perspectiva missionria do Pentecostes, qual foi o propsito fundamental de Atos 2? O Pentecostes contempla a criao de um povo missionrio formado por homens 
e mulheres que amam verdadeiramente a Jesus Cristo. O sacerdcio universal dos crentes comea no Pentecostes. E a partir daquele dia todos ns fazemos parte de uma 
mesma misso. A misso de proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, a saber, Jesus, a esperana da glria.

1. Cf. John D. DAVIS, Festa In Dicionrio da Bblia, p. 225
2. Cf. D. FREEMAN, Festa de Pentecostes In O novo dicionrio da Bblia, Vol. II, p. 1265.
3. Veja, por exemplo, Isaas 32.15; 44.3; Ezequiel 39.29.
4. Cf. Thomas J. FINLEY, The Wycliffe Exegetical Commentary: Joel, Amos, Obadiah, p. 77
5. Cf. I. Howard MARSHALL, op. cit., p. 73 (nota 16).
6. " possvel que Lucas tenha visto uma referncia a gentios bem como a judeus" (Idem, nota 17).
7. Cf. MARSHALL, op. cit., p. 73,74.V. t. KISTEMAKER, op. cit., p. 90. Para uma interpretao diferente, consulte Thomas J. FINLEY, op. cit., p. 76-81.
8. Cf. William HENDRIKSEN, New Testament Commentary: Exposition of the gospel according to Luke, p. 210-211.
9. Para um contraste interessante entre o festival judaico do pentecostes e a expectativa dos discpulos pelo batismo do Esprito, veja I. H. MARSHALL, The Significance 
of Pentecost In Scottish Journal of Theology, p. 352-359.
10. Paul E. PIERSON, Atos que contam, p. 27.
11. Cf. Simon J. KISTEMAKER, op. cit., p. 82.
12. I. Howard MARSHALL, op. cit., p. 71
13. Ely Eser B. CSAR, A ao humanizadora do Esprito, p. 58. V. t. PIERSON, op. cit., p. 19,179,180.
14. Hendrikus BERKHOF, La doctrina del Espritu Santo, p. 36.
15. Idem, p. 38.
16. KISTEMAKER, op. cit., p. 91.
17. Um estudo excelente sobre a missiologia do Pentecostes pode ser encontrado em Harry R. Boer, Pentecost and missions, p. 48-254 e tambm no livro de Roland Allen, 
Pentecost and the World.
18. Para um estudo interessante do termo "galileus" de Atos 2.7, consulte C. S. Mann, Pentecost in Acts In Anchor Bible: The Acts of the Apostles, p. 271-275.
19. MARSHALL, op. cit., p. 357. V. t. KISTEMAKER, op. cit., p. 77,78 e J. D. G. DUNN, op. cit., p. 523. Para uma comparao das lnguas como sinal de bno e maldio 
entre o Antigo e Novo Testamentos, veja o livreto de O. Palmer ROBERTSON, Lnguas: Sinal de bno e maldio. E para um contraste interessante entre a glossolalia 
de Atos 2 e Gnesis 11, consulte R. B. KUIPER, Evangelizao teocntrica, p. 60,61.
20. MARSHALL, op. cit., p. 50. V. t. PIERSON, op. cit., p. 19, 43, 78-83, 179,180.
21. Cf. Jos Joo de Paula, O Pentecostes, p. 118-122. 22. G. E. LADD (op. cit., p. 327) utiliza este mesmo
23. Paul E. PIERSON, op. cit., p. 111,112. V. t. John R. W. STOTT, Batismo e plenitude do Esprito Santo, p. 15-55; Frederick D. BRUNER, Teologia do Esprito Santo, 
p. 122-166; George E. LADD, Teologia do Novo Testamento, p. 326.
24.  interessante notar que em sua justificativa perante a igreja de Jerusalm em Atos 11 Pedro menciona o evento do Pentecostes para convencer seus ouvintes. 
Veja Atos 11.15-18.
25. Cf. John STOTT, op. cit., p. 20,21; R. B. KUIPER, op. cit., p. 59-61.
26. Cf. MARSHALL, op. cit., p. 82.
27. Cf. G. E. LADD, op. cit., p. 327.
Parte IV
A PERSPECTIVA MISSIONRIA DE PAULO II
I - MISSES EM PAULO 
1. A micetologia de Paulo
Dentre algumas dicotomias que a igreja evanglica brasileira enfrenta atualmente, uma delas  a polarizao entre teologia e misses. Este reducionismo evanglico 
foi detectado pelo Dr. Augustus Nicodemus Lopes (Paulo,Plantador de Igrejas,1997, p. 5), ao dizer que a separao entre teologia e misses tem penetrado nas igrejas 
e organizaes missionrias no perodo moderno, e tem produzido efeitos perniciosos at o dia de hoje. Isto  verdade. E a causa dessa divergncia teolgica, com 
sua conseqncia danosa para a igreja, foi acertadamente observado pelo Dr. Michael Green (Evangelizao na Igreja Primitiva, 1989, p. 7) quando disse: A maior parte 
dos evangelistas no se interessa muito por teologia; e a maioria dos telogos no se interessa muito por evangelizao.

Alguns telogos, como o renomado Dr. Nicodemus, e missilogos, como o igualmente ilustre Dr. Timteo carriker, so concordes quanto a importncia da teologia e misses 
na vida da igreja. No entanto, ser que a nfase que eles do s motivaes missionrias de Paulo est correta?  o que procuraremos mostrar a seguir.

As motivaes missionrias de Paulo.
O conceito do Dr. Augustus Nicodemus Lopes

O Dr. Nicodemus  pastor presbiteriano, mestre em Novo Testamento pela Potschefstroom University for Christian Higher Education, na frica do Sul e doutor em hermenutica 
e estudos bblicos pelo Westminster Theological Seminary, Filadlfia, USA, com cursos especiais na Universidade Teolgica da Igreja Reformada da Holanda. Atualmente 
coordena a rea de teologia exegtica do Centro de Ps-Graduo Andrew Jumper, em So Paulo e leciona exegese no Seminrio Presbiteriano Rev. Jos Manoel da Conceio, 
tambm em So Paulo.  autor de vrios livros e artigos, dentre os quais destacamos Paulo, plantador de igrejas: Repensando fundamentos bblicos da obra missionria 
(Fides Reformata. So Paulo: JMC, Vol. II, N 2, 1997). 

De acordo com o Dr. Nicodemus, a atividade missionria de Paulo era resultado direto da sua teologia. 

Ele pergunta: 

O que motivava o apstolo Paulo a sair plantando igrejas, organizando comunidades ao longo da bacia do Mediterrneo, apesar da rejeio dos seus patrcios e das 
implacveis perseguies que sofria? (p. 7)
E responde:
O que o movia no eram arroubos de piedade, esprito proselitista, amor ao lucro, popularidade ou qualquer outra motivao similar. Essas motivaes no teriam suportado 
as angstias do campo missionrio por muito tempo. Paulo estava movido por suas convices teolgicas. (p. 7, grifo do autor). 
Segundo ele, a ao missionria de Paulo era resultado dessas convices teolgicas. Um ponto que esclarece bem o que o Dr. Nicodemus entende por "convices teolgicas" 
de Paulo  a exemplificao que ele faz com a teologia de misses de William Carey, missionrio batista que viveu no sculo XIX. Carey era um calvinista ardoroso, 
que tinha um corao inflamado por misses e no podia compreender a obra missionria como outra coisa seno a extenso das suas convices como crente no Senhor 
Jesus (pp. 5,6). E prossegue:   interessante observar que no livrete Enquiry, onde estabelece os motivos da sua atividade missionria, Carey segue uma seqncia 
similar  obra Theory of Missions, escrita pelo telogo e missilogo alemo Gustav Warneck (1834-1910). Isso mostra que Carey, mesmo sem ter tido o treinamento teolgico 
de Warneck, esboa a sua missiologia teologicamente. Carey nunca usa o argumento das "almas que esto se perdendo" nem justifica-se a partir de suas convices batistas. 
Sua preocupao  com a promoo do Reino de Cristo (p. 6, nota 2). O Dr. Nicodemus salienta, ainda, que toda reflexo teolgica deveria desembocar em subsdios 
para o esforo expansionista da Igreja de Cristo. Esses esforos, segundo ele, nada mais podem ser do que teologia em ao. Entende que quando a nossa prtica missionria 
no  fertilizada e controlada por uma reflexo teolgica correta, ela acaba se tornando em ativismo, desempenho estilizado ou simplesmente uma aplicao frentica 
de mtodos. E quais eram, segundo o Dr. Nicodemus, as convices teolgicas que motivavam a obra missionria de Paulo? Eram basicamente trs. A primeira dessas convices 
 que os ltimos dias j comearam. Paulo estava vivendo nos ltimos dias, dias de cumprimento, em que os fins dos sculos haviam chegado para ele. A segunda convico 
do apstolo Paulo era que as antigas promessas de Deus encontravam concretizao histrica na Igreja de Cristo. Era na Igreja que a restaurao de Israel se consumava 
e a plenitude dos gentios estava entrando. A terceira convico de Paulo era que Deus o havia chamado para edificar essa Igreja (1). 

O conceito do Dr. C. Timteo Carriker
O Dr. Carriker  pastor da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (P. C. - U.S.A.). Trabalha no Brasil desde 1977. Cursou o bacharelado na Universidade da Carolina 
do Norte, em Charlote, o mestrado em teologia no Seminrio Teolgico Gordon-Conwell, e o mestrado em missiologia e doutorado em estudos interculturais do Seminrio 
Teolgico Fuller.  professor e diretor acadmico do Centro Evanglico de Misses, em Viosa, MG. Dos seus escritos destacamos, para este propsito, o livro Misso 
Integral: Uma teologia bblica (So Paulo: Editora Sepal, 1992) e o artigo A missiologia apocalptica da carta aos Romanos (Fides Reformata. So Paulo: JMC, Vol. 
III, N 1, 1998).

Enquanto o Dr. Nicodemus parte da teologia para a misso, o Dr. Carriker
claramente inverte a ordem. Segundo ele, as profundas convices teolgicas de Paulo brotaram de intenso envolvimento missionrio e pastoral. Segue-se, de acordo 
com o Dr. Carriker, que a teologia consiste primariamente de reflexo acerca da misso, no sendo esta mera aplicao conseqente daquela, mas misso est no mago 
da teologia. (Misso Integral, p. 7). E ainda: Como Martin Kahler reconheceu em 1908, misso, de fato, a me da teologia (Bosch 1980:24) e no uma subdiviso menor 
e dispensvel da teologia prtica. De modo inverso, Pedro Savage observa que "a teologia , em essncia, missiolgica" (1984:56). Isto , a missiologia  fundamental 
 teologia porque  o lugar aonde a f e a estratgia se encontram no caminho para o mundo num dado momento especfico. Entendendo a missiologia na sua devida relao 
teolgica, se torna patente a necessidade de seu enraizamento slido na Bblia. (pp. 7,8) Em sua exposio de Romanos, o Dr. Carriker observa que esta carta se caracteriza 
por uma extensa elaborao teolgica e  a teologia que melhor indica o contexto ou os contextos da carta, inclusive o apelo feito pelo apstolo para que os cristos 
romanos apiem a sua misso espanhola. Mas, segundo ele, no  uma teologia abstrata e desconectada da situao missionria de Paulo.  uma teologia de misso. Citando 
Krister Stendahl, assevera que este  um dos poucos biblistas que percebeu isso, quando iniciou um dos seus ltimos livros com a seguinte afirmao: Romanos  a 
ltima declarao de Paulo acerca da sua teologia de misso. No  um tratado teolgico sobre a justificao pela f... Quando falo de Romanos como a declarao, 
feita por Paulo, da sua teologia de misso, estou convencido de que a teologia paulina tem o seu centro norteador na percepo apostlica de Paulo sobre a sua misso 
aos gentios. Conseqentemente, Romanos  central  nossa compreenso de Paulo, no por causa da sua doutrina da justificao, mas porque a doutrina da justificao 
est aqui no seu contexto original e autntico: como um argumento a favor da posio dos gentios baseada no modelo de Abrao (Romanos 4). (pp. 132,3). (2) Quais 
eram, portanto, segundo o Dr. Carriker, as convices que levaram um "fariseu dos fariseus" a se tornar apstolo dos gentios? De acordo com ele, devemos qualificar 
que Paulo no desenvolveu seu ministrio de fundamentos exclusivamente dogmticos. Nem podemos afirmar que Paulo era um "telogo" no sentido que muitos o fazem hoje 
em dia, como se fosse um pensador sistemtico. Em vez de consider-lo como um telogo sistemtico, devemos encar-lo como um telogo pastoral, que desenvolveu sua 
perspectiva no de reflexo acadmica divorciada das situaes concretas e problemas eclesisticos em que se envolvia. Paulo seria uma sorte de telogo peregrino 
(ou missionrio!) que, na estrada da experincia da vida e do ministrio, procurava teologar a partir da sua realidade. Assim, Paulo seria melhor descrito como um 
telogo de prxis que, partindo da sua experincia, refletia nela a base das escrituras hebraicas e do seu encontro com Jesus crucificado e ressurreto. 

Avaliando os dois conceitos 
Mesmo numa anlise ligeira dos conceitos de nossos telogos (Nicodemus e Carriker),  possvel observar que ambos enfatizam, de maneira positiva, a importncia do 
valor conjunto da teologia e misses no ministrio de Paulo e da igreja, e tambm o prejuzo que a igreja experimenta quando divorcia uma da outra. Nenhum dos dois 
desmerece a teologia ou a misso.  despeito de tanto um quanto o outro procurar rever os conceitos de "teologia" e "misses"  luz de suas convices teolgicas. 
Mas isto tambm  positivo, pois como o Dr. Nicodemus bem observa, quando a nossa prtica missionria no  conduzida por uma reflexo teolgica correta, ela acaba 
se tornando em mero ativismo. Por outro lado, o Dr. Carriker salienta, com muita propriedade, que no podemos afirmar que Paulo era um "telogo" no sentido que muitos 
o fazem hoje em dia, como se fosse um pensador sistemtico. Em vez de considerarmos Paulo como um telogo sistemtico, devemos encar-lo como um telogo pastoral, 
que no desenvolvia sua perspectiva teolgica academicamente, mas no contexto da misso. Entretanto, a questo fundamental  se a teologia de Paulo era motivada 
por sua missiologia e vice-versa. A tese que defendemos  pelo "sim". Paulo foi um grande missionrio porque era um grande telogo, e que, por sua vez, era um grande 
telogo porque foi um grande missionrio. Infelizmente esta tese no  defendida pelo Dr. Nicodemus e muito menos pelo Dr. Carriker. Um telogo geralmente no admite 
que a teologia (principalmente a sua prpria)  fruto de uma missiologia bem definida e um missilogo, por sua vez, no costuma afirmar que a misso por ele defendida 
 o resultado de uma teologia bblica coerente (3). Mas em Paulo a misso  teolgica e a teologia  missiolgica. Ele no apenas no separava uma da outra, mas 
tambm subordinava uma a outra. Um bom exemplo disso  sua carta aos Romanos. Tomemos como exemplo o captulo 15 dessa carta. Para Samuel Escobar, fundador da Fraternidade 
Teolgica Latino-Americana, A missiologia de Paulo muitas vezes  expressa como exposio teolgica, entrelaada com referncias de sua prtica missionria. Penso 
que Romanos 15.11-33  um texto ilustrativo da metodologia de Paulo, especialmente relevante para a reflexo missiolgica na Amrica Latina. Esta passagem apresenta 
uma interao entre a teoria e a prtica, entre os fatos da vida em obedincia a Deus e a reflexo sobre esses fatos (Desafios da Igreja na Amrica Latina, 1997, 
p. 89).

E resume: 
Uma leitura cuidadosa de Romanos 15.11-33 evidencia uma estrutura de quatro partes da missiologia de Paulo. Em cada seo encontraremos um "fato" central ligado 
  Prtica de Paulo, seguido da reflexo pastoral e missiolgica que  estimulada por esse fato e que gira em torno dele. O primeiro  proclamao: "Proclamarei 
plenamente o evangelho de Cristo" (v. 17-22); o segundo  previso: "Planejo [v-los] quando for  Espanha" (v. 23-24); o terceiro  concluso: "Agora, porm, estou 
de partida para Jerusalm" (v. 25-29); e o quarto  luta: "Recomendo-lhes, irmos [...] que se unam a mim em minha luta" (v. 30-33). (Idem) (4). Ademais, a motivao 
missionria de Paulo no era determinada somente por convices teolgicas e escatolgicas, como sugere o Dr. Nicodemus (1997, pp. 5-21), ou apocalpticas, como 
pretende o Dr. Carriker (1998, pp. 124-148), mas que, alm disso, o apstolo possua o corao inflamado de paixo e amor pelos perdidos (5).  Como resultado do 
amor de e a Cristo, Paulo amava os perdidos (Cf. 2 Co 5.14; Rm 1.5; 9.3; Ef 3.1; Fp 3.7; 1 Ts 1.5; 2 Tm 2.10). O amor tornava Paulo afetuoso e caloroso em sua evangelizao 
(PACKER, Evangelizao e Soberania de Deus, 1990, p. 38). Escrevendo aos tessalonicenses o apstolo dizia que "... nos tornamos dceis entre vs...". E ainda, "assim, 
querendo-vos muito, estvamos prontos a oferecer-vos no somente o evangelho de Deus, mas, igualmente, a nossa prpria vida, por isso que vos tornastes muito amados 
de ns" (1 Ts 2.7,8). O amor tambm fazia Paulo ter sensibilidade, sendo capaz de adaptar-se s circunstncias em sua evangelizao; embora se recusasse terminantemente 
a alterar sua mensagem para agradar as pessoas (cf. 2 Co 2.17; Gl 1.10; 1 Ts 2.4), ele se esforava ao mximo, em sua apresentao da mesma, para evitar escndalo 
e no dificultar desnecessariamente o caminho para aceitao e resposta positivas (cf. 1 Co 9.16-27; 10.33). Segundo Packer,

Paulo procurava salvar os homens e, visto que procurava salv-los, no se contentava apenas em inform-los sobre a verdade; mas empenhava-se em se pr ao lado deles, 
comeando a pensar juntamente com eles, a partir de onde se encontravam, falando-lhes em termos que podiam compreender e, acima de tudo, evitando tudo quanto pudesse 
faz-los adquirir preconceitos contra o evangelho ou pr pedras de tropeo em seu caminho. Em seu zelo por manter a verdade, nunca perdeu de vista as necessidades 
e reivindicaes das pessoas. Seu alvo e objetivo, em todas as suas atividades no evangelho, at mesmo no calor da polmica evocada por pontos de vista contrrios, 
nunca deixou de ser conquistar almas, convertendo aqueles que considerava seus prximos  f no Senhor Jesus Cristo.

Tal era a evangelizao, de acordo com Paulo: sair em amor, como agente de Cristo no mundo, a fim de ensinar aos pecadores a verdade do evangelho, tendo em vista 
a converso e a salvao dos mesmos (Evangelizao, 1990, p. 38).

b. As estratgias missionrias de Paulo

As estratgias missionrias de Paulo eram o resultado direto e natural de suas motivaes. Dentre os vrios meios utilizados por Paulo para divulgar o evangelho 
(6), destaquemos os mais utilizados pelo apstolo; a saber, a escolha de centros estratgicos e as sinagogas.

Paulo percorria as estradas romanas anunciando o evangelho e fazendo discpulos nas principais cidades das provncias imperiais, verdadeiros centros estratgicos. 
Ele concentrava suas atividades nesses locais, tornando o que outrora eram campos missionrios em bases de sua misso. Tessalnica, por exemplo, tornou-se a base 
missionria para a provncia da Macednia; Corinto a base para a provncia da Acaia; feso a sua base para a sia proconsular. A igreja de Roma tambm seria uma 
possvel base para a evangelizao na Espanha (cf. Rm 15.24). Quando voltamos nossos olhos para o livro de Atos (7), percebemos que os missionrios daquela poca, 
de modo geral, e Paulo, em especial, concentravam seus esforos geralmente naqueles centros estratgicos do ponto de vista cultural, econmico, religioso, poltico 
e geogrfico at. Embora no caso deste ltimo a estratgia de trabalho de Paulo no era tanto geogrfica quanto humana ou cultural, no sentido de etnias (8).

O Dr. Timteo Carriker faz uma importante observao acerca dos centros estratgicos de Paulo. Diz ele:

Paulo procurava atingir primeiro os centros provinciais que no eram evangelizados na sua misso. Isto era uma estratgia do "quadro geral" e no dos detalhes, isto 
, no de todo e qualquer lugar. Ele no tentava evangelizar o mundo gentlico totalmente, mas contava com a obra evangelizadora das comunidades que ele estabeleceu 
para continuar a misso. Ele mesmo se apressava para a tarefa urgente de pregar o evangelho para aqueles que no o ouviam (Romanos 10.14). Sua perspectiva era de 
"preencher" ou "completar" os principais lugares que faltavam no mundo gentlico e prosseguir em frente [veja peplrkenai em Romanos 15.19] (Misso Integral, 1992, 
pp. 235,6).

As sinagogas judaicas tambm faziam parte das estratgias missionrias de Paulo. Roland Allen (9) reconheceu quatro caractersticas da pregao de Paulo nas sinagogas. 
Em primeiro lugar,  possvel ver em Paulo a simpatia e a conciliao com as sensibilidades dos ouvintes: a apresentao  clara, ele est disposto a aceitar o que 
h de bom na posio deles, simpatiza com suas dificuldades, mostrando que ele os aborda com sabedoria e tato. Em segundo lugar, ele tem coragem de reconhecer abertamente 
as dificuldades, de proclamar verdades no muito fceis de engolir, e de recusar-se inapelavelmente a fazer coisas difceis parecerem fceis. Em terceiro lugar, 
vem o respeito por seus ouvintes, suas capacidades intelectuais e suas necessidades espirituais. Em quarto lugar, h uma confiana inabalvel na verdade e no poder 
do evangelho. No estaremos longe da verdade ao supormos que estas eram caractersticas tpicas da pregao na sinagoga, nos primeiros tempos da misso, em que as 
oportunidades ainda estavam abertas. Os missionrios cristos aceitavam com gratido esta oportunidade de falar a Israel, nas trs primeiras dcadas decisivas antes 
que a porta das sinagogas lhes fossem fechadas (GREEN, Evangelizao, 1989, p. 240).

Mas por que ser que o apstolo Paulo priorizava as sinagogas judaicas como parte de sua estratgia? Antes de tudo  preciso lembrar que Paulo era essencialmente 
um apstolo enviado por Cristo aos gentios. Na poca de sua converso no caminho de Damasco, o Senhor Jesus disse que o livraria "dos gentios, para os quais eu te 
envio" (At 26.17). Entre os apstolos ficou acertado que Tiago, Pedro e Joo iriam para a circunciso (judeus) e ele, Paulo, "para os gentios" (Gl 2.9). Entre Pedro 
e Paulo, por exemplo, havia uma conscincia marcante da misso deles aos judeus e gentios, respectivamente (Gl 2.7,8).

Em quase toda sinagoga judaica existiam, alm de judeus  claro, dois grupos distintos de gentios. O primeiro grupo era formado pelos denominados "proslitos", isto 
, gentios convertidos ao judasmo. Os homens eram circuncidados, concordavam em obedecer a lei e guardar o sbado, faziam peregrinaes a Jerusalm, e da em diante 
no eram mais gentios, e sim judeus.
O segundo grupo de gentios que normalmente freqentava a sinagoga era formado pelos "tementes a Deus". Eram apreciadores da lei e do ensinamento judaicos, mas por 
uma srie de razes pessoais achavam por bem no se desvincular de suas razes gentlicas, como os proslitos, para se tornarem judeus. Todavia, eles freqentavam 
a sinagoga regularmente, ainda que tivessem que ficar na parte que lhes era reservada, no lhes sendo permitido a participao completa dos cerimoniais litrgicos. 
Em suma, enquanto os "proslitos" eram ex-gentios, os "tementes a Deus" ainda eram gentios. E embora Paulo tivesse o que dizer aos trs grupos que freqentavam a 
sinagoga, seu objetivo principal era converter os gentios que l estavam, os tementes a Deus (10).

A estratgia de um homem como Paulo era basicamente simples: ele s tinha uma vida, e estava decidido a us-la o mximo possvel, tirando dela o melhor proveito 
no servio de Jesus Cristo. Sua viso era ao mesmo tempo pessoal, urbana, provincial e global (GREEN, Evangelizao, 1989, p. 318). 

1.2. As misses de Paulo
A obra missionria de Paulo  vastssima, quer seja compreendida no tanto de trabalho que ele realizou, quer seja no aspecto do prprio conceito de misses que o 
apstolo tinha. Para Paulo misses no era proclamao fria, automtica e desencarnada. Era, antes de tudo, proclamao compromissada, significando a manuteno 
daqueles aos quais ele alcanou mediante a pregao e ensino do evangelho. Misses em Paulo no era mero espiritualismo, mas pura encarnao. Ele se preocupava com 
o ser humano em sua totalidade. Um bom exemplo disso est em ele no se esquecer dos pobres (cf. 2 Co 8; Gl 2.10). Sua misso era fazer "misso integral", no sentido 
em que essa expresso  usada na missiologia contempornea.

Neste tpico nos limitaremos s misses pelas quais Paulo  mais conhecido e atravs das quais ele deu forma ao seu ministrio e de onde produziu suas epstolas 
inspiradoras, isto , suas viagens missionrias, conforme registradas em Atos (11) e em seu testemunho de Romanos 15.

a. A primeira viagem missionria de Paulo
Obedecendo  direo divina e sob os auspcios da igreja de Antioquia, o apstolo iniciou sua primeira viagem missionaria entre 45 e 50 A.D. Com Paulo estavam Barnab 
e Joo Marcos. Partiram de Antioquia para Selucia, situada na foz do Orontes e dali para Chipre, terra de Barnab. Desembarcando em Salamina, na costa de Chipre, 
comearam a trabalhar, como de costume, nas sinagogas. Percorreram toda a ilha at chegarem a Pafos, na costa sudoeste. Neste lugar despertaram a ateno de Srgio 
Paulo, procnsul romano. Saiu-lhes ao encontro um feiticeiro chamado Barjesus, tambm conhecido por Elimas o mago, que opondo-se a Paulo procurava Desviar a ateno 
do procnsul (At 13.6, 7). Paulo resistiu-lhe indignado e repreendeu-o severamente, ferindo-o temporariamente com cegueira. Resultou disto a converso de Srgio 
Paulo (At 13.12). Partindo de Chipre navegaram para a sia Menor e chegaram a Perge na Panflia. Ali Marcos, por motivos ignorados, deixou seus companheiros e regressou 
a Jerusalm. Os dois, Paulo e Barnab, saram de Perge, rumo ao norte, passando por Frgia e indo at Antioquia da Pisdia. Ali o povo da cidade, incitados pelos 
judeus, levantou-se contra Paulo e Barnab e os expulsaram (At 13.50). De Antioquia passaram a Icnio, outra cidade da Frgia, onde uma copiosa multido de judeus 
e gregos foram convertidos (At l3.51). Por causa da perseguio dos judeus, partiram de Icnio para Listra e Derbe, cidades da Licanica (At 14.1-7). Em Listra Paulo 
curou um coxo, foi adorado juntamente com Barnab, pregou o evangelho, foi apedrejado e lanado fora da cidade como morto (At 14.8-19). Restabelecido vo a Derbe, 
de Derbe a Listra, de Listra a Icnio, de Icnio a Antioquia da Pisdia, fortalecendo os discpulos e elegendo presbteros. Atravessando a Pisdia, passam pela Panflia 
e Perge. Tendo anunciado a Palavra em Perge, desceram a talia e dali navegaram para Antioquia da Sria (At 14.20-26).

b. A segunda viagem missionria de Paulo

Tempos depois, por volta do ano 50, Paulo props a Barnab uma segunda viagem missionria (At 15.16). Mas o apstolo no queria que Joo Marcos fosse com eles, o 
que provocou a separao dos dois grandes missionrios da Igreja Primitiva. Silas foi o companheiro de Paulo nessa segunda viagem. Primeiro visitaram as igrejas 
da Sria e da Cilcia; depois passaram para os lados do norte, atravessaram as montanhas do Tauro e passaram s igrejas que Paulo havia fundado na sua primeira viagem. 
Foram a Derbe e a Listra. Nesta ltima cidade Timteo se juntou a eles. De Listra foram para Icnio e Antioquia da Pisdia. Aps alguns "impedimentos" do Esprito 
Santo (At 16.6,7), desceram a Trade, onde Paulo teve a viso do varo macednio. Obedecendo a este chamado, os missionrios vo, juntamente com Lucas, para a Europa. 
Desembarcando em Nepolis, seguem logo para a importante cidade de Filipos. Vale lembrar que Atos 16 e a carta de Paulo aos filipenses formam um dos mais belos retratos 
de sua missiologia. De Filipos, onde Lucas ficou, Paulo, Silas e Timteo foram para Tessalnica, lugar em que alcanaram grandes resultados entre os gentios, fundando 
ali uma igreja (At 17.1-9). Por causa da perseguio dos judeus, os irmos enviaram Paulo para a Beria; deste lugar, aps valiosos resultados at mesmo dentro da 
sinagoga, seguiu para Atenas (At 17.10-15), cidade onde Paulo proferiu seu famoso discurso, mas com poucos resultados (At 17.16-31). Depois partiu para Corinto, 
onde ficou dezoito meses e, ao contrrio de Atenas, os resultados foram admirveis (At 18.1-11). A misso de Paulo em Corinto foi uma das mais frutferas da histria 
da Igreja Primitiva. De Corinto foi para feso, ficando pouco tempo, seguiu para Cesaria, indo apressadamente para Jerusalm. Havendo saudado a igreja desta cidade, 
voltou a Antioquia, de onde havia partido (At 18.22).

c. A terceira viagem missionria de Paulo

Depois de algum tempo em Antioquia, o apstolo Paulo, talvez no ano 54 A.D., deu incio  sua terceira viagem missionria. Primeiro atravessou a regio da Galcia 
e da Frgia, afim de fortalecer os discpulos (At 18.23); depois vai a feso, capital da sia e uma das cidades de maior influncia no oriente. Paulo permaneceu 
trs anos em feso (At 20.31). Durante trs meses ensinou na sinagoga e, depois, durante dois anos na escola de Tirano (At l9.8-10). Seu trabalho nesta cidade notabilizou-se 
pela riqueza de instruo (At 20.18-31), pela realizao de milagres (At 19.11,12), pelos resultados obtidos, porque todos os que habitavam na sia ouviram o evangelho 
(At 19.10) e pelas constantes perseguies (At 19.23-40). De feso partiu para a Macednia, e depois de fortalecer os discpulos com muitas exortaes, viajou para 
a Grcia, onde permaneceu trs meses (At 20.12).

Agora iniciaria sua ltima viagem a Jerusalm, acompanhado de amigos, representantes das vrias igrejas dos gentios (At 20.4). Seu plano inicial era navegar diretamente 
para a Sria, mas uma conspirao dos judeus o obrigou a voltar pela Macednia (At 20.3). Demorou-se em Filipos enquanto seus companheiros foram para Trade. Depois 
da festa da pscoa Paulo foi com Lucas para Trade (At 20.5), onde os companheiros os esperavam e ali ficaram uma semana (At 20.6). De Trade Paulo viajou para Asss 
(At 20.13). Depois de uma rpida passagem por Mitilene e Samos, Paulo e mais alguns amigos chegaram a Mileto (At 20.14, 15). De Mileto mandou chamar os presbteros 
de feso, e naquele local  registrado um dos episdios mais emocionantes da Bblia (At 20.17-38). Partindo de Mileto o navio seguiu diretamente para a ilha de Cs 
e no dia seguinte chegaram a Rodes. De Rodes passaram a Ptara, nas costas da Lcia (At 21.1). Achando um navio que ia para a Fencia embarcaram, e seguindo viagem 
passaram por Chipre, desembarcando em Tiro (At 21.2, 3) ficando durante 

sete dias nesta cidade. De Tiro partiram para Ptolemaida (At 21.5,6) e no dia seguinte, aps afetuosa despedida, chegaram em Cesaria. A despeito de alarmantes predies 
e das lgrimas dos irmos para que no fosse a Jerusalm (At 21.4, 10-12), Paulo seguiu em frente e assim, acompanhado dos irmos, terminou a terceira viagem missionria 
(At 21.12-15).

d. As "viagens"  Roma e  Espanha

Escrevendo aos crentes de Roma, Paulo observa que durante anos se esforou em pregar o evangelho "desde Jerusalm e circunvizinhanas, at o Ilrico" (Rm15.19). 

Mas agora, no tendo j campo de atividade nestas regies, e desejando h muito visitar-vos, penso em faz-lo quando em viagem para a Espanha, pois espero que de 
passagem estarei convosco e que para l seja por vs encaminhado, depois de haver primeiro desfrutado um pouco a vossa companhia (Rm 15.23,24).

Carlos Del Pino (In Misses e a igreja brasileira, 1993, p. 58) comenta que em Romanos 15.22-24 todo esforo, a viso e o investimento de vida do apstolo durante 
anos naquelas regies o levaram a duas atitudes especficas em relao aos romanos. Segue-se abaixo um esboo de Del Pino dessas atitudes de Paulo: 

1. No visitar os romanos (15.22). E o prprio Paulo nos d suas razes para isso:

O evangelho j havia se estabelecido em Roma, j havia igreja l. E, de acordo com o que ele mesmo disse no v. 20, no seria conveniente que ele, Paulo, exercesse 
seu ministrio ali; 

Muitos outros povos ainda careciam de receber o evangelho e Paulo via-se impulsionado por fora do ministrio recebido de Deus, para trabalhar em regies ainda no 
atingidas. 

2. Visitar os romanos (15.23,24). Agora Paulo tinha razes para visitar os romanos.

So elas: 

Trmino das atividades naquelas regies; novos lugares precisam ser alcanados (15.23); 

Desejo antigo de conhecer a igreja romana (15.23); 

Devido a sua viso de alcanar novos povos, esta visita no seria para lazer, mas para estabelecer na igreja em Roma uma base missionria para o Ocidente at a Espanha 
- "para l ser por vs encaminhado" (15.24,28). 

Mas por que Paulo no tinha mais campo de atividades naquelas regies? O que ele fazia l para que tenha terminado o seu trabalho? Del Pino lembra que 

Paulo proclamava o evangelho naquelas regies. O que ele est dizendo no v. 23  que houve o cumprimento de um ministrio especfico por uma pessoa especfica (Paulo). 
No significa que ningum mais teria nada para fazer ali; ao contrrio, muito trabalho ainda havia para ser feito, tanto de evangelismo quanto de ensino, exortao 
etc. Outros poderiam e deveriam continuar ali exercendo seus ministrios, mas aquilo para o que Paulo havia sido chamado por Deus j havia se completado naquelas 
regies. Isso tambm no significa que o ministrio de Paulo em si houvesse terminado por completo, tanto que ele buscava uma nova regio onde pudesse desenvolv-lo. 
O que o apstolo fez "desde Jerusalm e circunvizinhanas at ao Ilrico", que foi "pregar o evangelho" (15.20), era exatamente o que ele pretendia continuar fazendo, 
em seguida, na Espanha. Para isso, ele precisava de uma nova base de misses: a igreja em Roma! (1993, p. 59).

E mais:

Para tratarmos sobre esta nova base de misses, precisamos entrar no v. 24. Aqui Paulo revela claramente seus propsitos e seus meios. Veja bem, o propsito final 
de Paulo, seu objetivo real, no era apenas conhecer a igreja de Roma. Isso ele poderia ter feito em outras circunstncias. Seu objetivo final era chegar  Espanha. 
Este objetivo reflete o esforo de Paulo (15.20) e sua vocao (15.21), conforme j temos enfatizado. Ele pretendia chegar  Espanha para ali continuar desenvolvendo 
o seu ministrio; "de passagem" por Roma (15.24), ele esperava ir  Espanha, enviado pela igreja de Roma. Quando Paulo diz no v. 24 "para l seja por vs encaminhado", 
ele no apenas tinha em mente, mas estava claramente dizendo as coisas necessrias para a sua viagem e subsistncia l (1993, p. 59).

Paulo chegou em Roma por volta do ano 60 A.D. como prisioneiro (cf. At 27 e 28). Lucas relata que "por dois anos permaneceu Paulo na sua prpria casa que alugara" 
(At 28.30) com toda liberdade de receber a todos que o procuravam e de pregar o evangelho (At 28.30,31). Para quem pretendia apenas passar por Roma, e livre, dois 
anos, e preso, era tempo de mais. Aps esta sua primeira priso (domiciliar), o apstolo, entre outras viagens, provavelmente tenha chegado  Espanha (DEL PINO, 
1993, p. 59).

II - RELEVNCIA PARA O NOSSO POVO E IMPLICAES PARA A MISSO DA IGREJA

A sociedade brasileira carece de uma mensagem evanglica confrontadora. No que ela queira ser tocada em suas feridas, mas  luz da Bblia no podemos oferecer s 
pessoas um evangelho paliativo e barateado. O cristianismo puro e simples (para usar o ttulo em portugus do livro de C. S. Lewis) precisa ser a mensagem e o estilo 
de vida de todo homem e de toda mulher salvos em Cristo.

Em se tratando de evangelho para o povo brasileiro, a igreja evanglica, no raramente, tem ido ou para o extremo da mensagem desencarnada, distante da realidade 
cotidiana do povo, mediante a apresentao de um evangelho transcendente que alcana as estrelas mas esquece da terra; ou tem, por outro lado, oferecido Jesus Cristo 
s pessoas como se Ele fosse um produto de consumo a disposio nas prateleiras do mercado eclesistico. Apresenta-se Cristo no melhor dos estilos "fada madrinha". 
Em nome de Cristo promete-se ao povo casa, carro, dinheiro; enfim, toda sorte de prosperidade, sem contar a confuso que se faz entre as fraquezas e tristezas sentidas 
por algum em relao aos objetivos no alcanados por ele e a verdadeira convico de pecados. As pessoas no devem ser confrontadas em termos de "voc no conseguiu? 
Venha para Jesus que voc consegue", mas sim encaradas como pecadoras que precisam urgentemente da graa redentora.

Cremos sinceramente que Cristo pode dar tudo e at mais do que  prometido s pessoas em termos de prosperidade; porm, no podemos perder de vista as implicaes 
e exigncias do evangelho autntico.

Alm disso, a sociedade brasileira carece do evangelho que seja encarnado na vida dos crentes. Um cristianismo integral que seja a expresso de uma vida santificada 
e consagrada ao Senhor. Em outras palavras, a manifestao viva daquilo que dizemos acreditar.

Hoje em dia parece que virou moda e status ser crente. No meio artstico, por exemplo, ouve-se falar daquele e daquela como os mais novos irmos na f; entretanto, 
aqui e ali ficamos sabendo dos escndalos que esses "irmos" cometem. No negamos que haja converses de verdade entre os artistas, porm,  preciso que o quanto 
antes a pureza do evangelho, com todas as suas implicaes para a igreja e a sociedade, seja resgatada em nosso meio.  necessrio que "o sal da terra" e "a luz 
do mundo", a Igreja de Jesus Cristo, seja a verdadeira opo de vida, ou mais que isso, seja, de certo modo, o sentido da vida para todo aquele que perece em seus 
prprios pecados; a verdadeira diferena na vida de tantos que permanecem indiferentes. 

Que Deus nos ajude a comear em ns, nos impulsionando a pregar o evangelho como o fez com Paulo. O apstolo Paulo fazia do evangelho a razo de seu viver e de outras 
pessoas. Paulo  um exemplo fabuloso de compromisso com a verdade do evangelho. Ele nunca a comprometia. Podia como poucos ser imitado como imitador de Cristo (1 
Co 11.1). Acredito que no seria exagero de minha parte dizer que Paulo alcanou mais pessoas para Cristo por sua vida de dedicao e seriedade ao reino de Deus 
do que em suas pregaes propriamente ditas. Semelhantemente o povo brasileiro precisa ver na igreja de hoje pessoas que vivam o que dizem crer. A prtica  a expresso 
do que acreditamos. Se no praticamos o que falamos, ento a nossa pregao no passar de retrica evanglica desqualificada.

III - CONCLUSO

A perspectiva missionria de Paulo era "preencher" ou "completar" os principais lugares que faltavam no mundo gentlico e continuar seguindo em frente, motivado 
por uma teologia pastoral de vida, pela esperana escatolgica do retorno imediato de Cristo e por seu amor aos perdidos como resultado do seu amor por Jesus, com 
estratgias missionrias bem definidas. Valeria a pena seguirmos o apstolo com essa mesma perspectiva missionria? Certamente que sim. Pois  nesse contexto de 
misso que o intrpido sede meus imitadores como eu sou de Cristo encontraria, aqui, a sua melhor e mais completa aplicao. Se a igreja hoje imitasse Paulo como 
ele imitava Cristo, misses seriam o nosso maior projeto de vida. 

BIBLIOGRAFIA SELECIONADA

BALL, C. F. The life and journeys of Paul. Chicago: Moody Press, 1975.

CARRIKER, C. T. A missiologia apocalptica da carta aos Romanos: Com nfase em 15.14-21 e 9-11 In Fides Reformata. Vol. III, N 1, So Paulo: JMC, 1998.


______________ Misses na Bblia: Princpios gerais. So Paulo: Vida Nova, 1992.

______________ Misso integral: Uma teologia bblica. So Paulo: Sepal, 1992.

DAVIS, J. D. Paulo In Dicionrio da Bblia. 2. ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1960.

DODD, C. H. The meaning of Paul for Today. London and Glasgow: Fontana Books, 1958.

GREEN, M. Evangelizao na igreja primitiva. 2. ed. So Paulo: Vida Nova, 1989.

KSEMANN, E. Perspectivas paulinas. So Paulo: Paulinas, 1980. 

LOPES, A. N. Paulo, plantador de igrejas: Repensando fundamentos bblicos na obra missionria In Fides Reformada, Vol. II, N 2, So Paulo: JMC, 1997.

MILLER, D. G. Pauline motives for the christian mission In The theology of the christian mission. New York: McGraw-Hill, 1961.

NICHOLS, R. H. Histria da Igreja Crist. 6 ed. So Paulo: CEP, 1985.

TAYLOR, W. M. Paul the missionary. New York and London: Harper & Brothers publishers, 1902.

VON EICHEN, E. & LINDER, H. Apstolo In Dicionrio internacional de teologia do Novo Testamento. Vol. I, So Paulo: Vida Nova, 1984.

NOTAS
(1) Para uma explanao completa destes trs pontos veja, no referido artigo do Dr. Nicodemus, as pginas 7 a 12.

(2) Veja mais sobre o conceito de teologia paulina na concluso do artigo do Dr. Carriker, p. 148. E ainda, do mesmo autor, Misses na Bblia: Princpios Gerais 
(1992, pp. 47-54). 

(3) Veja GREEN (Evangelizao na Igreja Primitiva, 1989, p. 7). 

(4) Para a exposio completa dessas partes, veja Escobar (1997, pp. 89-103). Para um estudo interessante de Romanos 15.20-24, com nfase na Igreja brasileira, consulte 
Carlos Del Pino (In Misses e a igreja brasileira, 1993, pp. 55-61). E para uma anlise exegtica de Romanos 15.14-21 veja Carriker (1998, pp. 124-140).

(5) Uma excelente anlise da teologia de misses de Paulo, suas motivaes teolgicas e missionrias, incluindo sua paixo e amor pelos perdidos, pode ser encontrada 
em James I. Packer (1990, pp. 31-57), D. G. Miller (1961, pp. 72-84) e Michael Green (1989, pp. 289-312).

(6) Estudos importantes sobre as diversas estratgias missionrias de Paulo podem ser vistos na literatura missionria e evangelstica de T. Carriker (1992, pp. 
233-238), M. Green (1989, pp. 313-330) e C. Fbio (In Plantando igrejas no Brasil, pp. 103-121), entre outros.

(7) Um estudo das estratgias missionrias de Paulo em Atos dos Apstolos, com aplicao para os nossos dias, pode ser encontrado no livro Plantando Igrejas no Brasil: 
"Anais da I Conferncia Missionria para Plantadores de Igrejas". So Paulo: Cultura Crist,1997, pp. 81-140.

(8) Veja T. Carriker (Misso Integral, 1992, p. 51).

(9) Citado por M. Green (Evangelizao, 1989, p. 241).

(10) Veja GREEN (Evangelizao, 1989, pp. 239-241). 

(11) Mesmo em termos das viagens missionrias de Paulo em Atos dos Apstolos, muita coisa os eruditos disseram e tm a dizer. Nosso propsito aqui  dar apenas um 
resumo dessas viagens conforme registradas em Atos. Como uma anlise histrica, teolgica e exegtica das viagens missionrias de Paulo tornaria este trabalho muito 
maior do que j se encontra, recomendamos, para este fim, que se consulte o excelente comentrio bblico de Simon J. Kistemaker (New Testament commentary: Exposition 
of the Acts of the Apostles. Grand Rapids: Baker Book House, 1990, pp. 451-969).

(12) Em portugus um dos melhores comentrios bblicos  Atos: Introduo e Comentrio de Howard Marshall (Vida Nova/Mundo Cristo, 1985), mas infelizmente no  
to exegtico e profundo como o livro do Dr. Kistemaker.
Parte V
A PERSPECTIVA MISSIONRIA DE PAULO - I
I - Introduo 
A vida de Paulo  uma riqueza sem fim. Para qualquer aspecto do ministrio dele, que focalizarmos nosso olhar, no faltar material de pesquisa, seja para estud-lo 
como telogo, escritor, pastor e mestre, ou missionrio. Embora para este ltimo caso no exista, ainda, um bom acervo sobre a missiologia de Paulo, principalmente 
em portugus.  lamentvel, porque Paulo, o missionrio , com certeza, uma das facetas mais importantes do apstolo. No encontrei, em lngua portuguesa, um livro 
sequer com o ttulo de Paulo, o missionrio. Em ingls existe apenas (at onde temos conhecimento) o livro Paul the missionary, de William M. Taylor, publicado pela 
Harper & Brothers Publishers em 1902.  verdade que existem livros e artigos, tanto em portugus quanto em ingls (alguns deles so citados neste ensaio bblico-teolgico), 
que tratam da obra missionria de Paulo como um todo, porm, somente o livro de Taylor traz em sua capa um ttulo especfico. Neste meu estudo veremos como a teologia 
de Paulo subsidiava a sua misso e vice-versa. Mas qual era a natureza dessa teologia? Como era feita? Como o apstolo entendia a dinmica de sua misso no contexto 
de seu ministrio apostlico? Alm disso, quais eram as verdadeiras motivaes missionrias dele? Eram to somente teolgicas, apocalpticas e escatolgicas ou envolviam 
mais alguma coisa? E quanto  estratgia de trabalho, o apstolo possua alguma? Qual? Enfim, qual era a perspectiva missionria de Paulo?

A estas e outras perguntas tentaremos responder no decorrer deste estudo.

II - Estudo Gramatical

A palavra "missionrio" no aparece na Bblia. O termo equivalente no Novo Testamento  "apstolo". Entretanto, no existe unanimidade entre os estudiosos quanto 
ao uso de apstolos como sinnimo para "missionrio". Everett Harrison (In EHTIC, 1988, p. 104), por exemplo, observa que no h justificativa para fazer de "apstolo" 
o equivalente de missionrio. Johannes Blaw (A Natureza Missionria da Igreja, 1966, pp. 77,8), por sua vez, reconhece que originalmente os termos "apstolo" e "missionrio" 
no eram sinnimos, mas depois houve uma mudana. Diz ele:

Antes de mais nada deve ficar entendido que a palavra "apstolo", na sua origem e significao, no  sinnima de "missionrio", no sentido comumente atribudo a 
este ltimo termo. (...). S depois da ressurreio (de Cristo) o ttulo "apstolo" toma a conotao especial de "missionrio", de enviado s partes extremas da 
terra.

Concordamos com Blaw e, principalmente, com Timteo Carriker (Misses na Bblia, 1992, p. 120), por afirmar: O termo missionrio vem do latim, que, por sua vez, 
traduz a palavra grega apostolos, a qual significa o enviado (1).

2.1 O significado amplo de apstolos

a. No grego clssico
No grego clssico, o substantivo apstolos aparece pela primeira vez na linguagem martima, significando um navio de carga ou a frota enviada. Mais tarde passou 
a designar o comandante de uma expedio naval e tambm um grupo de colonizadores enviados para alm-mar. Nos papiros podia designar uma fatura, ou mesmo um passaporte. 
Somente em duas passagens em Herdoto  que apstolos significa um enviado ou emissrio como pessoa individual. Os termos comuns so aggelos (mensageiro) ou keryx 
(arauto). O historiador Flvio Josefo usou apstolos ao tratar de um grupo de judeus enviados para Roma (Ant. In NDTNT, p. 234). 

Todos os empregos de apstolos no grego clssico tm duas idias em comum. 1) Uma comisso expressa e 2) Ser enviado para alm-mar. Assim, conforme lembram Eicken 
e Lindner, o sentido da raiz, no caso do substantivo,  estreitado na sua definio (In DITNT, 1984, p. 234).

Acredita-se (2) que foi somente mais tarde, nos crculos gnsticos, que o termo apstolos passou a transmitir o conceito oriental de emissrios como mediadores da 
revelao de Deus. No gnosticismo o termo em questo podia ser empregado no singular (apstolos) para se referir a um salvador celestial, ou no plural (apostoloi), 
para representar certo nmero de pessoas "salvadoras" ou "espirituais" (EICKEN & LINDNER, In DITNT, 1984, pp. 234,5).

b. Na LXX
Na Septuaginta (LXX), a verso grega do Antigo Testamento hebraico, o termo "apstolo" no era usado no sentido tcnico de designar algum para um ofcio "missiolgico", 
mas sim, uma nomeao para se cumprir qualquer funo ou tarefa que normalmente se definia com clareza. Isto explica, de certa forma, porque o verbo apostlloo e 
no o substantivo apstolos  empregado quase que exclusivamente no AT. O verbo apostlloo no se encontra no Antigo Testamento no sentido de "ser enviado" para 
fazer misses, conforme aparece no Novo Testamento. O judasmo no conhece misses no sentido de oficialmente enviar missionrios (Eicken e Lindner, In DITNT, 1984, 
p. 235). Isto no quer dizer que a Bblia deixe de reconhecer a idia de misses no Antigo Testamento. O que ocorre  que existe entre o AT e o NT, no que concerne 
 obra missionria, uma diferena de grau e nfase, mas no de essncia ou natureza da misso (3).

b. No Novo Testamento

Ao contrrio da LXX, no Novo Testamento o substantivo apstolos recebe uma nfase toda especial. Aparece 6 vezes em Lucas, 28 em Atos, 34 em Paulo, uma vez em Hebreus, 
3 vezes em Pedro, uma vez em Judas, 3 vezes em Apocalipse. Mateus, Marcos e Joo empregam a palavra uma vez cada em seus respectivos evangelhos. No NT, um apstolo 
(no sentido tcnico como o termo era usado, isto , um enviado de Deus para anunciar as boas novas de salvao) era algum que no s tinha visto o Senhor ressuscitado, 
mas que devia ser capaz de afirmar, fundamentando a sua afirmao, que havia sido chamado e designado de modo especial, diretamente pelo prprio Senhor, para ser 
apstolo.

2.2. O significado restrito (4) de apstolos

a. "apstolos" em Paulo
Para Paulo, a vocao e comisso para o apostolado no eram atravs dos homens, "mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai" (Gl 1.1 cf. Rm 1.5; 1 Co 1.1; 2 Co 1.1). Tal 
comisso veio atravs de um encontro com o Senhor ressurreto (1 Co 15.7; Cl 1.16), que pessoalmente entregou a ele a mensagem do evangelho (1 Co 11.23; 2 Co 4.6; 
Gl 1.12). O apstolo pregou o evangelho a homens e mulheres como "embaixador" de Cristo (2 Co 5.20), no por capacidade inata do seu ser (2 Co 3.5), mas pela livre 
graa de Deus (1 Co 15.9,10; Ef 3.8).

No fica claro em Paulo a quem ele considerava apstolo.  evidente que ele se inclua no nmero deles, conforme afirma catorze vezes em suas epstolas. Pertenciam 
tambm ao grupo de apstolos, na opinio de Paulo, Pedro (Gl 1.18,19), Jnias, Andrnico (Rm 16.7) e Barnab (Gl 2.1,9,13). Alguns estudiosos, como D. Muller (In 
DITNT, 1984, p. 237), questionam se Paulo considerava Tiago, irmo do Senhor, como sendo apstolo, argumentando que a expresso ei me ("seno") de Glatas 1.19  
ambgua. Entretanto, Harrison (In EHTIC, 1988, p. 104) esclarece que: 

A explicao mais natural de Gl 1.19  que Paulo est esclarecendo que Tiago, o irmo do Senhor,  um apstolo, de conformidade com o reconhecimento que recebia 
da igreja de Jerusalm. Em harmonia com isto, em I Co 15.5-8, onde Tiago  mencionado, todos os demais so apstolos.

Curiosamente Paulo nunca aplica o ttulo de apstolo aos Doze como grupo especfico. Segundo D. Muller (In DITNT, 1994, p. 237), 

no podemos ter certeza de que as caractersticas que Paulo atribua aos apstolos so necessariamente aplicveis ao apstolo do NT propriamente dito, ou se Paulo 
considerava que os Doze fossem apstolos, e qual era o nmero dos apstolos nos dias de Paulo.

 evidente que no conceito amplo que Paulo tinha do termo apstolo, os Doze certamente estavam includos. Pelo menos em duas epstolas suas Paulo lana luz sobre 
esta questo. Em 1 Corntios 15.5,7 ele diz: E apareceu a Cefas, e, depois, aos doze. Depois foi visto por Tiago, mais tarde por todos os apstolos (grifo nosso). 
E em Glatas 1.18,19: Decorridos trs anos, ento subi a Jerusalm para avistar-me com Cefas, e permaneci com ele quinze dias; e no vi outro dos apstolos, seno 
a Tiago, o irmo do Senhor (grifo nosso).

b. Paulo como apstolo

Os aspectos distintos do apostolado de Paulo foram a nomeao direta dele por Cristo (GI 1.1) e a designao feita a ele do mundo gentio como sua esfera de trabalho 
(At 26.17,18; Rm 1.5; Gl 1.16; 2.8). Seu apostolado foi reconhecido pelas autoridades em Jerusalm, de conformidade com sua prpria reivindicao no sentido de ser 
classificado em p de igualdade com os primeiros apstolos. Apesar disso, nunca afirmou ser membro do grupo dos Doze (1 Co 15. 11), pelo contrrio, mantinha-se independente. 
Era capacitado para dar testemunho da ressurreio porque a sua chamada viera do Cristo ressurreto (At 26.16-18; 1 Co 9.1). Paulo considerava seu apostolado uma 
demonstrao da graa divina, bem como uma chamada  labuta sacrificial, ao invs de uma oportunidade para se vangloriar (1 Co 15.10). No dava nenhuma sugesto 
de que a posio especial de apstolo o exaltasse acima da Igreja e que o distinguisse dos demais que tinham dons espirituais (Rm 1.11, 12; 1 Co 12.25-28; Ef 4.11). 
Sua autoridade no se derivava de alguma qualidade especial nele (1 Co 3.5), mas do prprio evangelho, na sua verdade e no seu poder para convencer (Rm 1.16; 15.18; 
2 Co 4.2). Alm disso, o chamado e misso de Paulo estavam to ligados  sua vida, a ponto do apstolo designar o evangelho de "meu evangelho" (Rm 2.16; 16.25; 2 
Tm 2.8). Mas mesmo assim, procurava deixar claro quando estava dando a sua prpria opinio (Cf. 1 Co 7.10-12).

Se quisermos um quadro completo do que o Novo Testamento entende por misso e evangelismo, basta observarmos o relato do apstolo Paulo sobre a natureza de seu prprio 
ministrio de evangelizao (5).

III - Anlise Histrica

3.1. A pessoa de Paulo
O divisor de guas na vida de Paulo foi o seu encontro com Jesus no caminho de Damasco. A vida do apstolo, portanto, pode ser dividia em antes e depois de sua converso.

a. Seu passado
Antes da sua converso, Paulo era um judeu comprometido e zeloso com suas tradies. O orgulho de Paulo com a sua herana judaica (Rm 3.1,2; 9.1-5; 2 Co 2.22; Gl 
1.13,14 e Fp 3.4-6) o levou a perseguir a comunidade crist (Gl 1.13; Fp 3.6; 1 Co 15.8; v.t. At 8.1-3; 9.1-30).

Desde seu nascimento, por volta de 30 A.D., at seu aparecimento em Jerusalm como perseguidor dos cristos, h pouca informao sobre a vida de Paulo. Sabe-se pelo 
testemunho dele mesmo que era da tribo de Benjamim e zeloso membro do partido dos fariseus (Rm 11.1; Fp 3.5; At 23.6). Era cidado romano (At 16.37; 21.39; 22.25-28). 
Nasceu em Tarso, uma importante cidade localizada na Cilcia, na costa oriental do Mediterrneo, a norte de Chipre e um notvel centro de cultura e intelectualidade 
grega. 

Estudiosos, como E. E. Ellis (In NDB, 1986, p. 1217), supem que Paulo se tornou familiarizado com diversas filosofias gregas e cultos religiosos durante sua juventude 
em Tarso. Entretanto, Atos 22.3 parece indicar que Paulo apenas nasceu em Tarso e foi educado em Jerusalm. Eu sou judeu, nasci em tarso da Cilcia, mas criei-me 
nesta cidade e aqui fui instrudo aos ps de Gamaliel, segundo a exatido da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vs o sois 
no dia de hoje (grifo nosso).

Ainda jovem, Paulo recebeu autoridade oficial para dirigir uma perseguio contra os cristos, na qualidade de membro de uma sinagoga ou conclio do sindrio, conforme 
ele mesmo descreve em Atos 26.10 (e assim procedi em Jerusalm. Havendo eu recebido autorizao dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prises; 
e contra estes dava o meu voto, quando os matavam) e Atos 26.12 (Com estes intuitos, parti para Damasco, levando autorizao dos principais sacerdotes e por eles 
comissionado).

 luz da educao e preeminncia precoce de Paulo (cf. At 7.58; Gl 1.14), supomos que sua famlia desfrutava de alguma posio poltico-social. O acesso do sobrinho 
de Paulo entre os lderes de Jerusalm (At 23.16,20) parece favorecer essa suposio.

b. Sua converso
Apesar de no existir evidncias bblicas de que Paulo conheceu Jesus durante Seu ministrio terreno, seus parentes crentes (cf. Rm 16.7) e sua experincia com o 
martrio de Estvo (At 8.1) devem ter produzido algum impacto sobre ele. A pergunta, e principalmente a afirmao de Cristo ressurreto, conforme registrada em Atos 
26.14, d a entender isso. E, caindo todos ns por terra, discursa Paulo perante o rei Agripa, ouvi uma voz que me falava em lngua hebraica: Saulo, Saulo, por que 
me persegues? Dura coisa  recalcitrares contra os agrilhes.

O Dr. Timteo Carriker nos faz uma breve mas no menos importante observao quanto  converso de Paulo. Diz ele: 

A converso de Paulo no era resultado de grandes sentimentos de culpa pelo pecado, como tipificado na tradio luterana. Alguns (como K. Stendahl) at preferem 
falar dum "chamamento" em vez de converso, e observam que Paulo mesmo prefere esse primeiro termo. Dizem que Paulo no "mudou de religio", de judeu para cristo, 
mas que permaneceu judeu, qualificando sua f como a de um judeu cristo (Misso Integral, 1992, p. 226).

Apesar desta observao, o prprio Carriker admite que ainda prefere usar o termo "converso" para descrever o encontro de Paulo com Jesus, pois obviamente ele revisou 
radicalmente sua percepo sobre Jesus. Embora ele no tenha abandonado todos os elementos do judasmo, alguns pontos fundamentais foram completamente reformulados. 
E ainda: 

A sua experincia de converso provocou uma reviso radical no seu estilo de vida e na sua viso do mundo. Passou de principal perseguidor a principal protagonista 
do movimento cristo primitivo; de "zeloso pelas tradies dos nossos pais" a "apstolo dos gentios" (Misso Integral, 1992, p. 226).

Estou de pleno acordo com o autor.
Vale lembrar, ainda, que os trs relatos da converso de Paulo (Atos 9, 22 e 26) so importantes no somente pelo significado da sua converso propriamente dita, 
mas tambm pela importncia de se entender a pessoa de Paulo acerca de sua unio com Cristo e de seu ministrio entre os gentios.

c. Seu ministrio
A partir do encontro com Jesus no caminho de Damasco, Paulo passaria de perseguidor a perseguido; de causador de sofrimentos a sofredor. 

O Senhor resumiria, ao relutante Ananias, o rduo ministrio de Paulo nesses termos: Vai, porque este  para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante 
os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome [At 9.15, 16] (grifo nosso).

 parte de um intervalo no deserto da Transjordnia, Paulo passou os trs primeiros anos de seu ministrio pregando em Damasco (At 9.19; Gl 1.17). Pressionado pelos 
judeus de Damasco, o apstolo fugiu para Jerusalm, onde Barnab o apresentou aos irmos duvidosos de sua converso (At 9.26-28). Seu ministrio em Jerusalm dificilmente 
durou duas semanas, pois novamente os judeus procuravam mat-lo (At 9.29). Para evit-los, Paulo retornou  cidade de seu nascimento (At 9.30), passando ali um "perodo 
de silncio" de cerca de dez anos. Certamente este perodo  silencioso apenas para ns, pois Barnab, ouvindo falar de sua obra e relembrando seu primeiro encontro 
com o apstolo, solicitou a este que fosse para Antioquia da Sria ajud-lo numa florescente misso entre os gentios (At 11.19-26). De Antioquia, Paulo e Barnab 
foram enviados para socorrer os irmos pobres da Judia (At 11.29,30). Os dois permaneceriam juntos at a primeira viagem missionria.

3.2. O mundo no tempo de Paulo
No tempo de Paulo trs povos contriburam significativamente para a expanso do mundo de ento, e em especial para a propagao do evangelho, a saber: os romanos, 
os gregos e os judeus.

a. O domnio romano
Uma das grandes contribuies de Roma nos tempos bblicos foi a Pax Romana. As guerras entre as naes tornaram-se quase impossveis sob a gide daquele poderoso 
imprio. Esta paz entre as naes favoreceu extraordinariamente a proclamao do evangelho entre os povos. Alm disso, a administrao romana tornou fcil e segura 
as viagens e comunicao entre as diferentes partes do mundo. Os piratas foram varridos dos mares e as esplndidas estradas romanas davam acesso a todas as partes 
do imprio. Essas estradas notveis realizaram naquela civilizao o mesmo papel das nossas estradas de rodagem e estradas de ferro da atualidade. E elas eram to 
bem vigiadas que os ladres desistiam de seus assaltos. De modo que as viagens e o intercmbio comercial tiveram um amplo desenvolvimento. NICHOLS comenta: 

 provvel que durante os primeiros tempos do Cristianismo o povo se locomovia de uma cidade para outra ou de um pas para outro, muito mais do que em qualquer outra 
poca, exceto depois da Idade Mdia. Os que sabem como as atuais facilidades de transporte tm auxiliado o trabalho missionrio, podem compreender o que significava 
esse estado de coisas para a implantao do Cristianismo (Histria da Igreja Crist, 1985, p. 7). 

Seria praticamente impossvel ao apstolo Paulo, e a outros de seu tempo, espalhar o evangelho mundo afora como o fizeram sem essa liberdade e facilidade de trnsito 
possibilitadas pelo imprio romano.

b. A influncia grega
Era tpico do imprio romano no influenciar na cultura dos povos conquistados, por isso, no incio da era crist os povos que habitavam as regies do Mediterrneo 
j haviam sido profundamente influenciados pelo esprito do povo grego. Colnias gregas, algumas das quais com centenas de anos, foram amplamente disseminadas ao 
longo da costa do Mediterrneo. Com seu comrcio os gregos foram em toda parte. A influncia deles espalhou-se e foi mais acentuada nas cidades e pases onde se 
estabeleciam os mais importantes centros do mundo de ento. A influncia dos gregos foi to poderosa que o perodo do domnio romano foi corretamente denominado 
de greco-romano. Quer dizer, Roma governava politicamente mas a mentalidade dos povos desse imprio tinha sido moldada fundamentalmente pelos gregos. 

Contudo, uma das maiores contribuies gregas para o advento do cristianismo foi a disseminao da lngua em que o evangelho seria pregado ao mundo pela primeira 
vez. Uma prova da extenso e da influncia do grego est no fato de que a lngua mais falada nos pases situados s margens do Mediterrneo era o dialeto grego conhecido 
por KOIN, o dialeto "comum". Era esta a lngua universal do mundo greco-romano, usada para todos os fins no intercmbio popular. Quem quer que a falasse seria entendido 
em toda parte, especialmente nos grandes centros onde o cristianismo foi primeiramente implantado. Os primeiros missionrios, como por exemplo Paulo, fizeram quase 
todas as suas pregaes nesta lngua e nela foram escritos os livros que vieram a constituir o nosso Novo Testamento.

c. O povo judeu
Os judeus prepararam o "bero" do cristianismo, por assim dizer. Primeiramente porque anteciparam a vida religiosa em que foram instrudos o Senhor Jesus, os cristos 
primitivos em geral e o apstolo Paulo em particular (At 23.6; 26.5). Alm disso, a expectativa messinica e a preservao do Antigo Testamento pelos judeus foram 
fundamentais para a confirmao do evangelho. Vale lembrar que muitos gentios eram proslitos ou simpatizantes do judasmo, o que acabou se tornando um meio para 
se alcanar estas pessoas. Era o costume de Paulo ir s sinagogas com o objetivo de evangelizar esses gentios.

Talvez a maior contribuio que o cristianismo recebeu veio por parte dos judeus da disperso. Esses judeus, espalhados pelo mundo em virtude dos cativeiros que 
sofreram, podiam ser encontrados em quase todas as cidades daquela poca. Em qualquer canto em que estivessem preservavam a religio judaica e estabeleciam suas 
sinagogas. Em muitos lugares realizavam trabalho missionrio ativo. Assim, ganhavam entre os gentios numerosos proslitos, tornando conhecidos os ensinamentos judaicos. 
A misso judaica foi uma precursora importante das misses crists porque espalhou, extensivamente entre os gentios, elementos bsicos essenciais tanto ao judasmo 
quanto ao cristianismo, como por exemplo a remisso de pecados na pessoa do Messias. Muitos gentios, pelo contato com os judeus, foram inspirados por essa expectao, 
ficando assim preparados para a aceitao de Cristo como o Salvador que havia de vir.

NOTAS
(1) Veja tambm a pgina 57 da mesma obra.
(2) Veja Eicken e Lindner (DITNT, 1984, p. 234,5).
(3) Para uma exposio abrangente sobre o contraste missionrio entre os dois testamentos veja, por exemplo, Johannes Blauw (A Natureza Missionria da Igreja, 1966, 
pp. 81-103). 
(4) "Restrito" em relao  Bblia como um todo.
(5) Para uma boa exposio teolgica da natureza da evangelizao de Paulo veja, de J. I. Packer, Evangelizao e Soberania de Deus, 1990, 85 pp.

Parte VI
A RELEVNCIA DA MISSIOLOGIA
Para a Educao Teolgica 
 Ao olharmos para a Igreja Evanglica Brasileira e o movimento missionrio atual, percebemos como ao longo dos anos teologia e misso tem andado por caminhos diferentes, 
completamente divorciados, assim proponho que em primeiro lugar pensemos sobre a relao existente entre a Missiologia e a Teologia.

Orlando Costas em seu ensaio sobre "Educao Teolgica e Misso"1 parte do principio de que a Misso  a me da Teologia, dizendo que isto pode ser afirmado pelo 
fato de que a "teologia nasce do movimento da Palavra do Deus vivente ao cruzar as mltiplas fronteiras da histria para criar uma nova humanidade." A misso  o 
meio pelo qual Deus faz nascer a Igreja, ela  resultado do esforo missionrio no somente de Deus ao enviar seu filho ao mundo como tambm do esforo de irmos 
de outros continentes que plantaram aqui a igreja.

A teologia nasce da necessidade desta igreja plantada, sob o poder do Esprito Santo, de ensinar os rudimentos da f, refletir critica e sistematicamente sobre si 
mesma e equipar os seus lderes para a obra do ministrio.

Em segundo lugar devemos pensar sobre a prtica ministerial que resulta de uma educao teolgica divorciada da missiologia.

Em seu ensaio "Missiologia e Educao Teolgica"2 Carlos Del Pino conclui dizendo que, "em termos gerais, a nossa educao teolgica no tem se preocupado com o 
aspecto missiolgico e missionrio na formao dos nossos alunos", reforando nossos temores de que o divorcio existente entre Teologia e Missiologia tem causado 
problemas para que a Igreja ganhe uma viso correta do ministrio integral saudvel.

Quero alistar aqui algumas implicaes prticas, que pr sua vez so prejudiciais para a Igreja, deste divorcio entre a Teologia e a Missiologia.

1. Surgem dificuldades para se identificar de maneira global a "obra de Deus", que acaba sendo confundida com a manuteno do status quo, considerando-se o preparo 
teolgico-pastoral mais importante do que o teolgico-missionrio, quando ele existe.
Dando a entender que o Reino de Deus est contido em uma estrutura eclesistica, que a todo custo deve ser mantida, e no no tempo, no espao e na histria.

2. As prioridades ministeriais so via de regra, voltadas para dentro, a fim de satisfazer todas as necessidades que foram criadas em nome de Deus dentro das estruturas 
eclesisticas e para-eclesisticas numa clara perspectiva centrpeta, ensimesmada, tratadas num mbito mais localizado, e em muitos casos preterindo-se de forma 
veemente as prioridades estratgicas da misso integral da Igreja. 

3. O treinamento dos obreiros sempre se torna diferenciado, pastores e missionrios no tem a mesma excelncia em seu preparo acadmico. Se for para pastorear em 
nossa estrutura, tem que ter curso Teolgico-pastoral, se  para ir ao campo missionrio...

Concluindo

Quero dizer que meu objetivo aqui  trazer a luz a importncia da Missiologia para a Educao Teologica. Ressaltando a relao estreita existente entre misso e 
teologia, entre a missiologia e nossas casas de profetas (instituies de ensino teolgico).

Seria interessante que ao longo de nossa caminhada estivssemos avaliando e refletindo sobre a nossa vocao enquanto Igreja, bem como sobre a nossa realidade de 
pas do terceiro mundo, das nossas igrejas e do mundo em que vivemos para formularmos um conceito mais integral da responsabilidade de Igreja enviada ao mundo com 
uma misso (Jo.20:21).

Programas de treinamento inter-disciplinares com certeza enriqueceriam a vida de pastores e missionrios formados em nossas escolas.

Projetos de cooperao em reas variadas tambm contribuiriam para que os alunos tivessem uma viso geral da obra de Deus, tanto com editoras, escolas, campos missionrios 
e etc. 

O desafio do ensino teolgico hoje no  simplesmente fazer com que as pessoas reflitam criticamente, mas  tambm o de preparar obreiros em geral com viso e habilidades 
tanto para pastorear numa igreja local dentro de sua prpria cultura, como em qualquer trabalho dentro de uma cultura diversa.

1Nuevas Alternativas de Educacion Teologica; Ensayos editados pr Ren Padilla; Nueva Creacion, Buenos Aires-Grand Rapids 1986

2Capacitando para Misses Transculturais; Revista Missiolgica da Associao de Professores de Misses no Brasil, Vol.1, n.2; 1995

Parte VII
A TEOLOGIA DE MISSES DOS SALMOS
consideraes gerais
 O presente estudo  uma tentativa de se mostrar que os salmos tm muito mais a oferecer que o uso litrgico em nossas igrejas. Existe uma perspectiva missionria 
nos salmos que muitas vezes passa despercebida por ns. Convido voc a repensar o livro dos Salmos e resgatar um de seus enfoques originais que era cantar louvores 
a Deus com todos os povos.

I - TTUL0 E DIVISES DO LIVRO DOS SALMOS

1.1. O ttulo do livro dos Salmos 

O ttulo original do livro dos Salmos  tehllim (louvores). A palavra portuguesa "salmos" deriva-se da LXX pela traduo do termo hebraico mismor, que significa 
"cntico acompanhado de instrumentos musicais". Outra palavra correlata  o verbo zamar_(cantar, cantar louvores, fazer musica). Ocorre apenas no piel, grau que 
expressa ao ativa intensiva no hebraico. Zamar_ cognato de zammeru "cantar", "tocar um instrumento".  usado apenas em poesia, quase exclusivamente nos Salmos. 
Termos como maskil_so desconhecidos (1).

1.2. As divises do livro dos Salmos

O livro dos Salmos compreende 150 cnticos divididos em cinco livros - Salmos 1-41, 42-72, 73-89, 90-106 e 107-150 - cada um terminando numa doxologia especial, 
sendo o Salmo 150 uma doxologia do saltrio todo. Como livro de louvores os salmos so caracterizados por seu testemunho devocional, composto  luz das atividades 
salvficas de Deus em Israel. Enquanto nos outros livros da Bblia geralmente  Deus quem fala s pessoas, indo ao encontro delas, nos salmos Deus "no" fala; as 
pessoas vo ao encontro Dele, com reverncia mas com muita espontaneidade. As experincias sentidas nos salmos transcendem as divisas do tempo, cultura e nacionalidade. 
Nos identificamos com as experincias dos salmistas e com eles compartilhamos nossas alegrias e tristezas na presena do Senhor.

II - ORIGEM E AUTORIA DOS SALMOS
2.1. A origem dos Salmos
Alguns estudiosos, como Georg Fohrer, afirmam que a maioria dos salmos foram compostos no perodo ps-exlico (2). Contudo, tanto a evidncia arqueolgica recente 
quanto a comparao literria indicam, em grande parte, uma datao do perodo de Davi e Salomo. Segundo Laird Harris, 

No parece existir prova positiva contra o ponto de vista tradicional de que a maior parte dos salmos foi escrita em torno do ano 1000 a.C., como a firmam as inscries. 
As novas provas derivadas dos pergaminhos do mar Morto descartam a idia de que a escritura de alguns salmos se estendeu at ao segundo sculo antes de Cristo, conforme 
o sustentaram alguns exegetas no passado (Bblia de Estudo Vida, 1984, p. 638). 

O Dr. Timteo Carriker (Misso Integral, 1992, p. 111) complementa, dizendo que alguns salmos (por exemplo, Salmo 48) podem ter tido origem no inicio da monarquia 
, e outros, no perodo do exlio (Salmo 137). Alguns podem ser mais recentes ainda (Salmos 105, 106 e 136), e outros podem ter origens mais antigas que o tempo de 
Israel, provindo de fontes pags.

Israel utilizou a mesma forma potica das culturas vizinhas, isto , o estilo, a estrutura, a rima e, freqentemente, at mesmo as mesmas figuras de linguagem a 
fim de efetuar uma comunicao familiar e compreensvel ao nvel popular. Todavia, rejeitou qualquer material que no coadunava com a f em Iahweh, e modificou outros 
materiais para exprimir as verdades de sua f (CARRIKER, 1992, pp. 113, 14).

2.2. A autoria dos Salmos

O livro dos Salmos  provavelmente o livro da Bblia com o maior nmero de autores.

Davi. Setenta e trs salmos, quase metade do saltrio, contm a expresso hebraica le Davi - "De Davi". Embora a preposio le_tenha uma variedade de significados 
("ao" ou "para o" mestre de canto, ou "De Salomo" nos ttulos dos Salmos 72 e 127), pouca dvida poderia haver de que neste contexto e em contextos anlogos, tenha 
o sentido do genitivo e de que este seja um genitivo de autoria. Isto est claro no ttulo mais amplo do Salmo 18.

O Antigo Testamento conserva outras poesias de Davi (2 Sm 1. 17-27; 23.1-7), o reconhece como o "mavioso salmista de Israel" (2 Sm 23.1) e como inventor de instrumentos 
musicais (Am 6.5). O Novo Testamento tambm reconhece o Davi histrico cujo "tmulo permanece entre ns at hoje" (At 2.29), conforme declarao de Pedro no dia 
de Pentecostes.

Salomo, filho de Davi, rei de Israel  o autor dos Salmos 72 e 127.Os filhos de Cor. Doze salmos (42-49, 84 e 85, 87 e 88) so atribudos a esta famlia levita, 
descendentes do lder rebelde com este nome, cujos filhos - para maior proveito nosso - foram poupados quando ele morreu por sua rebeldia (Nm 26.10,11). Uma parte 
desta famlia ficou sendo porteiros e guardas do templo (1 Cr 9.17ss; cf. Sl 84.10); outra parte, cantores e msicos do coro do templo fundado por Hem no reinado 
de Davi. Os levitas companheiros de Hem, Asafe e Jedutum (ou Et), dirigiam os corais tirados de dois outros cls da tribo de Levi (I Cr 6.31,33,39,44).

Asafe. Autor de doze salmos (50,73-83). Asafe era descendente de Grson, filho de Levi (1 Cr 6.39); nomeado pelos principais levitas como lder de msica, quando 
a arca foi transportada para Jerusalm (1 Cr 15.17,19). Davi o tornou lder da adorao cantada em coral (I Cr 16.4,5).

Hem. Salmo 88. Hem foi o fundador do coral conhecido como "os filhos de Cor". Era famoso pela sua sabedoria (1 Rs 4.3l).

Et. Salmo 89. Provavelmente  o mesmo Jedutum (Sl 39,62,77), que fundou um dos trs corais de Israel (cf. 1 Cr 15.19; 2 Cr 5.12).

Moiss. Salmo 90.

A LXX ainda atribui a Ageu e Zacarias a autoria de cinco salmos. Contudo, uma boa parte dos salmos so de autoria desconhecida.

III - A MISSIOLOGIA DOS SALMOS

Timteo Carriker diz que 

quando lembramos que, como poesia, orao e hinos, os salmos possuem uma qualidade altamente emotiva, ento reparamos especialmente os temas relacionados  esperana 
humana. Embora estes no esgotem os temas que os salmos elaboram, so especialmente significantes do ponto de vista missiologico (Misso Integral, 1992, p. 114).

3.1. Os principais temas dos Salmos

H trs temas principais nos salmos. Em primeiro lugar, um encontro pessoal com Deus envolvendo o princpio da Sua existncia real. Em segundo lugar, a importncia 
da ordem natural das coisas, envolvendo o princpio do poder criador, universal e sbio de Deus. Em terceiro lugar, um conhecimento consciente da histria, envolvendo 
o princpio da escolha de Israel para desempenhar um papel especial e benevolente entre os povos. Nos salmos (por exemplo 22.28; 24.1; 33.8; 47.8; 48.10; 66.7; 67; 
87; 93-100; 117) est claro que o trato de Deus com Israel est relacionado diretamente com todos os povos. Num salmo das naes como o Salmo 67, por exemplo, esta 
afirmao salta aos olhos. Israel cantava e orava: "Seja Deus gracioso para conosco e nos abenoe, e faa resplandecer sobre ns o seu rosto, para que se conhea 
na terra o teu caminho; em todas as naes a tua salvao" (Sl 67.1,2). A concluso  ainda mais gloriosa: "Abenoe-nos Deus, e todos os confins da terra o temero" 
(v.7). A bno de Deus para o povo de Israel era com propsitos missionrios. Os mesmos propsitos missionrios de Deus para Israel podem ser claramente vistos 
no Salmo 117 e nos salmos que mencionamos acima. 

As naes foram criadas por Deus (Sl 86.9) e convidadas, mediante Israel, a louvar o Deus de toda terra. Israel pecou em no cumprir a contento a sua misso. Entretanto, 
Davi tinha uma concepo profunda de misses. Ele compreendeu o propsito missionrio de Deus para os povos quando enfrentou Golias. Disse ele: "Hoje mesmo o Senhor 
te entregar na minha mo; ferir-te-ei, tirar-te-ei a cabea e os cadveres do arraial dos filisteus darei hoje mesmo s aves dos cus e as bestas-feras da terra; 
e toda terra saber que h Deus em Israel" (1 Sm 17.46). Esta conscincia missionria de Davi marcou significativamente alguns de seus salmos (Sl 66.1,4,7,8; 72.11,17; 
86.9; 96.3; 98.2,4; 117.1), como de outros salmistas tambm.

3.2. O contedo e as implicaes missionrias dos Salmos 

Como poesia, orao e hinos, os salmos so especialmente significantes do ponto de vista missiolgico. A esperana religiosa  uma categoria escatolgica e, conseqentemente, 
os temas que eles (os salmos) contm exprimem uma esperana escatolgica e por isso so orientados em grande parte para o futuro. Estes temas so: a glria de Deus, 
o domnio universal de Deus, a esperana messinica, juzo e misericrdia (3).

Carriker, comentando acerca de seu estudo das implicaes missiolgicas dos salmos, observa:

 mister lembrar que as implicaes missiolgicas elaboradas atravs do nosso estudo so meramente sugestivas e representativas e de maneira alguma pretendem ser 
compreensivas e exaustivas. Uma teologia de misso, inclusive uma teologia bblica de misso, jamais  definitiva pois, enquanto o povo de Deus permanece com uma 
misso, uma tarefa de testemunho ao mundo, sempre e em todo lugar ter que repensar, atualizar e contextualizar a sua f em novas situaes e para novos desafios. 
No  que a f em si mude, mas a expresso adequada e efetiva dela (Misso Integral, 1992, p. 117) (4).

IV - RELEVNCIA PARA O NOSSO POVO 

A importncia de um estudo missiolgico dos salmos para o povo brasileiro consiste em sua mensagem de salvao e esperana, conforme exemplificamos acima. As pessoas 
sem Cristo vivem ou na apatia mrbida da desesperana ou no desespero insuportvel que leva ao caos e at mesmo ao suicdio. A pregao dos salmos deve ter em vista 
o contexto social do povo brasileiro, a fim de oferecer a ele a redeno do Messias salvador.

Estudar o livro dos Salmos missiologicamente  antes de tudo uma questo de justia para com a igreja, a sociedade e ao prprio livro dos Salmos. Na missiologia 
dos salmos precisamos compartilhar da esperana em Cristo e da companhia inspiradora do Deus que pode suprir todas as nossas necessidades (Sl 116.8). Cantemos os 
nossos belos salmos, aprendamos a orar com os salmistas, mas principalmente faamos de sua mensagem de salvao e esperana a razo de ser de nossa existncia no 
mundo. 

BIBLIOGRAFIA
ANDERSON, B. W. Out of the depths: The psalms speak for us today. Filadelfia: The Westminster Press, 1970.
ARCHER, Jr., G. L. Merece confiana o Antigo Testamento?. 3. ed. So Paulo: Vida Nova, 1984.
BARTON, W. E. The Psalms and their story: A study of the psalms as related to Old Testament history. Vol I. Boston and Chicago: The Pilgrim Press, 1898.
CARRIKER, C.T. Misso Integral: Uma teologia bblica. So Paulo: Editora Sepal, 1992.
GRONINGEN, G.V. Revelao Messinica no Velho Testamento. Campinas: LPC, 1995.
HARRIS, R. L. Salmos In BBLIA DE ESTUDO VIDA. So Paulo: Editora Vida, 1984.
KIDNER, D. Salmos: Introduo e Comentrio. Vol. I, So Paulo: Mundo Cristo/Vida Nova, 1980.
ROWLEY, H. H. The missionary message of the Old Testament. Londres: Carey Press, 1945.
NOTAS
(1) Maskil aparece em 57 salmos, normalmente em conexo com um nome ou ttulo.
(2) Citado por CARRIKER (Misso Integral, 1992, p. 111).
(3) Para uma exposio interessante sobre cada um desses temas veja CARRIKER (Misso Integral, 1992, pp. 114-117). E para um estudo exegtico nos salmos messinicos 
veja VAN GRONINGEN (Revelao Messinica no Velho Testamento, 1995, pp. 284-367).
(4) Um estudo sobre os vrios princpios missiolgicos para a comunicao efetiva da f nos Escritos em geral, e nos salmos em particular, pode ser encontrado em 
CARRIKER (Misso Integral, 1992, pp. 118-128).

Parte VIII
ANTIOQUIA: A IGREJA E SUA MISSO
Estudo bblico de Atos 13.1-3 
 "Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnab, Simeo, por sobrenome Nger, Lcio de Cirene, Manam, colao de Herodes, o tetrarca, e Saulo. E servindo 
eles ao Senhor e jejuando, disse o Esprito Santo: Separai-me, agora, Barnab e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Ento, jejuando, e orando, e impondo sobre 
eles as mos, os despediram" (At 13.1-3)

Uma das primeiras coisas que podemos observar como resultado da ao missionria do Esprito Santo em Atos  o chamado ou vocao de obreiros para a misso. Em Atos 
o cronograma de Cristo para a igreja  cumprido  risca pelo Esprito. Sua misso  glorificar a pessoa de Jesus Cristo na continuao do que Ele comeou a fazer 
e ensinar atravs de homens e mulheres que O amam. 
O texto bblico relata que "havia na igreja de Antioquia profetas e mestres" (At 13.1).

Breve histrico 

Antioquia (da Sria), tambm conhecida como Antioquia do Orontes por causa do rio de mesmo nome, era a mais famosa das dezesseis Antioquias fundadas por Seleuco 
Nictor em memria de seu pai Antoco, por volta do ano 300 a. C. Nos tempos do Novo Testamento Antioquia era a capital da provncia da Sria, a terceira cidade 
do imprio romano, clebre por sua riqueza, cultura e imoralidade.
Com exceo de Jerusalm, nenhuma outra cidade esteve to ligada aos primrdios do cristianismo como Antioquia. Lucas registra em At 6.5 que certo Nicolau abandonara 
o paganismo grego e se tornara membro de uma sinagoga judaica em Antioquia. 
Durante a perseguio que se seguiu  morte de Estvo, alguns cristos subiram para o norte at Antioquia (At 11.19), cerca de 480Km de Jerusalm, e ali pregaram 
aos judeus. Logo chegaram outros que levaram o evangelho aos gregos tambm (At 11.20), e como ocorresse ali muitas converses, a igreja de Jerusalm enviou Barnab 
a Antioquia. Vendo a graa de Deus naquela cidade, Barnab foi at Tarso e trouxe Saulo consigo para o auxiliar (At 11.25,26). Durante um ano eles permaneceram em 
Antioquia ensinando muita gente. 

Principais caractersticas da igreja de Antioquia

O carter extraordinrio dos cristos de Antioquia foi demonstrado primeiramente naquele envio de esmolas para a igreja me de Jerusalm, quando a fome assolou esta 
cidade (At 11.27-30). Alm disso, a igreja de Antioquia era o que ns podemos chamar de uma igreja semi-autnoma, isto , apesar dela reconhecer o primado espiritual 
de Jerusalm, no seguia em todos os detalhes o ponto de vista evangelstico corrente ali. Desde o incio de sua formao a igreja de Antioquia ministrava igualmente 
a judeus e gentios. E quando alguns judeus cristos da Judia visitaram Antioquia proclamando que os gentios deveriam ser circuncidados como pr-requisito para se 
tornarem cristos, foi a igreja de Antioquia que, resistindo a essa imposio, enviou a Jerusalm uma delegao encabeada por Paulo e Barnab para resolver este 
impasse. O chamado Conclio de Jerusalm (c. 50 A.D.), o primeiro da histria da Igreja Crist, s aconteceu por causa das reivindicaes da igreja de Antioquia. 
Contudo, o zelo missionrio e evangelstico, notabilizado pelas viagens missionrias de Paulo foi, com certeza, a caracterstica principal da igreja de Antioquia. 
"Era apropriado que a cidade onde foi fundada a primeira igreja crist gentia, e onde os cristos receberam seu nome caracterstico, talvez sarcasticamente, fosse 
o bero das misses crists ao estrangeiro (At 13.1)" (1). A primeira viagem missionria aconteceu entre 45 e 50 A.D., quando Paulo e Barnab partiram do porto Selucia 
Pieria em Antioquia e velejaram para Chipre. Esta viagem, sia Menor a dentro, terminou quando Paulo e Barnab voltaram para Antioquia e apresentaram um relatrio 
de seus feitos para a igreja reunida. Paulo tambm comeou e terminou sua segunda viagem missionria em Antioquia (c. 50 A.D.). Aquela igreja notvel tambm viu 
o incio da terceira viagem missionria (c. 54 A.D.). 

Profetas e mestres 

Os profetas e mestres do Novo Testamento em geral, e da igreja de Antioquia em particular, eram (principalmente os primeiros) o que os telogos chamam de "rgos 
ocasionais da inspirao", isto , profetas no sentido estrito da palavra, visto que no sentido amplo cada crente  um profeta. Atravs deles o Esprito Santo se 
comunicava com a igreja. Tendo isso em mente podemos entender sem maiores dificuldades como o Esprito falou em Atos 13.2 e, deste modo, evitar uma srie de especulaes 
desnecessrias. Uma vez que o versculo 1 diz que "havia na igreja de Antioquia profetas e mestres", nada mais natural entender que "enquanto a igreja orava, o Esprito 
falou pelos profetas e tornou sua vontade conhecida" (2).

A urgncia e soberania do Esprito

"Disse o Esprito Santo: Separai-me agora" (At 13.2). A expresso 'afori/sate d/\\/h/ moi (Separai-me agora)  totalmente enftica. A partcula grega d/\\/h/ (agora) 
pode ser traduzida tambm como "agora mesmo", "j", "neste momento", "imediatamente". O verbo 'afori/sate (separai) que  um aoristo do imperativo ativo de 'afora/w, 
somado ao pronome pessoal moi favorece uma traduo assim: "Separai para mim mesmo de uma vez por todas". A urgncia do Esprito Santo para aquela misso  inquestionvel. 
Alm disso, a expresso 'afori/sate d/\\/h/ moi  uma das identificaes da soberania do Esprito Santo no livro de Atos. A iniciativa de escolher e enviar missionrios 
para onde quiser  uma prerrogativa do Esprito (cf. At 16.6-7). O Senhor Jesus j havia dito aos Seus discpulos: "No fostes vs que me escolhestes a mim; pelo 
contrrio, eu vos escolhi a vs outros, e vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permanea; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, 
ele vo-lo conceda" (Jo 15.16). Em Atos a soberania do Esprito Santo  levada a srio. Ao contrrio do que se v hoje em dia, especialmente no meio pentecostal, 
em que pessoas por atrevimento ou ignorncia talvez, dizendo-se cheias do Esprito Santo, querem fazer dEle o capacho de seus caprichos. Na Bblia o Esprito Santo 
manda e Seus servos obedecem (At 13.2). Entretanto, Ele no age despoticamente. Em Atos o Esprito e a igreja trabalhavam, por assim dizer, em parceria (cf. At 15.28).

Os chamados 

A ordem do Esprito Santo para a igreja de Antioquia era, ento, a seguinte: "Separai-me agora mesmo a Barnab e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At 
13.2). Duas coisas so evidentes nesta declarao. A primeira diz respeito aos chamados ou vocacionados pelo Esprito Santo. O Esprito manda separar Barnab e Saulo. 
Quem eram Barnab e Saulo seno a nata da Igreja Primitiva? O Esprito Santo  exigente. E Ele sempre vai pedir o melhor para misses. Isso tudo pede uma reflexo 
sria por parte da igreja brasileira, pois no so poucos os erros cometidos nesse particular. Quantas vezes nossos presbitrios enviam para o campo ou juntas de 
misses aquele candidato que no se saiu muito bem no seminrio, ou at mesmo aquele pastor que sobrou na distribuio de campo porque nenhuma igreja local o quer 
por ser fraco de plpito ou algo parecido? O Esprito Santo no precisa de e nem quer sobras. O Esprito exige sempre o melhor para a Sua obra. No que a pessoa 
chamada pelo Esprito seja a melhor por sua capacidade e habilidade naturais, pelo contrrio, ser sempre algum que o prprio Deus dever capacitar com a Sua graa 
(cf. I Co 15.9,10; 2 Co 3.5; Ef 3.7,8). Uma coisa  certa: Se no  o melhor que a igreja manda para o campo, ento no  o enviado do Esprito. Misses no  uma 
alternativa de trabalho para quem fracassou no ministrio! 

 interessante notarmos que Joo Marcos no estava entre os vocacionados pelo Esprito Santo. Pelo menos no naquela ocasio. Lembremos que Marcos j havia viajado 
com Paulo e Barnab anteriormente (At 12.25). Depois, acompanhou Paulo e Barnab na primeira viagem missionria (At 13.5), mas logo desistiu (At 13.13-15), tornando-se 
o piv da separao entre Paulo e Barnab na segunda viagem missionria (At 15.36-41). Tudo indica que Marcos no era o missionrio certo (pelo menos at aquele 
momento) para a obra missionria. O Esprito Santo no somente conhece o campo missionrio mas tambm o perfil do missionrio certo. 
A segunda coisa que observamos na declarao do Esprito  que Ele sempre vocaciona para uma misso especfica. "Para a obra a que os tenho chamado", diz o texto 
bblico. H tempos Paulo e Barnab estavam sendo trabalhados pelo Esprito. Os dois missionrios trabalharam juntos algumas vezes (cf. At 12.25). Como conseqncia 
disso o chamado para a misso passa a ser na verdade uma confirmao, isto , o chamado de Paulo e Barnab no aconteceu ali (At 13.2), mas apenas confirmou o que 
todo mundo, inclusive eles, sabia. Isto est claro no uso que Lucas faz do verbo proske/klhmai, imperfeito mdio de kale/w, que indica uma ao ocorrida no passado 
mas confirmada no presente. Quer dizer, o Esprito confirmou perante a igreja de Antioquia o chamado de Paulo e Barnab. "Quando o crente  chamado pelo Esprito, 
o mesmo Esprito o revela  igreja" (3).

NOTAS
1. R.K.Harrison, Antioquia (da Sria) em O Novo Dicionrio da Bblia, Vol. I, p. 85.
2. Simon J. Kistemaker, Exposition of the Acts of the Apostles, p. 455. Para outras interpretaes veja Orlando Boyer, Atos: O Evangelho do Esprito Santo, p. 169.
3. O. Boyer, Op. Cit., p. 169.

Parte IX
ANTIOQUIA: A IGREJA E SUA MISSO (II)
Estudo bblico de Atos 13.1-3 
"Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnab, Simeo, por sobrenome Nger, Lcio de Cirene, Manam, colao de Herodes, o tetrarca, e Saulo. E servindo 
eles ao Senhor e jejuando, disse o Esprito Santo: Separai-me, agora, Barnab e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Ento, jejuando, e orando, e impondo sobre 
eles as mos, os despediram" (At 13.1-3)

Na primeira parte de nosso estudo fizemos uma apresentao geral da igreja de Antioquia. Agora trataremos de algumas implicaes para a igreja evanglica brasileira. 
Biblicamente falando, todo campo missionrio deveria se tornar, obrigatoriamente, numa base missionria. Mas infelizmente nem sempre tem sido esta a realidade em 
termos de igreja brasileira. J a igreja de Antioquia foi, inegavelmente, um exemplo de igreja missionria. A igreja que outrora foi campo, que o Esprito Santo 
preparou para receber a boa semente do evangelho, passaria a ser oficialmente o portal da misso entre os gentios. Portanto, quando o Esprito Santo disse em Atos 
13.2, "Separai-me agora ...", a partir daquele momento a igreja de Antioquia no seria mais a mesma em termos de viso missionria. 
Os princpios que nortearam a vida da igreja de Antioquia, e que, certamente, deveriam inspirar todas as igrejas, foram cuidadosamente observados e registrados por 
Lucas em Atos 13.

Igreja missionria  igreja adoradora

Atos 13.2 inicia assim: "E, servindo eles (os profetas e mestres do v1) ao Senhor...". O particpio presente leitourgou/ntwn (servindo [ARA], workshiping [NIV]), 
do verbo leitourge/w,  empregado por Lucas em Atos 13.2 com o mesmo significado de latre/w, isto , servir em adorao; prestar culto a Deus. O particpio presente 
indica ao contnua.

Uma igreja s pode ser verdadeiramente missionria se for verdadeiramente adoradora e vice-versa (1). O missilogo Orlando Costas estava certo quando disse que "o 
culto est intrinsicamente relacionado com a ao de Deus na histria e a converso das naes ao Deus trino e uno" (2). E ainda: 
O culto, em sua dimenso humana, surge da misso.  o resultado espontneo da experincia da redeno. Do mesmo modo, a misso deve ser vista como um acontecimento 
cultual, porquanto celebra o que Deus tem feito por homens e mulheres em Jesus Cristo e os chama a receber e compartilhar o dom da graa de Deus (3). 
Talvez um dos piores males que tm assolado, dividido e enfraquecido a igreja brasileira em nossos dias seja os debates em torno da tarefa prioritria da igreja. 
E eu no estou me referindo  questo da evangelizao e responsabilidade social, outro assunto que deu e tem dado "pano pra manga" (Veja Evangelizao e Responsabilidade 
Social, Srie Lausanne, 1985) (4). Ao contrrio, estou me referindo  dicotomia existente entre culto e misses. A discusso no  se a igreja deve adorar ou evangelizar 
(embora s vezes  o que de fato tem acontecido), mas sim, o que deve ser considerado em primeiro lugar. As opinies so as mais variadas e extremistas at. De um 
lado temos os que insistem que "misses so a segunda mais importante atividade no mundo", ou que "misses existem porque o culto no existe". Do outro lado, tem 
quem afirme ser "um absurdo dizer que muitas so as responsabilidades da igreja. Igreja  misses". Para os defensores da primeira posio, s o fato do culto ser 
dirigido a Deus e as misses aos homens j definiria, por si s, a questo da prioridade da igreja. Os defensores da segunda posio argumentam, por sua vez, que 
 preciso mais que adorao. " preciso ter paixo pelos perdidos e obedecer ao ide de Jesus". 
Mas ser que precisamos mesmo priorizar uma tarefa em detrimento da outra, como temos visto na prtica? Ser que podemos afirmar que culto  mais importante que 
misses ou vice-versa? Mais uma vez contamos com o argumento equilibrado de Orlando Costas: No existe dicotomia alguma entre culto e misso. O culto  a reunio 
do povo enviado ao mundo para celebrar o que Deus fez em Cristo e est fazendo mediante a participao deles na ao testemunhal do Esprito. A misso  a culminao 
e antecipao do culto. No culto e na misso a comunidade redimida d evidncia concreta do fato de que , ao mesmo tempo, um povo de orao e testemunho" (5). 

Vemos, ento, que o culto deve levar a igreja a fazer misses (cf. At 2.42-47), e misses, por sua vez, devem levar os perdidos a prestarem culto a Deus (cf. At 
13.44-49). Pois uma adorao que no leva a igreja a evangelizar no passa de mera contemplao, e uma evangelizao que no leva os pecadores a adorarem a Deus 
est fora dos propsitos do prprio Deus. "A liturgia sem misso  como um rio sem manancial, a misso sem culto  como um rio sem mar. Ambos so necessrios. Sem 
um o outro perde sua vitalidade e significado" (6).

Igreja missionria  igreja de orao

Jos Martins disse corretamente: "A orao  a essncia da obra missionria. No  s uma atividade necessria ao sucesso da obra -  a obra em si.  a prtica mais 
missionria possvel, quando vivida de maneira bblica" (7).
Quando o Esprito Santo ordenou que a igreja de Antioquia separasse Paulo e Barnab para a obra que os tinha chamado, a igreja estava em orao. Esta verdade est 
implcita e explcita em Atos 13.2 e 3, respectivamente. Implicitamente porque o versculo dois diz o seguinte: "E, servindo eles ao Senhor, e jejuando...". Seria 
incoerente pensar que uma igreja que estava adorando a Deus e jejuando no estivesse em orao. Somente o fato da igreja estar jejuando subentende-se que ela estivesse 
orando. Nem toda orao  feita em jejum, mas todo jejum bblico  feito com orao. Alm disso, temos uma evidncia explcita de que a igreja de Antioquia realmente 
orava naquela ocasio: "Ento, jejuando e orando..." (v3). No sabemos ao certo se o jejum do verso 3  o mesmo do verso 2. Pela urgncia do chamado do Esprito, 
tudo indica que sim. Mas se  o mesmo ou deixa de ser, no  to importante sabermos. Basta saber que a igreja de Antioquia era uma igreja de orao e que fazia 
da orao a base de sua misso. 
 provvel que o exemplo da igreja de Antioquia tenha marcado positivamente o ministrio de Paulo. Paulo foi um homem de muita orao e recomendava s igrejas que 
orassem por ele e pela expanso do evangelho de Jesus Cristo. Agora, mais do que simplesmente orar, a igreja de Antioquia era uma igreja que exercia a prtica do 
jejum.  impressionante a nfase que Lucas d ao jejum na igreja de Antioquia. Em Atos 13.2 ele diz que a igreja jejuava, e no menciona a orao, embora sabemos 
que ela tambm orava, conforme descrevemos acima. No verso 3, do mesmo captulo 13, Lucas coloca a palavra "jejuando" na frente de "orando". No texto grego  a mesma 
coisa: nhsteu/santej kai/ proseuca/menoi. A ordem das palavras  significativa e no pode ser menosprezada, como tem feito a maioria dos autores que consultei. 
A nfase de Lucas  importante por duas razes pelo menos: 1) No devemos pensar que a igreja de Antioquia jejuava porque trazia resqucios do judasmo. Esta no 
seria uma forma inteligente de pensar, primeiro porque Lucas era gentio e, por isso mesmo, qual o interesse dele em dar tanta nfase a uma prtica estritamente judaica? 
Segundo, a igreja de Antioquia foi uma das igrejas mais anti-judaicas do passado, naquilo que se refere s prticas religiosas do judasmo. Direta ou indiretamente 
o conclio de Jerusalm aconteceu em razo desse anti-judasmo-cerimonialista. 2) Acreditamos que Lucas fez questo em enfatizar a prtica do jejum pela igreja de 
Antioquia, primeiramente para mostrar que o jejum e orao no so incompatveis na vida de uma igreja e, em segundo lugar, mostrar como esta prtica era (e deve 
ser) valorizada no meio de uma igreja verdadeiramente missionria.
Se muito de nossas igrejas tm falhado na prtica da orao, e falhado mais ainda em rogar ao Senhor da seara para que mande trabalhadores para a sua seara, em interceder 
pelos missionrios e orar pela obra missionria de um modo geral, o que dizer ento da prtica do jejum em nossas igrejas? 

Sou pastor da IPB, amo demais a minha denominao, mas acredito que ela falhou e tem falhado at agora em subestimar a importncia do jejum na vida do povo de Deus. 
Quantos so os membros de nossas igrejas presbiterianas que jejuam? Quantos pastores presbiterianos jejuam? Muitos de ns mal oramos, diga-se de passagem. 
Desde cedo aprendi na IPB: "Sem o propsito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que no seja o dia do Senhor, em casos muito excepcionais de calamidades 
pblicas, como guerras, epidemias, terremotos, etc.,  recomendvel a observncia de dia de jejum ou, cessadas tais calamidades, de aes de graas" (PL, xi). Se 
o povo de Deus tiver que jejuar somente em tempos calamitosos, conforme sugerem os princpios de liturgia da IPB, nunca existir um dia de jejum neste pas! Da forma 
como foi redigido o princpio para a prtica de jejum na IPB, ao invs de estimular o crente a pratic-lo, ele faz exatamente o contrrio. No que o princpio fosse 
escrito com o objetivo de desestimular quem quer que seja, porm, na prtica  o que tem acontecido. Creio que o captulo sobre jejum deveria ser revisto pela IPB, 
at porque ele no expressa corretamente a realidade brasileira e muito menos o verdadeiro conceito bblico de jejum. Que o jejum deve ser praticado em dias de calamidade 
no questionamos, pois a Bblia nos d vrios exemplos disso. Mas ser que s devemos jejuar em dias de calamidade? Apesar da Igreja Primitiva ter vivido momentos 
de muitas provaes, nada indica que naquela ocasio especial de Atos 13 a igreja de Antioquia estivesse jejuando e orando porque passava por momentos difceis. 
Pelo contrrio, o contexto prximo (cap. 12) indica que a Igreja Primitiva, de modo geral, estava vivendo um dos seus melhores dias. A igreja de Antioquia buscava 
a presena de Deus pelo simples prazer de estar servindo a Deus. E continuou assim quando enviou seus missionrios e os sustentou com fervorosas oraes. Que Deus 
conceda  igreja brasileira a graa de ser uma igreja que se alegre em estar em Sua presena, intercedendo dia aps dia pela obra missionria do Brasil e do mundo.

Igreja missionria  igreja que ouve a voz do Esprito Santo

No sabemos ao certo como o Esprito Santo falou aos profetas da igreja de Antioquia. O importante  saber que Ele falou e a igreja ouviu. "Ouvir"  empregado em 
mais de um sentido nas Escrituras. Pode significar: captar, entender, abraar e obedecer o que se ouve. Algum pode escutar e ouvir, no sentido literal, o som das 
palavras, entender as palavras, mas ser totalmente surdo quanto  prtica dessas palavras. 

A igreja de Antioquia era uma igreja sensvel  voz do Esprito, e mais do que aguar os ouvidos para ouvir a voz sonora do Esprito (se de fato  isso que aconteceu 
em Atos 13.2), ela ouviu, principalmente, obedecendo. E  exatamente nesse sentido de fazer o que Deus manda que a igreja brasileira hoje deve ouvir, atravs da 
Escritura, o que "o Esprito diz s igrejas" (Ap 2.7) (8). 

O Esprito Santo continua falando e ouvimos a Sua voz, mas lamentavelmente este "ouvir" nem sempre tem sido traduzido em termos de "obedincia". O Esprito Santo 
falou  igreja de Antioquia e ela imediatamente colocou Paulo e Barnab no mundo. Eis a a voz do Esprito que muitas vezes tem sido ignorada pelos crentes. A igreja 
no mundo e para o mundo,  nisso que Deus espera ser ouvido e obedecido.
Se ouvir o Esprito Santo significa obedec-lO, a maior expresso dessa obedincia  estar no mundo para ouvir o mundo. E o que significa ouvir o mundo? John Stott 
responde: "O mundo de hoje est repleto de clamores que refletem ira, frustrao e sofrimento. Mas muitas vezes ns nos fazemos de surdos diante dessas vozes de 
angstia" (9). Stott nos lembra, ainda, que existem dois grupos de pessoas no mundo que, alm de precisarem ouvir o que a igreja tem a lhes dizer, precisam, antes, 
ser ouvidos pela igreja. Primeiro, temos o sofrimento daqueles que nunca ouviram o nome de Jesus, ou que, embora tenham ouvido falar nele, ainda no o aceitaram 
e, portanto, em sua alienao e perdio, esto sofrendo terrivelmente. Neste caso, o que costumamos fazer  sair correndo com o evangelho nas mos, subir no nosso 
poleiro e vomitar a nossa mensagem, sem a mnima considerao para com a situao cultural ou as verdadeiras necessidades dessas pessoas. O resultado  que, com 
muito mais freqncia do que gostaramos de admitir, ns afastamos as pessoas e at mesmo aumentamos sua alienao, pois a forma como apresentamos a Cristo  insensvel, 
desajeitada e at irrelevante. De fato, "responder antes de ouvir  estultcia e vergonha".
A melhor coisa  ouvir antes de falar, procurar penetrar no mundo das idias e pensamentos da outra pessoa, tentar descobrir quais so as suas possveis objees 
ao evangelho e ento compartilhar com ela as boas novas de Jesus Cristo de uma maneira que fale s suas necessidades. Esta atividade desafiadora, humilde e perspicaz 
 chamada, e com razo, de "contextualizao". Mas  essencial acrescentar que contextualizar o evangelho no  de maneira alguma manipul-lo.
Em segundo lugar, temos o sofrimento dos pobres e dos famintos, dos despossudos e dos oprimidos. Muitos de ns s agora  que esto despertando para a obrigao 
que a Escritura sempre colocou sobre o povo de Deus, de preocupar-se com a justia social. 
Ns deveramos ouvir com mais ateno os clamores e os suspiros daqueles que esto sofrendo. Quero compartilhar aqui um versculo bblico que ns temos negligenciado 
e que, em se tratando deste assunto, quem sabe deveramos destacar. Ele contm uma solene palavra de Deus para aqueles que, dentre o seu povo, carecem de conscincia 
social. Encontra-se em Provrbios 21.13: "O que tapa o ouvido ao clamor do pobre tambm clamar e no ser ouvido." (10).

Se a igreja brasileira der ouvidos  voz do Esprito, com certeza ouvir a voz dos que precisam ser ouvidos. Alm disso, igreja missionria  igreja compromissada 
com os missionrios. E o que determina se uma igreja  ou no missionria  o seu compromisso com os missionrios. Este compromisso mostrar at onde a igreja est 
engajada em misses e, principalmente, at onde ela tem sido obediente  voz do Esprito de Deus. 

A igreja de Antioquia era uma igreja de compromissos. Ela estava compromissada com Deus (servindo a Deus, jejuando e orando, At 13.2,3) e com os missionrios (impondo 
sobre eles (Barnab e Saulo) as mos, os despediram, At 13.3).
 importante destacar, antes de tudo, que o envolvimento missionrio da igreja de Antioquia no estava limitado queles cinco nomes de Atos 13.1. E mesmo se a imposio 
de mos sobre Paulo e Barnab tivesse sido realizada por apenas trs deles, nem por isso deixaria de ser o trabalho da igreja toda. Comentando o envio dos missionrios 
pela igreja de Antioquia, Simon J. Kistemaker disse com razo que "toda a igreja de Antioquia estava envolvida em comissionar Barnab e Saulo, pois quando os missionrios 
retornaram, eles relataram  igreja o que Deus tinha feito (14.27)" (11). E ainda, "o Esprito Santo movimenta a igreja e no meramente cinco pessoas para se engajarem 
na obra missionria" (12).

A imposio de mos sobre Paulo e Barnab no deve ser entendida, conforme observa W. L. Liefeld, como "uma ordenao para ensinar (Paulo e Barnab j tinham estado 
no ministrio cristo, e Paulo considerava que a sua autoridade vinha diretamente de Deus, e no dos homens, nem sequer por intermdio dos homens, Gl 1.1)" (13). 
"O certo  que Paulo e Barnab foram enviados para uma obra especfica numa atmosfera de adorao, orao e jejuns (At 13.1-3), uma ao que, segundo At 14.26, os 
'recomendou  graa de Deus'" (13). A interpretao de Liefeld  boa mas poderia ser melhorada.  que, alm do que Liefeld diz, houve naquele ato de imposio das 
mos um pacto entre a igreja de Antioquia e os missionrios. Deste modo, a igreja estaria definitivamente vinculada aos missionrios (14) e os missionrios  igreja. 
Lucas registra que a igreja de Antioquia acompanhou todas as viagens missionrias de Paulo e este, por sua vez, relatava  ela as coisas que Deus fazia por seu intermdio 
(cf. At 14.27). 
A igreja de Antioquia tomou para si a responsabilidade da obra missionria. E por que? Porque ela se props a ser co-participante do Esprito no envio e sustento 
dos missionrios (15). A misso do Esprito seria a misso da igreja. 

Em Atos 13.3 no aconteceu o que vemos hoje em dia. Paulo e Barnab no foram jogados no campo e deixados ao deus dar. A igreja no se esqueceu daqueles que enviou 
e os missionrios, por outro lado, no se lembraram da igreja somente quando o dinheiro da misso encurtou. No quero generalizar, mas no , infelizmente, o que 
muitas vezes temos visto? Alm disso, a igreja de Antioquia no entregou Paulo e Barnab aos cuidados da igreja de Jerusalm e muito menos os deixou por conta de 
uma junta de misses. De maneira nenhuma! A igreja de Antioquia tinha responsabilidade missionria. 

Atualmente, o que temos visto com freqncia so as agncias ou juntas de misses ocupando o lugar da igreja local. No que as juntas de misses no tenham seu devido 
valor,  claro que tm (16). Ademais, as agncias de misses, em si, no tiram a responsabilidade missionria das igrejas. Contudo, se hoje elas esto ocupando o 
lugar das igrejas, indo alm de suas atribuies,  porque as igrejas esto aqum de sua vocao. "Um grande nmero de igrejas espalhadas por este nosso Brasil precisa 
ver-se como vocacionadas por Deus para exercerem a tarefa missionria como um fator de peso em seu ministrio, precisa ver-se como a fora missionria de Deus nesse 
mundo e em nosso pas" (17).

Falando acerca da importncia da igreja local em misses, Carlos Del Pino destaca quatro coisas que, segundo ele, deveriam acontecer em nossas igrejas. Em resumo, 
so elas:

1. A igreja local como um todo precisa receber, compreender e assumir a viso de seu lugar na obra missionria, alm de compreender as dimenses bblica, espiritual, 
cultural e financeira desta tarefa. 
2. A igreja local, compreendendo sua importncia para misses, no pode transferir esta responsabilidade. 
3. A igreja local, ainda, precisa assumir por completo a sua responsabilidade missionria. O que mais comumente vemos  que a igreja muito se alegra com o despertar 
de uma vocao em seu meio, ora por aquele irmo e diz para ele ir. Mas quando chega o momento de assumir o compromisso financeiro regular e decente, ela se silencia, 
como se isso no fosse problema dela. 
4. Por fim, a igreja local precisa conscientizar-se e ver-se como a principal agncia missionria da face da Terra. Orar tendo isso em mente, agir tendo isso em 
mente, pregar tendo isso em mente, trabalhar tendo isso em mente (18).
Para Deus s existem duas coisas: Ou somos campo, ou somos base missionria. Se somos campo, precisamos ser evangelizados, mas se somos base, ento est na hora 
de trabalhar. A omisso no pode ser a misso de uma igreja vocacionada pelo Esprito Santo de Deus.

NOTAS
1. Segundo Orlando Costas, "a prova de uma vigorosa experincia cultual ser a participao dinmica na misso: a prova de um fiel compromisso missionrio ser uma 
profunda experincia de culto" (O. E. Costas, Compromiso y Misin, p. 151).
2. Idem, p. 150.
3. Idem.
4. Por falar em responsabilidade social da igreja, vale a pena ressaltar que o verdadeiro conceito de misso para a igreja de Antioquia era (como os missilogos 
contemporneos costumam denominar) o de misso integral (o indivduo assistido em sua totalidade (alma e corpo), cf. At 11.27-30).
5. Costas, Op. Cit., p. 150.
6. Costas, Op. Cit., pp. 150,1.
7. J. Martins, A Orao Dominical e Misses em Misses e a Igreja Brasileira, p. 67.
8. J. Stott, Oua o Esprito, Oua o Mundo, p. 123.
9. J. Stott, Op. Cit., p. 124.
10. Kistemaker, Exposition of the Acts of the Apostles, p. 455. (Grifo meu).
11. Idem. Cf. Atos 15.40.
12. W. L. Liefeld, Imposio de Mos em Enciclopdia Histrico -Teolgica da Igreja Crist, Vol. II, p. 323.
13. Idem, p. 324.
14. A expresso "os despediram" de Atos 13.3 refora a idia de que a igreja de Antioquia estava enviando Paulo e Barnab, e continuaria vinculada a eles. O verbo 
/apolu/w, diferentemente de /apospa/w (At 21.1), no sugere "despedida definitiva".
15. E, certamente, este "sustento" significava mais do que orar por eles. No concordo com A. T. Robertson (Word Pictures in the New Testament, Vol. III, pp. 178,9) 
de que Paulo e Barnab tiveram que financiar a prpria viagem, com base em Fp 4.15. Nesta passagem, Paulo est apenas fazendo uma distino entre igrejas da Macednia. 
De fato, Paulo passou por muitas dificuldades em seu ministrio, inclusive financeiro (cf. Fp 4.12), mas isto ocorreu por causa das circunstncias poltico-religiosas 
da poca, e no por falta de compromisso da igreja de Antioquia.

16. Edison Queiroz destaca muito bem alguns pontos que evidenciam a importncia de uma agncia missionria. Diz ele: "H inmeras dificuldades para o envio de um 
missionrio. Precisa haver contatos com outras agncias missionrias, com autoridades governamentais, emisso de vistos de entrada e permanncia, cmbio e envio 
de dinheiro, orientao quanto aos relacionamentos no campo com igrejas, governo e outras agncias e avaliao in loco do andamento do trabalho. Todas estas tarefas 
so difceis para a igreja. Da, a importncias das juntas e organizaes missionrias" (E. Queiroz, A Igreja Local e Misses, p. 56).
17. Cf. C. Del Pino, A Importncia da Igreja Local em Misses em Misses e a Igreja Brasileira, Vol. III, p. 60.

18. C. Del Pino, Op. Cit., pp. 60,1. V. t. E. Queiroz, Op. Cit., pp. 43-58; E. Queiroz, A Misso da Igreja e o Despertar Missionrio na Amrica Latina em A Misso 
da Igreja, pp.117-126 e O. E. Costas, La Misin, el Ministerio y el Esprito Santo: el caso de la Iglesia de Antioquia em Misin y Ministerio en America Latina, 
pp. 1-7

Parte X
COMO SUSTENTAR UM MISSIONRIO
Sem dinheiro no bolso 
 "E orai em todo o tempo com toda orao e splica no Esprito. Vigiai nisto com toda a perseverana e splica por todos os santos. Orai tambm por mim, para que 
me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiana, para com intrepidez fazer conhecido o mistrio do evangelho," (Efsios 6:18-19)

Paulo neste ponto de sua vida e ministrio, como missionrio, exorta a Igreja de feso sobre a necessidade de se revestir completamente com a armadura de Deus, na 
batalha contra o mal. Ele nos abre a porta, nesta seo da carta, para compreendermos sobre a crena na existncia do mundo dos espritos maus, crena esta que aparece 
por todo o Novo Testamento.

Nossa luta na verdade, diz Paulo, no  contra a carne ou sangue, no  contra pessoas, no  contra regimes polticos ou religiosos que governam pases, dificultando 
a penetrao do evangelho em terras distantes ou to pouco contra os partidos mais de esquerda que sonham com um pas mais justo para aqueles que sofrem com o trabalho 
duro sem contudo gozar dos benefcios do seu suor.  claro para o apstolo-missionrio, a existncia de Satans e suas hostes, principados e potestades que agem 
neste mundo poderosamente contra toda a humanidade, armando ciladas e tornando os homens cegos para no contemplarem a glria de Deus, sendo privados de experimentarem 
realmente o fim principal de sua existncia que, conforme a confisso de f de Westminster : "...glorificar a Deus e goz-lo para sempre." Rm.11:36; I Cor.10:31; 
Sl. 73:24-26;
Joo 17:22-24. 

Apesar de muitos hoje em dia colocarem de lado esta doutrina, porque acham que alguns cometem excessos quanto a questo da batalha espiritual, no podemos negar 
o fato de que esta luta contra os espritos maus  tratada freqentemente nas Escrituras e que mesmo em nossos dias temos muitas e infalveis provas, at mesmo por 
parte dos vrios estudos que se tem feito no campo da parapsicologia, que revelam a existncia de foras estranhas e poderosas, de natureza negativa e que operam 
no mundo. Paulo mesmo em outras passagens Neotestamentrias nos revela como nosso mundo est tomado por manifestaes malignas, como por exemplo quando se refere 
ao evangelho encoberto, dizendo: "Mas, se o nosso evangelho ainda est encoberto, para os que se perdem est encoberto, nos quais o deus deste sculo cegou o entendimento 
dos incrdulos, para que no lhes resplandea a luz do evangelho da glria de Cristo, que  a imagem de Deus." 2 Cor.4:3-4.

Penso que a compreenso adequada desta revelao nos levar diretamente a percepo de que os 5.8 bilhes de seres humanos, que vivem hoje no planeta terra, esto 
a merc do "Prncipe das potestades do ar, que agora opera nos filhos da desobedincia" Ef. 2:1-3. Satans como inimigo de nossas almas, tem armado ciladas ao longo 
dos sculos a fim de que os homens no venham a conhecer o evangelho de Cristo. Ele tem se entrincheirado entre as naes construindo fortalezas, laos, sofismas, 
teias e  nosso dever interceder ao "Pai das luzes em quem no h mudana nem sombra de variao", Tiago 1:17, repetindo as palavras do salmista: "Pede-me, e eu 
te darei as naes por herana, e os confins da terra por tua possesso." Salmo 2:8.

No  tanto exagero dizer que milhes de pessoas esto morrendo sem Jesus, neste mundo de Deus, por causa da estratgia de nosso inimigo. Pergunto a voc? Por que 
os legisladores de nosso pas tem dificultado, juntamente com a FUNAI, a penetrao de missionrios evanglicos nas tribos indgenas que nunca ouviram falar de Jesus? 
Por que milhes de Indianos esto presos nas garras do Hindusmo, adorando a criatura em vez do criador? Por que naes inteiras em todo o mundo esto se tornando 
Islmicas, fechando as portas para qualquer perspectiva de liberdade religiosa? Por que alguns pases europeus considerados cristos e que no passado mudaram o curso 
da histria com a pregao da Palavra de Deus esto vivendo hoje na indiferena? Essa grande multido est vagando sem contudo achar resposta para a sua necessidade 
de serem aceitos por Deus e de se relacionarem pessoalmente com o Criador. Estas so perguntas que ns como cristos s podemos responder a luz da Palavra de Deus 
que nos mostra esta grande realidade espiritual de que "o mundo inteiro jaz no maligno". I Joo 5:19.

No contexto da exposio de Paulo, neste captulo que est se encerrando com estes dois versculos de convocao dos cristos para a intercesso, no podemos descrever 
a orao como parte da armadura, mas ao descrevermos o equipamento cristo para o conflito no podemos deixar de incluir uma referncia a orao. No podemos separar 
estes dois versos da descrio anterior mas entend-los conjuntamente como se ele estivesse fazendo um pedido de vestirmos cada uma das peas desta armadura com 
orao e a esta altura, como havia pedido orao por todos os santos, no deixa de pedir aos seus leitores splicas e oraes sinceras por ele mesmo.

Paulo tinha uma profunda conscincia da sua posio na frente do campo de batalha. Mesmo estando na priso, ele sabia da sua vulnerabilidade. Creio que a sua solicitao 
no era motivada pelo desejo de libertao da cadeia, mas por duas razes: primeiramente, porque sabia que possua a grande responsabilidade de levar aos homens 
o evangelho da salvao eterna que lhe foi confiado pelo prprio Deus e por isso necessitava de sabedoria; E em segundo lugar, porque precisava de intrepidez para 
anunciar com poder este mesmo evangelho conforme o desgnio de Deus. Isto da mesma forma que os discpulos faziam (Atos 4:29), oravam no pelo seu prprio sucesso, 
nem para ficarem livres das prises, dos perigos ou dos sofrimentos, mas oravam para que lhes fosse dada intrepidez na proclamao do evangelho de Cristo.

Portanto, se para o apstolo Paulo esta era uma questo vital em seu ministrio, ns no podemos consider-la menos importante. Existem muitos homens e mulheres 
que tem sido enviados com uma misso e que se acham carentes de cobertura espiritual. No devemos esquecer de que esta misso pertence a todos ns como Igreja de 
Cristo e ao nos unirmos em orao com estas pessoas estamos garantindo vitria e unidade, na tarefa de guerrear contra as trevas e saquear o exrcito inimigo, libertando 
os que esto cativos e "trazendo nossos irmos, dentre todas as naes, como presente  presena do Senhor assim como os filhos de Israel trazem as suas ofertas 
de cereais em vasos limpos  casa do Senhor" Is.66:20. 

Quero ento estabelecer o nosso propsito dizendo que missionrios so soldados do mesmo exrcito que ns somos, eles esto na frente de batalha, lutam onde o conflito 
est se dando de modo mais acentuado. Esto muitas vezes cercados em territrio inimigo e sentem-se sozinhos, algumas vezes desanimados, esto batalhando diariamente 
e diretamente no territrio do inimigo e precisam do apoio de outros batalhes do seu exrcito para ajud-los nos momentos mais crticos de suas atividades.

A Igreja, o Corpo de Cristo, cada crente, cada membro sem exceo  convocado a tomar parte nesta obra de intercesso por todos os missionrios, nossos representantes 
no campo de batalha. Por isso "perseverai na orao, velando nela com aes de graa. Orai tambm juntamente por ns, para que Deus nos abra a porta da palavra, 
a fim de falarmos do mistrio de Cristo, pelo qual estou preso. Orai para que o manifeste como devo fazer." Col.4:2-4.

Parte XI
ESPIRITUALIDADE MISSIONRIA
INTRODUO
Desejo com este trabalho mostrar ao leitor, como est a espiritualidade da igreja dos nossos dias, analisando-a por uma perspectiva missiolgica.

A espiritualidade  a comunho que se tem com Deus e com o prximo, e se caracteriza pela prtica do amor, e infelizmente esta comunho est desgastada, e  superficial 
em muitas igrejas contemporneas.

A igreja precisa de um fundamento slido para uma espiritualidade verdadeira, aquela que se manifesta na prtica, e para isso a igreja precisa conhecer o perodo 
histrico em que vive, a fim de que essa prtica seja eficaz.

I - A CRISE DE ESPIRITUALIDADE DA IGREJA CONTEMPORNEA

"Portanto, ide e fazei discpulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Esprito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho 
mandado..."
Mt 28:19-20.

Esta  a Grande Comisso, em que Jesus ordena que sejamos missionrios, ordena que a igreja seja missionria, por que se no for assim a igreja estar fora dos planos 
de Deus. Podemos identificar se uma igreja tem uma espiritualidade verdadeira ao olhar para sua posio em relao as misses.

Hoje, muitas igrejas so frias, vivem sem amor, vivem um evangelho esttico, esto afastadas dos planos de Deus, como diz o Pr. Valdir Frana: " Esto com miopia 
missionria"(1), ou seja, no enxergam a necessidade do mundo de receber o evangelho, enxergam somente suas prprias necessidades, seus problemas, seus sonhos, so 
egostas, no amam as almas perdidas, esto em crise, vivem sem uma espiritualidade integralizadora e missionria.

Esta crise de espiritualidade missionria est intimamente ligada a outras duas crises que tambm existem na igreja contempornea: 

A crise teolgica: Muitas pessoas no conhecem verdadeiramente o seu Deus, cantam e adoram um deus criado por suas mentes, desconhecem o carter missionrio do verdadeiro 
Deus, no entendem o Calvrio como palco da maior misso da histria, a chamada MISSIO DEI. Falta, em muitas pessoas a fome e o amor  Palavra de Deus. A igreja 
carece de teologia, em especial, de uma teologia missionria.

A crise de identidade: Muitos cristos no sabem por que so cristos, ou seja, forram remidos por Cristo, selados pelo Esprito Santo, vivem dentro da igreja, porm 
no sabem o que fazer enquanto filhos de Deus. Se perguntarmos aos cristos o porque que Deus os salvou, a maioria responderia que foi por causa de Seu amor, sem 
dvida, isto est correto, entretanto existe outra razo, a vontade de Deus de nos tornar arautos do Rei, Cristo nos salva para que sejamos Sua testemunha, como 
est escrito "... a fim de anunciardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz". (I Pe 2:9) A igreja precisa ter conscincia de sua 
identidade missionria.

Portanto, essa falta de espiritualidade missionria, teologia missionria e identidade missionria tem transformado em "guetos", onde as pessoas se dizem salvas, 
mas esto perdidas dentro de sua prpria salvao pois no esto no mundo nem dentro dos planos de Deus. 

II - FUNDAMENTOS BBLICOS PARA UMA ESPIRITUALIDADE MISSIONRIA

David Livingstone disse: "Deus tinha um nico Filho, e fez dele um missionrio". 

Muitos versculos e exemplos bblicos poderiam ser mostrados para fundamentar uma espiritualidade missionria, entretanto no h melhor fundamento bblico para demonstrar 
a misso como fruto de uma verdadeira espiritualidade, do que Jesus Cristo.

O homem mais espiritual que j existiu, revelou para o mundo o que  uma espiritualidade missionria.

Seu ministrio, Sua vida, Sua morte, Sua ressurreio, tudo aconteceu por causa de misses, tudo para revelar seu amor e perdo aos homens perdidos, portanto no 
existe espiritualidade sem ao missionria.

Buscar espiritualidade  buscar Jesus,  seguir Jesus,  ser igual a Jesus, e isso  impossvel se no nos comprometermos com o Seu chamado missionrio.

Por toda a Bblia, Deus revela Seu carter missionrio, desde Gnesis quando Deus vai atrs e chama o homem cado at Apocalipse quando a misso chega ao seu fim, 
mas  em Jesus o pice da misso de Deus, e o prprio Jesus  quem nos chama para uma verdadeira espiritualidade e para sermos Suas testemunhas (At 1:8; Mt 28:18-20; 
Jo 20:21, 17:18; I Pe 2:9) e enfrentar todos os obstculos que possam aparecer e principalmente o maior deles: o "Calvrio".

Se quisermos ter uma espiritualidade verdadeira temos que passar pelo Calvrio, devemos seguir Jesus em Seu esvaziamento (Fp 2:6-8), devemos cumprir Sua ordem de 
"negar a si mesmo" e deixar pregado e morto na cruz o nosso "eu", para que gozemos da vida e da espiritualidade de Cristo em ns, ento o amor de Deus revelado na 
cruz encher nossos coraes e seremos impulsionados pelo Esprito Santo para proclamar o evangelho, pois  ele o agente principal da misso.

Portanto, muitos cristos precisam voltar para a Bblia para conhecer a Deus, Sua obra, Seu carter, precisam voltar a Jesus para saber o que  a espiritualidade, 
precisam saber que suas funes enquanto igreja,  anunciar o evangelho, muitos precisam passar pelo Calvrio para saber o que  uma espiritualidade missionria.

Valdir Steuernagel define muito bem a espiritualidade:

"Uma espiritualidade sadia vive na presena de Deus, alimenta-se da Palavra, se expressa em comunidade e se caracteriza por um esprito missionrio"(2).

III - ESPIRITUALIDADE PRTICA NA PERSPECTIVA MISSIOLGICA

Como j foi dito, Jesus  o pilar principal para uma espiritualidade genuna, portanto para vivermos em nosso tempo essa espiritualidade, devemos imitar Sua maneira 
de viver.

Jesus viveu uma espiritualidade integralizadora, de aes concretas. A espiritualidade de Cristo no era apenas celestial, mas tambm terrena, no apenas de orao, 
mas tambm de ao, no apenas de se encher do Esprito, mas tambm de compartilhar dessa plenitude, no era uma espiritualidade isolada, no monte, mas comunitria, 
com pessoas pecadoras. A espiritualidade de Jesus tinha um aspecto vertical, cujo alvo era Deus, e tinha um aspecto horizontal, cujo alvo era o ser humano.

 muito fcil falar sobre o evangelho, falar sobre misses, falar que somos espirituais por que conhecemos um pouco da Bblia, vivemos na igreja, porm  difcil 
viver "nas nuvens", mas agindo constantemente, pois, espiritualidade  trabalho rduo para a expanso do reino de Deus.

O Rev. Jlio Paulo Tavares Zabatiero explica bem em um artigo como isso se sucede:

"Ser espiritual  algo que acontece no dia-a-dia,  medida em que entregamos toda nossa vida, nossos talentos e bens  misso do Reino de Deus" (3).

Espiritualidade prtica no  experincias como cair no cho, dar 'gargalhadas no Esprito' ou momentos de choro, tambm no  sinais sobrenaturais como falar em 
lnguas, profetizar ou ter vises, mas como diz o Rev. Jlio Zabatiero no mesmo artigo citado anteriormente,  o "compromisso dirio e constante com a proclamao 
e a manifestao prtica do reino de Deus" (4).

Devemos vencer todos os preconceitos se quisermos proclamar a manifestar este Reino, devemos vencer preconceitos culturais, geogrficos, religiosos, polticos e 
econmicos para a realizao da obra que Cristo confiou a ns a Sua igreja.

A prtica da verdadeira espiritualidade missionria se faz presente em todas as classes da sociedade, em todos os tipos de sociedade, ou seja, atua no mundo todo. 
John Wesley entendeu isso quando disse: "Minha parquia  o mundo" e tambm "No creio em cristianismo sem converso. E eu no creio em converso sem compromisso 
social". 

Atuar na sociedade como cidado, tambm  tarefa dos filhos de Deus, ou seja, fazer misses no  somente ir falar da salvao mas tambm fazer obras sociais e procurar 
fazer diferena no mundo em que vivemos.

Ademais, para que a prtica de espiritualidade seja efetiva  preciso uma espiritualidade coletiva, ou seja, expressa em comunidade, em que toda a igreja esteja 
orando pelos pases, missionrios e organizaes missionrias, e tambm contribuindo para o sustento dessas misses., pois hoje um dos maiores, se no o maior, problema 
para a propagao do evangelho  a falta de recursos financeiros. E  evidente que cada cristo deve testemunhar todos os dias o evangelho de Cristo, pois isso  
fruto da verdadeira espiritualidade.

IV - ESPIRITUALIDADE MISSIONRIA E PS-MODERNIDADE

Embora Jesus seja a grande razo da nossa vida e o grande fundamento para uma espiritualidade missionria, vivemos em um tempo em que a Bblia, a f, a igreja e 
o prprio Jesus perderam seus significados, um tempo em que no existem mais paradigmas a serem seguidos, o hedonismo  exaltado e tudo o que  objetivo, absoluto, 
irrefutvel, tradicional se tornou relativo, esse  o perodo denominado ps-Modernidade.

Como est , neste perodo a espiritualidade das pessoas?

Ricardo Gondim fala sobre isso: "A ps-modernidade esvaziou a religio formal, mas no conseguiu matar a sede de espiritualidade das pessoas"(5) as pessoas continuam 
sedentas, pois como para elas a existncia de Deus  relativa, no h um alvo de busca, e portanto a sede espiritual permanece, por isso esse perodo  marcado fortemente 
pela crise existencial e espiritual da maioria das pessoas.

Como a misso e a espiritualidade da igreja tem sido afetada com a ps-modernidade?

Ricardo Gondim tambm descreve de forma clara e objetiva como est a espiritualidade da igreja de hoje. Ele diz:

"A espiritualidade dos dias de hoje  narcisista. As pessoas querem o melhor para si e buscam a Deus para crescer e progredir, no para glorific-Lo.  uma espiritualidade 
que no desemboca em MISSO, mas se contenta com a experincia em si"(6)

 exatamente isso que est acontecendo, o evangelho que  pregado hoje  antropocntrico, o que  valorizado so as experincias e no a vivncia, enquanto a viso 
da necessidade do mundo em conhecer a Cristo fica encoberta pelo egosmo dos prprios crentes, muitas pessoas, espalhadas por todo o mundo continuavam morrendo sem 
conhecer Jesus por que a "seara  grande mas os trabalhadores so poucos" (Mt 9:37)

Na ps-modernidade o evangelho passou a ser um produto e no o "poder de Deus para a salvao de todo aquele que cr" (Rm 1:16), a graa j no  mais graa, ela 
 barganhada, a misso perdeu seu carter de servio, os crentes, as igrejas no so apaixonadas por misses, existe uma concorrncia das denominaes para conquistar 
adeptos de sua doutrina, os templos, a liturgia dos cultos, o louvor e a pregao esto deixando de ter a finalidade de agradar a Deus, para agradar a homens. Hoje, 
muitas igrejas no vem o mundo como um campo missionrio, mas como um campo de mercado. A misso deixou de ser misso, para ser "business".

Os cristos no podem deixar que as influncias ps-modernas tornem a misso uma busca por adeptos de um produto chamado evangelho cristo.

Portanto, a Igreja precisa voltar para a s doutrina, precisa voltar para o verdadeiro Jesus, Ricardo Gondim disse: "Para resgatar a espiritualidade da igreja na 
ps-modernidade, urge que se restabelea o esprito do Kerygma cristo"(7). A Igreja de Cristo precisa voltar a conhecer e proclamar o verdadeiro evangelho para 
um mundo to confuso e sem Deus.

CONCLUSO

 um desafio viver uma espiritualidade verdadeira, aquela que  o combustvel que impulsiona, mediante o Esprito Santo, todo cristo para a obra missionria.

Somente possuindo Jesus como referencial e fundamento  que as influncias ps-modernas no iro destruir ou deturpar nossa espiritualidade, cuja finalidade deve 
ser glorificar a Deus atravs da prtica das boas obras e da proclamao do Reino de Deus.

Que Deus ajude Seu povo a viver de fato, uma espiritualidade missionria!

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS.
FIORES, Stefano & GOFFI, Tullo (Orgs); DICIONRIO DE ESPIRITUALIDADE, So Paulo: Paulus, 1.993 
GALILEA, Segundo; O CAMINHO DA ESPIRITUALIDADE, So Paulo: Paulinas, 1.985
GONDIM, Ricardo; FIM DO MILNIO: Perigos e desafios da ps-modernidade na igreja, So Paulo: Abba Press, 1.997
LIMA, ber Ferreira Silveira (Org.); PAIXO MISSIONRIA, Londrina: SMI - IPIB, 1a ed. 1.994
STEUERNAGEL, Valdir; OBEDINCIA MISSIONRIA E PRTICA HISTRICA, So Paulo: ABU, 1.997
NOTAS
(1) Frana, Valdir. Misses: Uma Tarefa para Todos. Londrina, Ed. Monorah, 1996
(2) STEUERNAGEL, Valdir; OBEDINCIA MISSIONRIA E PRTICA, So Paulo: ABU, 1.997 p. 88 
(3) ZABATIERO, Jlio P. T.; ESPIRITUALIDADE MISSIONRIA, Artigo da Secretaria de Misses da IPIB - Londrina, 1.991, no 2
(4) Idem
(5) GONDIM, Ricardo; FIM DO MILNIO: Perigos e desafios da ps-modernidade na igreja, So Paulo: Abba Press, 1.997 p. 30
(6) Idem, p. 81 
(7) Ibidem, p. 90

Parte XII
GIGANTES DA F
ASHBEL GREEN SIMONTON: O PIONEIRO 
 Ashbel Green Simonton (1833-1867) viveu exatamente na metade do sculo XIX. Nasceu 17 anos antes de 1850 e morreu 17 anos depois de 1850. Foi o missionrio norte-americano 
usado por Deus para evangelizar nosso povo e implantar o presbiterianismo em nossa terra. Ele chegou no Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, depois de uma longa 
viagem de navio, solteiro, com apenas 26 anos de idade mas com um chamado imperativo do Senhor e um ardor intenso em seu corao pela converso do povo brasileiro. 
Em 1860 organiza a primeira escola dominical presbiteriana do Brasil com cinco crianas. Em janeiro de 1862 fundou a primeira igreja presbiteriana, na cidade do 
Rio de Janeiro, com a realizao das duas primeiras pblicas profisses de f: Henry Milford, norte-americano e Camilo Cardoso de Jesus, portugus. Em maro de 1862 
viaja para os Estados Unidos a fim de 1) visitar sua me que estava enferma (porm ela j havia falecido antes dele chegar), 2) prestar relatrio  junta de misses 
que o enviara ao Brasil e 3) se casar. Retorna ao Brasil em julho de 1863, casado com Hellen Murdoch. Em junho de 1864 nasce sua filha Mary Cole (a pequena Hellen) 
e, uma semana depois, sua esposa vem a falecer. Ainda em 1864 cria o jornal Imprensa Evanglica. Em 1865 organiza com as igrejas de So Paulo (capital) e Brotas 
(interior) o Presbitrio do Rio de Janeiro. Na data de organizao (17/12/1865)  ordenado o primeiro pastor presbiteriano brasileiro, o ex-padre Rev. Jos Manoel 
da Conceio. So eleitos tambm dois presbteros e dois diconos para a igreja do Rio. Em 1867 organiza um seminrio para a formao de pastores brasileiros. Resumindo, 
Simonton fundou e organizou no Brasil: a primeira escola dominical presbiteriana (1860), a primeira igreja presbiteriana (1862), o primeiro jornal evanglico (1864); 
o primeiro presbitrio (1865) e um seminrio (1867).

Deus levou Simonton ainda jovem. Teve um ministrio curto mas muito frutfero. Morreu acometido de febre amarela aos 34 anos, no dia 09 de dezembro de 1867, na cidade 
de So Paulo. Seu tmulo est no Cemitrio dos Protestantes, ao lado do Cemitrio da Consolao.  JOS MANOEL DA CONCEIO: O N 1 DO BRASIL No dia 17 de dezembro 
de 1865 era ordenado, pelo recm-instalado Presbitrio do Rio de Janeiro, o primeiro pastor presbiteriano brasileiro, o paulista filho de portugueses Rev. Jos Manoel 
da Conceio (1822-1873). Conhecido como o padre protestante, ele no foi apenas o primeiro pastor presbiteriano brasileiro, mas o primeiro pastor brasileiro. Lamentamos 
que as igrejas evanglicas brasileiras no faam desta data o dia nacional do pastor brasileiro. A maioria das igrejas do Brasil prefere comemorar o dia do primeiro 
pastor brasileiro de suas denominaes. Conceio era sacerdote catlico romano quando se converteu ao evangelho. Mas no foi por isso que ele era chamado pelos 
seus contemporneos e entrou para a histria como o Padre Protestante.  que, mesmo antes de deixar a batina, ele j aborrecia os bispos catlicos ao estimular seus 
procos a lerem a Bblia. Quando o Rev. Alexander Blackford (cunhado de Simonton) trabalhava em Brotas, no interior de So Paulo, ouviu falar de certo padre catlico 
romano que lia a Bblia e manifestava interesse por seus ensinamentos. Blackford fez uma visita de cordialidade ao jovem sacerdote. Essa visita veio a ser o ponto 
marcante de mudana na vida de Conceio. Convencido de que a igreja romana no era a verdadeira igreja de Jesus Cristo, partiu para o Rio de Janeiro, a fim de se 
instruir com Simonton, Blackford e Chamberlain. No dia 23 de outubro de 1864, o ex-padre Jos Manoel da Conceio professava sua f em Jesus Cristo como seu Redentor 
e Senhor, tornando-se membro da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Essas notcias espalharam-se rapidamente e atingiram lugares distantes. Figura fundamental 
na expanso do evangelho no territrio nacional, o Rev. Jos Manoel da Conceio, alm de realizar freqentes cruzadas no Rio e em So Paulo, fazia questo de visitar 
a populao do interior, no passando por nenhuma fazenda ou casa pobre sem orar e ler a Bblia com os moradores. Atravs da influncia do ex-padre, as antigas parquias 
catlicas interioranas acabaram se transformando em igrejas evanglicas. Conceio era homem de grande erudio, emotivo e dotado de influncia considervel. Pregava 
com muito zelo e grandes multides vinham ver e escutar o ex-padre. Faleceu no dia 25 de dezembro de 1873, aos 51 anos de idade, no Rio de Janeiro. Seu tmulo tambm 
se encontra no Cemitrio dos Protestantes em So Paulo, ao lado do de Simonton. O padre protestante foi fruto do trabalho dos primeiros missionrios presbiterianos 
norte-americanos que aqui chegaram, a saber, Simonton e seus colaboradores. A converso de Jos Manoel da Conceio incentivou o pequeno grupo de missionrios a 
sair por toda parte pregando o evangelho. Por causa da data de ordenao do Rev. Jos Manoel da Conceio, no dia 17 de dezembro comemora-se o dia do pastor presbiteriano.

Parte XIII
LEVANDO A SRIO A TAREFA MISSIONRIA
Nmeros 13.1, 2, 17-29 
 Este texto fala dos setenta espias enviados por Josu a Cana para buscar um relatrio daquela regio de modo que os planos de conquista fossem elaborados. Havia 
necessidade de toda uma estratgia, de toda uma logstica para que os planejamento de ocupao desse certo. E assim aconteceu. Trouxeram o relatrio. 68 dos 70 espias 
trouxeram notcias boas e notcias ruins. Est em Nmeros 13.27, 28: "Fomos  terra a que nos enviaste. Ela verdadeiramente mana leite e mel! Este  o seu fruto. 
Mas o povo que habita nessa terra  poderoso, e as cidades fortificadas e muitos grandes. Tambm vimos ali os filhos de Enaque". Os "filhos de Enaque" eram os gigantes, 
e os israelitas ficaram assustados, e se amedrontaram, e ficaram pasmos diante da grandeza dos habitantes da terra que pretendiam conquistar. Verso 31: "No poderemos 
atacar aquele povo;  mais forte do que ns."J estavam derrotados! Quem se defronta com uma dificuldade e diz ,"no vou poder enfrent-la", com um obstculo e diz, 
"no vou poder ultrapass-lo", j est derrotado. O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema intitulado "No meio do caminho" que diz:
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas to fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Pode haver dez pedras: a gente passa por cima; empurra no despenhadeiro; escava um tnel e passa por baixo. H tantas opes... Mas eles tiveram medo! 68 derrotados 
que fizeram o povo de Israel acreditar no desanimador relato e querer voltar ao suposto conforto do Egito. Aqui est (14.3), "Por que nos traz o Senhor a esta terra, 
para cairmos  espada, e para que nossas mulheres e crianas sejam por presa?" No nos seria melhor voltarmos ao Egito?"

Rebelio!!! Queriam fazer uma revolta contra Josu, lder designado por Deus. Continua o verso 4, "Levantemos um capito e voltemos para o Egito".
Nesse ponto, Josu e Calebe falaram  congregao e pronunciaram uma declarao que  o objeto do nosso comentrio. Alis,  preciso recordar que o nome Josu  
o mesmo Jesus Isaas e Osas, significando sugestivamente "salvao". No   toa que o grande estrategista da campanha de conquista da Terra Prometida tinha esse 
nome: "Salvao que vem de Deus". E aqui est a sua extraordinria declarao: "A terra pelo meio da qual passamos a espiar  terra muito boa. Se o Senhor se agradar 
de ns, ento nos far entrar nessa terra, e no-la dar" (14.7, 8). Deixemos os israelitas e vamos olhar para a famlia universal de Deus. Mais ainda: vamos afunilando 
e olhemos para o povo evanglico do Brasil. Quais as condies gerais pelas quais esperamos que Deus esteja conosco?.

O FAVOR IMERECIDO DE DEUS
"Se o Senhor se agradar de ns..." Amados, olho para mim mesmo e para a sociedade na qual estou inserido, e nada vejo porque Deus possa me amar, nem a essa sociedade, 
nem a esse mundo.  um mundo perdido. Cantamos um hineto que destaca o amor de Deus e diz no meio de sua letra, "que levou Seu Filho  cruz pra morrer em meu lugar". 
Foi esse amor que nasceu no Seu corao que fez com que Ele olhasse para ns e Se agradasse de ns. Esse amor tem nome: graa H razes para Ele Se agradar de ns? 
No! Nossa concluso s pode ser, "No!". Quando refletimos na nossa pequenez, "No!" Quando refletimos na nossa nulidade, "No!" Quando refletimos na nossa maldade, 
nada pode nos levar a pensar que Deus possa ter um intenso amor por ns. Quando refletimos na nossa culpa, tambm no; quando refletimos na nossa rebelio, tambm 
no. E Paulo chega a asseverar que "todos pecaram, e destitudos esto da glria de Deus" (Rm 3.23). Temos que ter bem na nossa mente o fato de que somos pecadores 
e nada temos em ns que nos faa merecedores da misericrdia divina.

Quando refletimos na nossa falta, falta de conformidade com a semelhana de Deus, mais ainda, quando refletimos em Sua grandeza e em Sua majestade, nada, absolutamente 
nada nos leva a imaginar que Deus pudesse um dia olhar com bondade para ns.

Mas a Bblia diz em Efsios 1. 3 a 6:
"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abenoou com todas as bnos espirituais nas regies celestiais em Cristo. Pois nos elegeu nele 
antes da fundao do mundo, para sermos santos e irrepreensveis diante dele. Em amor nos predestinou para sermos filhos de adoo por Jesus Cristo, para si mesmo, 
segundo o beneplcito da sua vontade, para louvor e glria da sua graa, a qual nos deu gratuitamente no Amado"

Em 2Timteo 1.8, 9, diz ainda o apstolo que "o poder de Deus, que nos salvou, e chamou com uma santa vocao, no segundo as nossas obras, mas segundo o seu prprio 
propsito e a graa que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos".

A OBEDINCIA
Outra indicao que temos  a questo da obedincia. Primeiramente lemos "Se o Senhor se agradar de ns, ento nos far entrar nessa terra, e no-la dar" (14.8). 
A obedincia: "to somente no sejais rebeldes contra o Senhor" (v. 9). Por conta disso, o povo de Israel prometeu que ao entrar na Terra da Promisso no se afastaria 
mais e que no adoraria outros deuses, seno o Senhor.

Um pouco mais: a confiana em Deus  outra razo para que Ele olhe para ns. Vejam bem, o restante do verso 9: "no temais o povo dessa terra, porque como po os 
devoraremos".

A imagem  forte: "vamos devorar o povo dessa terra como se fosse po. A proteo deles se foi, mas o Senhor est conosco, no os temais!" Confiana!!! Porque temer 
 desconfiar de Deus. Agora de uma coisa podemos ter absoluta certeza porque a Bblia o atesta do comeo ao fim:  que Deus Se agrada de ns. Ele chama os comprados 
pelo sangue de Cristo de "meu povo", de "gerao eleita", de "nao santa", de "sacerdcio real" (cf. 1Pe 9). Viram que eptetos espetaculares so utilizados em 
relao aos fiis? A irm faz parte da gerao escolhida de Deus! o irmo  parte deste sacerdcio real!

Que fez Deus por ns, ento? Ele nos favoreceu, Ele nos remiu pelo sangue de Jesus Cristo, Ele nos tem sustentado, Ele nos tem dado Seu Esprito, e tem realizado 
promessas em nossa vida. Que vai acontecer? Diz a parte final de 14.8: "Ento nos far entrar nessa terra, e no-la dar". 

O Brasil  uma linda e boa terra para se viver.  o quarto pas do mundo em extenso, vindo logo aps o Canad, China e Estados Unidos.  o mais extenso pas da 
Amrica Latina. Sua superfcie  de 8.511.965 km. Na poca da sua Independncia, o pas contava com 4.500.000 habitantes. Hoje estamos acima de 170 milhes, num 
acelerado ritmo de crescimento. No entanto, existe uma srie de crescimentos regionais contrastantes, criando diversos Brasis que se tornam desafios para os governos 
e para os crentes em Jesus Cristo. A TV mostrou as gritantes diferenas regionais: os Brasis do Norte e o Nordeste, e os do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, escancarando 
o tremendo contraste entre regio e regio, e entre empregos iguais nessas regies. Apresentou, at, a questo de salrios. Exemplificou com um gerente de uma rede 
de supermercados em Curitiba, Paran, e seu colega de So Lus do Maranho. Enquanto o do Paran recebia determinado bom salrio pelo seu emprego, o nordestino recebia 
um pouco mais da metade do colega sulista. Essa  a injusta diferena do nosso pas.

Temos um Brasil que  moderno, industrializado, o Sudeste, que participa com 2/3 do PIB, e, do outro lado, um Brasil arcaico, agrcola refletindo um forte passado 
colonial. Jos Lins do Rego descreve muito bem esse clima de vida rural nordestina numa pintura primitiva e exata desse mundo nos seus livros, Menino de Engenho, 
Fogo Morto e tantos outros. A populao rural do Brasil, portanto,  um desafio para nossa tarefa missionria.

A populao indgena vem baixando incrivelmente devido a uma srie de fatores. So os conflitos com chamados "civilizados". So as epidemias de gripe, de sarampo, 
de coqueluche. O indgena, portanto,  um desafio para nossa tarefa missionria.

Temos os imigrantes de procedncias variadas: alemes, italianos, russos, poloneses, srio-libaneses, japoneses, portugueses, letos, espanhis, coreanos, hngaros, 
e segue uma enorme lista. O imigrante  um desafio para nossa tarefa evangelizadora.

A populao deste grande pas  na sua maioria romanista, mas o nmero de adeptos do candombl  imenso. Os sem-religio sem em grande nmero, e tornam-se todos 
um desafio dos mais srios para nossa tarefa, o que vale dizer, um desafio para nosso testemunho.

Por esse motivo, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo  chamada a irradiar a verdade e para faz-lo em todos os lugares, em todos os tempos, em todas as circunstncias. 
Somos convocados a apontar  nossa gerao o caminho verdadeiro e vivo especialmente agora, quando a doutrina de Jesus Cristo tem sido torcida, rejeitada e violentada! 
Somos convocados a levar avante o glorioso cometimento que nos foi dado e que se chama ministrio da reconciliao: dizer aos homens que Deus perdoa e que todos 
so chamados a viver debaixo do governo divino.

Esse  o nosso trabalho, a nossa misso. S quando os crentes em Jesus Cristo se tornarem missionrios em suas vocaes, na administrao pblica, na indstria, 
na caserna, no comrcio, no lar, na escola, no stio, na loja, na clnica, em todos os lugares, os homens percebero Jesus como o nico Caminho, a Verdade Absoluta 
e a Vida Eterna.

Essa terra brasileira  um dom de Deus. Temos dificuldades, temos inimigos, perigos, no entanto, com Deus somos a maioria, pois, como diz o texto, "No temais o 
povo desta terra... A proteo deles se foi, mas o Senhor est conosco. No temais".

Parte XIV
MATEUS 24.14 E A MISSIO DEI
"E ser pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as naes. Ento, vir o fim" (Mt 24.14) 
1. Missio Dei: o termo e seu significado
Em um trabalho lido na Conferncia Missionria de Brandemburgo, na Alemanha, em 1932, Karl Barth tornou-se um dos primeiros telogos a articular a misso como atividade 
de Deus mesmo. Do incio ao fim da conferncia a influncia de Barth foi crucial. O influxo de Barth no pensamento missionrio atingiria seu auge na Conferncia 
de Willingen em 1952. Em Willingen reviveu um antigo termo (que veio dos tempos da patrstica [sculos II-V] com as famosas discusses trinitrias): Missio Dei. 
Foi l que a idia da missio Dei emergiu,pela primeira vez, de maneira clara. Compreendeu-se a misso como derivada da prpria natureza de Deus. Ela foi colocada, 
pois, no contexto da doutrina da Trindade, no da eclesiologia ou da soteriologia. Outro nome que se destacou na Conferncia de Willingen foi o de George Vicedom, 
autor da famosa obra Missio Dei: An Introduction to the Science of Mission. A nfase de Vicedom foi: "Deus  o sujeito ativo da misso. Deus o Pai enviou o Seu Filho, 
e ambos enviaram o Esprito Santo. A Trindade envia a igreja e os crentes em particular, para cumprir a tarefa da Grande Comisso". 

Um seja, Pai, Filho e o Esprito Santo enviando a igreja para dentro do mundo. 

Na Conferncia de Willingen reconheceu-se que a igreja no poderia ser nem o ponto de partida nem o alvo da misso. A obra salvfica de Deus precede tanto a igreja 
quanto a misso. No se deveria subordinar a misso  igreja e, tampouco, a igreja  misso; pelo contrrio, ambas deveriam ser inseridas na missio Dei que se tornou 
ento o conceito abrangente. A missio Dei (misso de Deus) institui as missiones ecclesiae (misses da igreja). A igreja deixa de ser a remetente para ser a remetida. 

Em tempos mais recentes temos o sul-africano David Bosch como um dos principais expositores da missio Dei. Bosch morreu em 1992 num acidente de carro na frica do 
Sul aos 62 anos de idade. Sua magnum opus "Transforming Mission: Pradigm Shifts in Theology of Mission" apresenta a missio Dei como tema dominante. 

A misso no  primordialmente uma atividade da igreja, mas um atributo de Deus. Deus  um Deus missionrio. Compreende-se a misso, desse modo, como um movimento 
de Deus em direo ao mundo; a igreja  vista como um instrumento para essa misso. "Participar da misso  participar do movimento de amor de Deus para com as pessoas, 
visto que Deus  uma fonte de amor que envia" (Bosch). 

Nossa misso no tem vida prpria: s nas mos do Deus que envia pode-se denomin-la verdadeiramente de misso. Nossas atividades missionrias s so autnticas 
na medida em que refletirem a participao na misso de Deus. A missio Dei  atividade de Deus, a qual abarca tanto a igreja quanto o mundo e na qual a igreja tem 
o privilgio de poder participar. 

2. Mateus 24.14 e a missio Dei 

O que temos em Mateus 24.14  uma promessa? Na verdade h nessa passagem bblica muito mais que promessa. As promessas normalmente vm acompanhadas da condicional 
"se". Por exemplo: As promessas das bnos decorrentes da obedincia e dos castigos da desobedincia de Israel em Levtico 26 esto todas condicionadas. Disse Deus: 
"Se andares nos meus estatutos, guardardes os meus mandamentos e os cumprirdes, ento, eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo; e a terra dar a sua messe, e rvore 
do campo, o seu fruto" (vv3,4). "Mas, se no ouvirdes e no cumprirdes todos estes mandamentos", etc. (v14). "Mas, se confessarem a sua iniqidade e a iniqidade 
de seus pais, na infidelidade que cometeram contra mim, como tambm confessarem que andaram contrariamente para comigo", etc. (v40). Bem mais adiante Deus diria 
a Salomo: "Se andares nos meus caminhos e guardares os meus estatutos e os meus mandamentos, como andou Davi, teu pai, prolongarei os teus dias" (1Rs 3.14). 

O que temos em Mateus 24.14  uma profecia preditiva. Jesus profetizou que o Seu evangelho ser pregado por todo o mundo. E Ele disse isso quando tinha apenas doze 
frgeis discpulos. Ele sabia que um deles iria tra-lo, que outro iria neg-lo e que no Getsmani todos fugiriam de medo. Como era possvel Jesus fazer uma predio 
dessa natureza diante de tais circunstncias?  porque Ele  o Deus da verdade e tem poder para cumprir todas as coisas (cf. Jo 14.6; Mt 28.18). 

A profecia de Mateus 24.14 no est condicionada  vontade humana. Sendo assim, no tem sentido a pergunta que s vezes se faz: "Ento, se no pregarmos o evangelho 
Cristo no voltar?". A vinda de Cristo no est condicionada a nossa boa ou m vontade em se pregar o evangelho. Cristo vir depois que o evangelho for pregado 
a todas as naes porque Ele disse que assim ser. Ele no vir independente do evangelho ser pregado primeiro (cf. Mc 13.10). O evangelho ser pregado no mundo 
todo para testemunho a todas as naes, e ento vir o fim. 

Com freqncia pregadores bem intencionados usam Mateus 24.14 para apelos do tipo "voc pode estar retardando a vinda de Cristo por no pregar o evangelho ao seu 
vizinho, aos seus amigos, a uma tribo no-alcanada", etc. Desse modo, acabam descambando para a chantagem emocional, alm de semearem mais confuso teolgica do 
que motivaes evangelstica e missionria.  verdade que em 2Pe 3.11,12 est escrito: "Visto que todas essas cousas ho de ser assim desfeitas, deveis ser tais 
como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus..."; mas qual o significado da expresso "apressando a vinda do 
Dia de Deus" nessa passagem? Naturalmente que por "Dia de Deus" Pedro se refere ao Dia do Senhor; a parousia de Cristo (cf. 2Pe 3.10). Quanto ao termo "apressando", 
o comentrio que Russell Champlin faz desse texto parece ser bastante esclarecedor. Diz ele que 1) Alguns eruditos assumem a idia de que podemos "literalmente apressar" 
a vinda do citado dia, mediante o evangelismo. Dificilmente esse  o sentido dessa palavra, embora, isoladamente, ela pudesse ter tal significado. 2) Outros pensam 
que a idia aqui  a de "desejar anelantemente". Esse  um significado legtimo do vocbulo grego, mui provavelmente o sentido tencionado pelo autor sagrado. A traduo 
do texto grego de Champlin de 2Pe 3.12 : "desejando ardentemente a vinda do dia de Deus". 

3. A responsabilidade missionria da igreja 

Depois da Conferncia Mundial de Willingen (e mesmo em Willingen, no relatrio americano), o conceito de missio Dei sofreu uma modificao gradual. No estgio dos 
relatrios preparatrios sempre se referia  divisa "God's Mission, Not Ours" (A Misso de Deus, No a Nossa). As pessoas que apoiavam uma compreenso mais ampla 
do conceito tenderam a radicalizar o ponto de vista de que a missio Dei era maior que a misso da igreja, mesmo a ponto de sugerir que ela exclua o envolvimento 
da igreja. Aparentemente, a igreja se tornou desnecessria para a missio Dei: "Ns no podemos 'articular' a Deus. Em ltima anlise, 'missio Dei' significa que 
Deus articula a si mesmo,
" preciso que se note que esta profecia no proclama a aceitao universal da mensagem de Cristo, mas to-somente que a mensagem ser largamente divulgada" (Champlin). 
A ARC (Almeida Revista e Corrigida) tenta resolver o problema com a seguinte traduo: "apressando-vos para a vinda do dia de Deus", contudo, ela parece ir alm 
do que o original grego realmente pretende dizer. Em grego o verbo spudo pode ser traduzido como "apressar" ou "desejar ardentemente", dependendo do contexto. 
sem necessidade alguma de que o auxiliemos nesse sentido atravs de nossos esforos missionrios"; e "Deus no tem qualquer necessidade da contribuio missionria 
dos cristos". 

 claro que nem a igreja; nem qualquer outro agente humano pode, alguma vez, ser considerado o autor ou a origem da misso. A missio Dei  uma obra exclusiva do 
Deus Trino, Criador, Redentor e Santificador por amor ao mundo; porm,  atravs da igreja que Deus operacionaliza Sua misso de amor ao mundo. A missio Dei no 
anula a responsabilidade da igreja na evangelizao do mundo. Muito pelo contrrio. A missio Dei exige as missiones ecclesiae. A profecia de Mateus 24.14 no exclui 
a igreja. Jesus conta com homens e mulheres que o amam para serem testemunhas dEle a todos os povos atravs dos tempos. Esse  um ministrio do qual a igreja tem 
o privilgio de poder participar. 

Muitas vezes dizemos que "amamos ao Senhor" e que "Ele  tudo de bom que ns temos". "Ns o amamos e por Ele entregamos a nossa vida",  o que dizemos tambm. Entretanto, 
existe algo no corao de Deus que nem sempre est no corao dos filhos de Deus: a paixo pelos perdidos. s vezes ns, pastores e lderes, temos dificuldade para 
inculcar em alguns a coisa mais natural da vida crist: Misses. 

O corao de Deus  um corao missionrio. A obra missionria est no corao de Deus. Est no seu? "Deus tinha um nico Filho e fez dele um missionrio", disse 
David Livingstone. Jesus teve seus seguidores e fez deles missionrios. A igreja do Senhor foi edificada com o propsito de proclamar as virtudes daquele que nos 
chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (cf. 1Pe 2.9). Por que somos to egostas? Por que pensamos tanto em ns mesmos? No basta dizer (como algumas vezes 
temos ouvido): "Eu no tenho nada contra misses".  preciso envolvimento e compromisso com a obra do Senhor. Precisamos amar o trabalho missionrio. Existem misses 
porque Deus ama as pessoas. Temos que gostar do que Deus gosta e amar o que Deus ama. Misses no  um dom,  uma responsabilidade em amor da qual voc e eu no 
podemos ficar fora dela. 
A questo principal "No  se eu impeo ou no a volta de Cristo, mas se Ele vai me achar envolvido com a tarefa missionria quando Ele voltar para recolher os Seus. 
No  o orgulho de ser indispensvel para o plano de Deus, mas a percepo humilhante de que Deus tem outros instrumentos disponveis mas escolheu me dar a oportunidade 
de ser til em Sua seara" (C. Osvaldo Pinto). 
Soli Dei Gloria.

Parte XV
MISSO SE FAZ COM ORAO (E JEJUM TAMBM!) 
 "E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Esprito Santo: Separai-me, agora, Barnab e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Ento, jejuando, e orando, 
e impondo sobre eles as mos, os despediram" (At 13.2,3). Jos Martins disse corretamente: "A orao  a essncia da obra missionria. No  s uma atividade necessria 
ao sucesso da obra -  a obra em si.  a prtica mais missionria possvel, quando vivida de maneira bblica".  evidente que Martins no quer dizer que orao e 
misses so a mesma coisa, e sim, que essas duas atividades devem vir interligadas uma na outra. Nunca  demais enfatizar a importncia da prtica da orao na obra 
missionria.

Quando o Esprito Santo ordenou que a igreja de Antioquia separasse Paulo e Barnab para a obra que os tinha chamado, a igreja estava em orao. Esta verdade est 
implcita e explcita em Atos 13.2 e 3, respectivamente.

Implicitamente porque o versculo dois diz o seguinte: "E, servindo eles ao Senhor, e jejuando...". O fato da igreja estar jejuando subentende-se que ela estava 
tambm orando. Seria incoerente pensar que uma igreja que estava adorando a Deus e jejuando no estivesse em orao. Nem toda orao  feita em jejum, mas todo jejum 
bblico  feito com orao. Alm disso, temos uma evidncia explcita de que a igreja de Antioquia realmente orava naquela ocasio: "Ento, jejuando e orando..." 
(v3). No sabemos ao certo se o jejum do verso 3  o mesmo do verso 2. Pela urgncia do chamado do Esprito, tudo indica que sim. Mas se  o mesmo ou deixa de ser, 
no  to importante sabermos. Basta saber que a igreja de Antioquia era uma igreja de orao e que fazia da orao a base de sua misso.

 provvel que o exemplo da igreja de Antioquia tenha marcado positivamente o ministrio de Paulo. Paulo foi um homem de orao e recomendava s igrejas que orassem 
por ele e pela expanso do evangelho de Jesus Cristo.

Agora, mais do que simplesmente orar, a igreja de Antioquia era uma igreja que exercia a prtica do jejum.  impressionante a nfase que Lucas d ao jejum na igreja 
de Antioquia. Em Atos 13.2 ele diz que a igreja jejuava, e no menciona a orao, embora sabemos que ela tambm orava, conforme dissemos acima. No verso 3, do mesmo 
captulo 13, Lucas coloca a palavra "jejuando" na frente de "orando". No texto grego  a mesma coisa: nestusantes kai proseuxamenoi. A ordem das palavras  significativa 
e no pode ser menosprezada, como parece fazer a maioria dos autores que consultamos.

A nfase de Lucas  importante por duas razes pelo menos: 1) No devemos pensar que a igreja de Antioquia jejuava porque trazia resqucios do judasmo. Esta no 
seria uma forma interessante de se pensar, primeiro porque Lucas era gentio (provavelmente da cidade de Antioquia da Sria) e, por isso mesmo, qual o interesse dele 
em dar tanta nfase a uma prtica estritamente judaica? Segundo, a igreja de Antioquia foi uma das igrejas mais anti-judaicas do passado, naquilo que se refere s 
prticas religiosas do judasmo. Direta ou indiretamente o Conclio de Jerusalm de Atos 15 aconteceu em razo desse anti-judasmo-cerimonialista. 2) Acreditamos 
que Lucas fez questo em enfatizar a prtica do jejum pela igreja de Antioquia, primeiramente para mostrar que jejum e orao no so incompatveis na vida de uma 
igreja e, em segundo lugar, mostrar como esta prtica era (e deve ser) valorizada no meio de uma igreja verdadeiramente missionria. Se muitas de nossas igrejas 
tm falhado na prtica da orao, e falhado mais ainda em rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara, em interceder pelos missionrios e orar 
pela obra missionria de um modo geral, o que dizer ento da prtica do jejum em nossas igrejas? Acredito que as igrejas histricas tm falhado at agora em subestimar 
a importncia do jejum na vida do povo de Deus. Quantos so os membros destas igrejas que jejuam? Quantos de seus pastores jejuam? Muitos de ns mal oramos, diga-se 
de passagem. Na minha prpria denominao, Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), aprendi: "Sem o propsito de santificar de maneira particular qualquer outro dia 
que no seja o dia do Senhor, em casos muito excepcionais de calamidades pblicas, como guerras, epidemias, terremotos, etc.,  recomendvel a observncia de dia 
de jejum ou, cessadas tais calamidades, de aes de graas" (Princpios de Liturgia, XI). Se o povo de Deus tiver que jejuar "em casos muito excepcionais de calamidades 
pblicas, como guerras, epidemias, terremotos, etc.", conforme prescrevem os princpios de liturgia da IPB, dificilmente existir um dia de jejum neste pas! Que 
o jejum deve ser praticado em dias de calamidades pblicas no questionamos, pois a Bblia nos d vrios exemplos disso. Mas ser que devemos jejuar somente em casos 
muito excepcionais de calamidades pblicas? Da forma como foi redigido o princpio para a prtica de jejum na IPB, ao invs de estimular o crente a pratic-lo, ele 
faz exatamente o contrrio. No que o princpio fora escrito com o objetivo de desestimular quem quer que seja, porm, na prtica  o que tem acontecido. Creio que 
o captulo sobre jejum deveria ser revisto pela IPB, primeiro porque ele no expressa corretamente a realidade brasileira e tambm por no apresentar uma definio 
mais completa do verdadeiro conceito bblico de jejum. Apesar da Igreja Primitiva ter vivido momentos de muitas provaes, nada indica que naquela ocasio especial 
de Atos 13 a igreja de Antioquia estivesse jejuando e orando porque passava por momentos difceis. Pelo contrrio, o contexto prximo (cap. 12) indica que a Igreja 
Primitiva, de modo geral, estava vivendo um dos seus melhores dias. Pedro havia sido libertado milagrosamente da priso e um dos maiores inimigos da igreja, o rei 
Herodes Agripa I, foi morto mediante a interveno de um anjo do Senhor. Enquanto isso, "a palavra do Senhor crescia e se multiplicava" (At 12.24). A igreja de Antioquia 
buscava a presena de Deus pelo simples prazer de estar servindo a Deus. E continuou assim quando enviou seus missionrios e os sustentou com fervorosas oraes. 
Que Deus conceda  igreja brasileira a graa de ser uma igreja que se alegre em estar em Sua presena, intercedendo dia aps dia pela obra missionria do Brasil 
e do mundo.

Parte XVI
MISSES OU ADORAO?
UM PERSPECTIVA REFORMADA DE MISSES 
 Qual  a principal tarefa da igreja? Em resposta a esta pergunta, temos ouvido: "Misses  a principal tarefa da Igreja" ou "Se a Igreja no  missionria, ento 
no  Igreja". No h dvida, de que misses  uma prioridade da Igreja, mas no  a prioridade ltima. Na verdade, a Adorao a Deus o . E isto porque Deus  o 
nosso alvo, e no o ser humano. John Piper diz que quando esta era terminar e representantes de toda raa, tribo e nao estiverem dobrados diante do Cordeiro de 
Deus, a obra missionria no mais ter razo de existir na igreja. Mas o Culto, continuar a existir. Quando chegarmos ao fim dos tempos e todos os redimidos estiverem 
diante do trono de Deus, misses no sero mais necessrias. Misses representa apenas uma necessidade temporria da Igreja, mas o Culto a Deus permanecer para 
todo o sempre.

Relao entre Adorao e Misses
Notem como o escritor do Salmo 67 faz a relao entre a adorao e misses, mas colocando a adorao como prioridade ltima. No verso 1 ele declara:"Seja Deus gracioso 
para conosco, e nos abenoe, e faa resplandecer sobre ns o rosto; (Adorao); no verso 2 ele mostra a prioridade penltima da igreja "para que se conhea na terra 
o teu caminho e, em todas as naes a tua salvao" (Misses) e no verso 3 ele menciona o objetivo das misses que  a glria de Deus e no o bem estar dos homens 
"Louvem-te os povos,  Deus; louvem-te os povos todos". 
(Glorificar a Deus).  imprescindvel destacar que primariamente, no  por compaixo pela humanidade que compartilhamos nossa f; , acima de tudo, por amor a Deus. 
Portanto, se eu no amar a Deus, no estarei apto a fazer misses. 

Isaas tambm registra a sua experincia de adorao e misses no captulo 6 de seu livro. Nos versos 1 a 7 vemos o profeta no templo em adorao e tendo a viso 
da graa perdoadora do Senhor e no versos seguintes, no auge de sua contemplao do Senhor o vemos respondendo ao desafio missionrio: "Eis-me aqui, envia-me a mim". 
Primeiro, eu tenho meu corao aquecido na adorao e depois dedico-o ao servio missionrio.

A adorao  a mais nobre atividade da qual o ser humano, e to somente pela graa de Deus,  capaz de realizar; enquanto misses  o maior desafio que ele recebe 
como resposta e estmulo da sua atividade como adorador. 

O zelo pela glria de Deus no culto motiva a obra missionria 
Talvez algum possa questionar: Por que esta ordem de prioridade  to importante que seja estabelecida? Respondemos que, quando as pessoas no esto maravilhadas 
pela grandiosidade de Deus, no podero ser enviadas para proclamar a mensagem: "grande  o SENHOR e mui digno de ser louvado, temvel mais que todos os deuses" 
(Sl 96.4). 

"A paixo por Deus no culto precede a oferta de Deus na pregao". Ningum pode divulgar com convico aquilo que no estima com paixo. No poder clamar, "Alegrem-se 
e exultem as gentes" (Salmo 67.4a) aquele que no pode afirmar no seu corao, "eu me alegrarei no SENHOR" (Salmo 104.34b; 9.2). Quando a paixo por Deus est fraca, 
o zelo por misses certamente ser fraco tambm.

As igrejas que no exaltam a majestade e a beleza de Deus dificilmente podero acender um desejo efervescente para "anunciar entre as naes a sua glria" (Salmo 
96.3). 

Andrew Murray fez um pronunciamento h mais que cem anos onde relacionou a Adorao e Misses com as seguintes palavras:

Quando buscamos saber por que, com tantos milhes de cristos, o verdadeiro exrcito de Deus que est enfrentando os exrcitos da escurido  to pequeno, a nica 
resposta : falta de corao e entusiasmo. O entusiasmo pelo reino de Deus est faltando, porque h to pouco entusiasmo pelo Rei. 

Ningum poder se dispor  magnitude da causa missionria se no experimentar a magnificincia de Cristo (Apocalipse 15.3-4; cf. Salmos 9.11; 18.49; 45.17; 57.9; 
96.10; 105.1; 108.3; e Isaas: 12.4; 49.6; 55.5)

Conclumos fazendo meno da primeira pergunta do Catecismo de Westminster que diz: "Qual  o fim principal do ser humano?" E a resposta correta : "O fim principal 
do homem  glorificar a Deus e goz-Lo para sempre."  dentro desta perspectiva, que afirmamos que a prioridade ltima da Igreja do Senhor  Glorificar a Deus e 
como resultado desta adorao, a obra missionria ser realizada.

Parte XVIII
CARTER MISSIOLGICO DA ESPERANA CRIST 
INTRODUO
Esta monografia tem como objetivo mostrar que a esperana crist  o fator motivador para a prtica missiolgica da igreja. Assim sendo, o nosso estudo estar baseado 
no termo "esperana " que expressa a expectativa ou o ato de esperar, dando-nos a idia de um objeto ou algo esperado. Embora sabemos que o objeto ou o produto desta 
expectativa  Cristo, esse estudo descrever os momentos de profunda experincia de Deus com o seu povo, de tal forma que levou pessoas  formulao de uma compreenso 
eficaz ao cumprimento da misso da igreja a partir de Cristo.
Esta compreenso toma forma no Antigo Testamento, onde a esperana era vista como o ato de esperar, ansiar, aguardar. Todos esses verbos do a conotao de que a 
esperana do povo de Israel estava baseada em Jav e estava intimamente ligada com o ato de confiar. Assim, no AT, o povo mantinha a expectativa a partir da relao 
de espera e confiana. Jav era, portanto, o motivo da esperana para o povo que nele confiava. J no Novo Testamento, a situao que no AT se descreve como esperana, 
agora  caracterizada como sendo o j de Deus para o povo com a presena do Deus encarnado. Aquilo que antes era futuro, agora se torna presente com a revelao 
de Cristo, mudando o carter da esperana em si. Por causa da presena de Cristo, a esperana no NT  reformulada em relao ao seu contedo. A esperana adquire 
um sentido duplo diante do Deus presente: ao agora  preciso acrescentar o ainda no, acrescentando tambm a esperana no Cristo e o esperar por ele.

Assim, estaremos trabalhando a fundamentao bblico-teolgica da esperana crist, a metodologia missiolgica da esperana crist e a esperana crist como articuladora 
de uma misso contextualizada, entendendo sempre que o carter missiolgico da esperana deve ser visto e analisado a partir do Cristo crucificado, e vai em direo 
s promessas da ao de Deus no "j" e no "ainda no", no importando a nossa situao, mas tendo conscincia de que a nossa f est baseada em Cristo, na sua obra 
e exemplo, bem como no seu esperado retorno.

I - FUNDAMENTAO BIBLICO-TEOLGICA DA ESPERANA CRIST

Neste primeiro captulo, estaremos aprofundando o estudo da Esperana Crist a partir da fundamentao bblico-teolgica. Focalizaremos algumas passagens bblicas 
pertinentes ao tema, acreditando que as narrativas bblicas exemplificam a anlise da tradio bblica e a prtica reflexiva como teologia.

1.1 Em o Antigo Testamento:

1.1.1 A misso dos patriarcas  baseada na esperana da promessa e das bnos As passagens vtero-testamentrias da esperana judaica tornar-se-o modelo cristo 
a partir dos temas bno e promessa.

Em Gnesis 1: 28, Deus abenoa a Ado e Eva com a misso de que eles frutificassem e multiplicassem sobre a terra. Alm desta misso, havia a promessa da bno 
de domnio sobre a criao. Assim, o que impulsionava Ado a cumprir a sua misso era o fato de que a ddiva e a bno por parte de Deus so fatores motivadores 
para o cumprimento de sua misso. Em Ado, Deus mostra que a sua bno  determinada pelo cumprimento da misso que ele outorga aos homens, entendendo que a misso 
de Ado era clara e definida e que ele esperava a manifestao da bno e da promessa. Em Gnesis 9: 8-17, vemos a ao de Deus chamando No para a misso de preservar 
a raa humana a partir da promessa de que Ele no mais a destruiria. O cumprimento desta misso teve como fator bsico a bno para toda a raa humana.

A partir de Gnesis 12, temos o chamado de Deus para Abrao e a confirmao de que nele seriam benditas todas as famlias da terra. Abrao responde ao chamado com 
f nas promessas e nas bnos. A f lhe foi exigida, porque em sua misso encontrou, por vrias vezes as dificuldades que foram vencidas pela f em Deus, que deu 
origem  sua misso. Essa f iniciou-se com Abrao que na histria da sua vida viu a misso que Deus tinha para ele cumprir, mas que apontava para um fim maior que 
haveria de realizar-se. Moltmann nos d um perfil interessante no que diz respeito ao espao do crer na realizao do prometido:

Se uma palavra  palavra de promessa, isto significa que ela ainda no encontrou sua correspondncia na realidade, mas est em contradio com a realidade presente 
e experimentvel... a palavra da promessa sempre cria um tempo intermedirio, carregado de tenso que se estende entre o evento e a realizao da promessa.

Assim, Deus chama Abrao com o objetivo de alcanar todas as outras naes da terra. O propsito de Deus em Abrao era mostrar ao mundo o caminho da salvao e fazer 
com que todos pudessem gozar das promessas e das bnos feitas a ele. Assim sendo, Deus usa Abrao para um propsito maior - alcanar as naes. Com o nascimento 
de Isaque (Gnesis 21), Deus mostra a Abrao a sua fidelidade e responde de forma concreta a todas as promessas feitas a ele, pois  em Isaque que Deus vai dar continuidade 
para s suas promessas de abenoar a todos os povos.

Essa bno se torna presente em Jac (Gnesis 32: 22-32), pois Deus comea a lanar os fundamentos para o povo que seriam instrumentos para refletir a sua glria 
entre as naes, o povo de Israel. Em Jos, ns podemos ver como a fidelidade de Deus atua, mesmo que de modo estranho ao levar Jos para o Egito como escravo e 
abenoando-o, a ponto de promov-lo aos mais altos escales da corte, para preservar seu povo e tambm para abenoar os egpcios e os povos vizinhos naquele tempo 
de calamidades.

A partir de xodo 12, encontramos Moiss que se destaca como uma figura bastante significante para o contexto de misso no Antigo Testamento. Ele  enviado para 
a misso de resgatar o povo de Israel e fazer dele um canal de bno para as naes. Isso acontece a partir da libertao do povo que estava cativo, oprimido e 
sob o domnio de fara. Vale ressaltar tambm que Deus usa Moiss, no apenas para libertar o povo, mas para ser o condutor do povo na formao da nao, na elaborao 
do seu culto e das suas leis, enfim, na expresso da sua f.

Assim no xodo, Deus cumpre sua promessa, libertando seu povo da escravido e do cativeiro. Em Moiss, Deus mostra que o xodo  a base para a tipologia crist que 
antecipa a obra redentora de Cristo. Assim, a ao salvfica de Deus no passado se tornou a base da esperana e da confiana que a salvao poderia ser conhecida 
como uma experincia na histria humana, e no somente um evento alm da histria atual.  Considerando a promessa e a bno como elementos de uma esperana judaica 
primitiva, a cristandade tomou-as como precursoras de uma teologia bblica desenvolvida na cultura helnica, romana e gentlica do sculo I.  certo que a Igreja 
Primitiva levou em considerao o aspecto da esperana crist inaugurada em Cristo como tambm o cumprimento da promessa e da bno.

1.1.2 A misso dos profetas  baseada na esperana do reino messinico
Considerando o movimento proftico como um fenmeno da urgncia crtica do perodo monrquico da nao de Israel, entendo que h elementos suficientes para uma anlise 
quanto ao aspecto da esperana que alcanou momentos histricos decisivos para o povo. Quero referir-me a alguns profetas que, inspirados pelo Esprito de Deus (Isaas 
61:1-2; Miquias 3:8), refletiam a crise social, econmica e poltica com fortes argumentos teolgicos. Essas explanaes, todavia, comearam a ser imitadas por 
um nmero muito significativo de profetas tanto palacianos (Deutero-Isaas) como campesinos (Ams), pois o perfil proftico desses anunciadores traziam em suas mensagens 
a voz de lahweh, inaugurando um novo perodo: o reino messinico.

Falar sobre o reino messinico no perodo dos profetas  detectar cuidadosamente as estruturas escatolgicas que o tema da esperana judaica proporcionou ao povo 
Por exemplo, a crise econmica do reinado de Jud prejudicou sensivelmente os camponeses por causa dos altos impostos que indicaram para os profetas menores, o anncio 
de uma converso da injustia social para uma vida digna e respeitada. Os profetas desse perodo caracterizavam a esperana a partir de uma reconverso do reinado 
monrquico, ou seja, o rei, os sditos, os profetas, os sacerdotes, o exrcito e at mesmo o povo seriam alcanados pelo reino do Messias, pois a injustia social 
seria aniquilada.

O que significaria ento essa esperana no reino messinico? Certamente, os profetas traziam um anncio voltado para uma figura poltica, sacerdotal, proftica e 
humana, pois o Messias seria o representante justo de Deus entre o povo.  nesse contexto simblico-figurativo que o Messias deixa de ser imagem e memria, ideal 
e fico e, fenomenologicamente falando, torna-se a esperana de realizao num homem que satisfaria os ideais divinos de justia. Afinal, era ao rei que cabia a 
funo de administrar o mishphat e o tsadq (justia e direito). Sendo assim, os profetas anunciam um reino messinico como uma repulsa ao reinado dos reis que no 
exerciam cabalmente a funo digna e justa. Embora o ritual da uno do rei fosse uma indicao de que o mesmo fra escolhido por Deus, os profetas anunciam um rei 
que  o prprio Deus: o Renovo Inaugura-se um novo momento na histria de Israel: a esperana de que o reino messinico seja efetivamente inaugurado.

A esperana judaica do reino messinico  descrita por vrios pesquisadores como manifestaes histricas: quando Davi comea a construo do templo, Nat o adverte 
do seu pecado de adultrio como sendo a decadncia do seu reinado. A histria dos cronistas narra episdios de uma estrutura familiar real totalmente desvinculada 
do contexto da justia divina. Certamente, o reinado davdico no  o messinico, pois a injustia dentro do prprio palcio  praticada por aquele que era tido 
como o escolhido de Iahweh. J, no reinado de Salomo, a injustia  mais acentuada: o sistema tributrio para manuteno do templo, palcio e oligarquias tribais 
(sistema de prefeituras), denominado corvia, opunha-se totalmente ao projeto j outrora declarado por lahweh (comp. 1 Reis 2:1-4). A partir de Salomo, a monarquia 
sofre divises, ms estruturaes, principalmente no aparato litrgico, religioso e cerimonial. Doravante, a nao de Israel e Jud vo ser dominadas e o povo vai 
sentir-se desesperanado. A resposta histrica da esperana messinica somente  descrita pelos profetas que presenciaram o retorno do cativeiro babilnico comandado 
pelo rei persa Ciro. Este momento histrico  considerado messinico porque a nao passa por uma renovao tnica, os valores da tradio javista, eloista, sacerdotal 
e deuteronomista voltam a ser lembrados e os novos lderes so escolhidos a partir do contexto da justia e do direito margeados pela experincia e vivncia do cativeiro. 

Concluindo, o perodo proftico dentro da histria de Israel  caracterizado como um anncio da esperana judaica de um reino messinico. Esse reino, todavia seria 
comandado por lahweh, visto que administraria o direito e a justia ao povo.

1.2 Em o Novo Testamento
1.2.1 A misso de Jesus  cumprir a esperana da salvao
Dentro da teologia bblica desde Gnesis, Deus j inclura em seu projeto de criao do universo o resgate do homem dominado pelo pecado (Gn 3:1-15). Essa misso 
em resgatar a humanidade, por iniciativa divina, concluiu-se em Jesus. Sua misso foi a de cumprir o resgate da humanidade, doando-se gratuitamente e cumprindo satisfatoriamente 
a vontade de Deus-Pai. Esse cumprimento da misso deve ser entendido escatologicamente dentro do contexto da soteriologia, pois Jesus  quem inicia e Cristo  quem 
concretiza a esperana soteriolgica. No so duas pessoas, mas sim duas caractersticas essenciais da funo divina que representa a esperana e a salvao. Cristo 
 a consumao de uma misso permeada pela esperana que a criatura tinha de ser resgatada pelo seu Criador.

Dentro do plano bblico de salvao, Cristo  o enviado de Deus para cumprir a esperana soteriolgica da vontade divina. Sendo assim, Ele se torna a Missio-Dei 
de uma esperana divina compartilhada com a humanidade. Jesus cumpre essa misso porque  Deus que salva.

1.2.2 A misso de Jesus  inaugurar a esperana do Reino de Deus
O aspecto escatolgico da misso de Jesus  o de inaugurar a temtica do reino de Deus como uma nova esperana: a da prtica da justia. O Reino de Deus  inaugurado 
por Cristo porque concentra em si a esperana da humanidade. Ele cumpre os aspectos do reino messinico j anunciado pelos profetas vtero-testamentrios. A misso 
de Jesus ao inaugurar o Reino de Deus, coloca-se em duas situaes de concretizao: a primeira  o de fundamentar o contedo do Reino de Deus, e a segunda  o de 
identificar os efetivadores desse reino: o novo homem em Cristo. Portanto, a misso de Jesus traz juntamente consigo elementos visveis da esperana no anncio do 
Reino de Deus, ou seja, os sinais visveis do Reino de Deus. O primeiro sinal do reino  a presena de Jesus no meio do seu povo. Essa presena traz como resultado 
final a alegria, paz e celebrao (Lc 17:21; Mt 18:20). O segundo sinal do reino de Deus  a pregao do evangelho, ou seja, o Kerigma. Pois no havia at ento 
evangelho para ser pregado. Assim, a vinda de Cristo inaugura o tempo da proclamao. Um tempo de anncio das boas novas a todos, especialmente aos pobres (Lc 4:18 
- 19; 7:22). O terceiro sinal do reino foi o exorcismo. A idia aqui apresentada  a de que a possesso demonaca  real e terrvel, sendo que a libertao s  
possvel atravs de um encontro de poderes no qual o nome de Jesus prevalece. O quarto sinal do reino foram as curas e os milagres realizados por Jesus, dando viso 
aos cegos, curando enfermos, dando audio aos surdos, fazendo coxos andar, ressurgindo mortos, acalmando tempestades, multiplicando po e peixes, tudo isso no 
s apontando para a realidade da chegada do reino, mas eram prenncios do reino final, em que os problemas vividos pelos homens seriam banidos para sempre. O quinto 
sinal do reino  o milagre da converso e do novo nascimento. O encontro com Deus e com o poder salvador do evangelho, faz do homem nova criatura (II Cor 5:17). 
Um sexto sinal  o povo do reino1 em quem se manifesta o que o apstolo Paulo denomina de "fruto do Espnto" (GI 5:22-23). Assim sendo1 fica claro que o reino de 
Deus  governado por paz, amor, alegria, bondade, longanimidade, benignidade, fidelidade, mansido, domnio prprio. O stimo sinal do reino  o sofrimento. No exemplo 
de Cristo ns temos o paradigma para a nossa atuao como efetivadores deste reino. Foi necessrio que ele sofresse a fim de entrar na sua glria. Cristo sofreu 
por ns, deixando o exemplo maior para que pudssemos mostrar um sinal concreto para todos de que recebemos a salvao de Deus, ou seja, do seu reino. Concluindo, 
fica bastante claro que todos esses sinais apontam para uma esperana inaugurada em Cristo.

1.2.3 A misso de Jesus  criar expectativas de vida
Aps vermos que a misso de Jesus era inaugurar a esperana do reino de Deus, vamos agora ver a conotao que essa misso vai assumir em relao  criao de expectativas 
de vida. Vale ressaltar, que o significado da esperana dos contemporneos de Jesus est intimamente ligada na pluralidade do conceito vtero-testamentrio visto 
anteriormente. O que caracterizava essa poca era a expectativa messinica. A idia aqui apresentada  de um libertador da nao. J na pluralidade da poca de Jesus, 
encontramos quatro tipos de expectativas: a primeira, chamada de apocalptica, entendia que o presente estava entregue a poderes malignos e fadado a desaparecer. 
Haveria todo tipo de desgraa como terremotos, fome, fogo, guerras e depois surgiria um novo tempo, repleto de paz e justia num mundo eterno onde a morte e todas 
as configuraes malignas estariam vencidas. A Segunda, chamada de rabnico-farisica, adotou elementos da apocalptica e desenvolveu um tipo de escatologia semelhante, 
que unia as diversas esperanas a respeito dos tempos finais. H, evidncia do carter poltico-nacionalista de esperada manifestao do reino de Deus. O povo, privado 
de fora poltica, vivia esta expectativa no legalismo. Desta forma, constatamos

O Reino de Deus ser erigido quando ele libertar Israel da escravido, sob os povos do mundo, por meio de poderosos sinais, histricos o csmicos, e obrigar os povos 
a reconhec-lo como Senhor. J o terceiro grupo tinha tambm sentimentos apocalpticos e era formado pelos essnios. Consideravam-se o nico Israel verdadeiro. Para 
esse grupo a espera do Messias davdico foi relacionada a pessoa do Messias de Israel, viso essa extrada do Antigo Testamento. O quarto e ltimo grupo  o mais 
radical. So os Zelotas, que no se contentavam em esperar calmamente a vinda do Messias, mas desejava sua vinda atravs da luta armada. Eram profundamente nacionalista 
e traduziam sua expectativa em uma prtica guerreira de libertao, com o objetivo de forar a realizao do reino por meio da fora.  nesse contexto de espera 
que aparece a pessoa de Jesus, o Messias. A expectativa do Antigo Testamento de lahweh iria intervir na histria. O Verbo se faz carne (Jo 1:14); Deus tornou-se 
homem, o Todo-Poderoso apareceu na terra e veio ao encontro do homem. Em Jesus, o dia mundial da salvao chegou como o grande dia de Deus. Aquilo que era futuro, 
tornou-se presente nele uma realidade j presente entre os homens (Lc 10:23; 11:20; 17:20)

Portanto, em Jesus, a expectativa de vida se faz presente. Jesus assume a misso de gerar vida, colocando a esperana sob uma nova perspectiva. Em Jesus, a esperana 
se torna uma realidade concreta, gerando uma expectativa nova para as pessoas. Essa nova expectativa gera tambm um novo tempo: um tempo de paz, de amor, de justia 
e sade. Gera um tempo de celebrao, um tempo de festa, algo que s a misso de Jesus faz tornar realidade. Essa misso, portanto, traz uma nova expectativa, pois 
ele cumpre aqui e agora e aponta suas aes e palavras como sendo um acontecimento salvfico do fim dos tempos.

1.3 Na Teologia Paulina
1.3.1 A ressurreio escato-cosmolgica de Jesus enquanto paradigma missiolgico O apstolo Paulo coloca na base angular de nossa esperana o evento pascal e ps 
pascal e a unio com ele (1 Tess. 4:14). A ressurreio de Jesus, e em conseqncia, a dos fiis so aes salvficas de Deus (1 Cor 15: 22 5) A pregao da ressurreio 
era uma esperana viva. Ela elimina todas as dvidas acerca da autenticidade da reivindicao de Jesus, alm disso, se a ressurreio de Cristo no fosse um fato, 
a experincia na estrada de Damasco no teria passado de um sonho apenas e nada convenceria Paulo disso. Ele sabia que Cristo havia ressuscitado. Esse era portanto 
o fator determinante para a ao missiolgica de Paulo: O Cristo ressurreto! Para o apstolo tudo o que se refere a Jesus Cristo  portanto, objeto de esperana 
e de ao missiolgica, especialmente a sua ressurreio. Desta forma, o pensamento escatolgico de Paulo une sempre o evento da ressurreio de Jesus no contexto 
da expectativa escatolgica, em relao aquilo que h vir e a espera do futuro  sempre baseada no evento Cristo.

1.3.2 A misso de Paulo na confeco escatolgica da esperana crist
O apstolo Paulo teve um papel muito salutar na confeco do conceito escatolgico da esperana crist. Afinal, no fra fcil para ele conscientizar os cristos 
acerca dessa realidade, pois a influncia judaica (acerca do messianismo) e a grega (a respeito da utopia filosfica) so religies ou sistemas j muito bem estruturados 
e de difcil acesso. Dessa forma, pode-se afirmar que a misso de Paulo foi a de compor a metodologia teolgica necessria para se conceber a esperana crist. Para 
o apstolo, a f  o critrio para se compreender a esperana (Romanos 1:16-17). Ela  o sujeito, pois o objeto da esperana , normalmente, escatolgico: a glria 
de Deus, a esperana reservada nos cus (CI 1:5), a graa que ser concedida na revelao (escatolgica) de Jesus Cristo. Era preciso que o apstolo desse aos cristos 
a segurana necessria aos obstculos enfrentados: o sofrimento, a desesperana, a injustia, a opresso, s doenas etc. O amor tambm ocupa uma salincia na trade 
paulina (1 Corntios 13:13, pois f, esperana e amor so dons a serem exercitados), veiculado pela expectativa da comunho em Cristo pelo Esprito. Sendo assim, 
essa construo do amor entre f e esperana ajuda a concepo paulina para estabelecer conceitos, diretrizes e medidas pastorais a favor das comunidades primitivas.

A variedade das experincias, pelas quais Paulo orientou as comunidades a suportarem, resultou como elementos didticos da preocupao apostlica em redescobrir 
novos horizontes para a f crist. Esses horizontes foram vistos nos personagens bblicos (Rm 4:18), naquilo que no vimos ou sentimos (Rm 8:24; Hb 3:6), na glria 
de Deus (Rm 5:2); na libertao do pecado (Rm ~:20), na salvao do justo (Rm 8:24), na alegria dos justificados (Rm 12:12), na libertao do perigo (2 Cor 2:10) 
etc. Enfim, vrias passagens que estruturam o pensamento de Paulo, alm,  claro, de conciliar a misso, a glorificao de Deus e a unidade do Corpo.

1.3.3 Temas e Figuras paulinas para a misso da esperana 
A esperana tem uma misso: tornar eficiente a f crist e proporcionar expectativas queles que so alcanados por ela. Para isso, o apstolo Paulo desenvolveu 
temas e figuras que exemplificam a sua eficcia. Queremos, ento, esboar os temas e as figuras.

FIGURAS: Tempo (kairs) 
TEMAS: Juzo e misericrdia pela ao
de Deus na Histria 

FIGURAS: pocas (kronos) 
TEMAS: Rememoraes dos feitos de Deus 

FIGURAS: Reino (basilia) 
TEMAS: Paradigma de restaurao e manifestao da graa de Deus 

FIGURAS: Israel 
TEMAS: Referencial da tipologia Povo de Deus
com um ministrio definido 

FIGURAS: Alturas/Nuvens 
TEMAS: Dimenso escatolgica da soberania de
Deus/referencial para a glorificao divina 

FIGURAS: Esprito Santo/poder/autoridade 
TEMAS: Poder de Deus/essncia  qualidade
dos cristos na evangelizao 


FIGURAS: Testemunhas
TEMAS: Proclamao/Servio/referencial para o sofrimento cristo 

FIGURAS: Confins da Terra 
TEMAS: Dimenso Extra territorial da pregao 

FIGURAS: Viso/discernimento 
TEMAS: Testemunho da experincia crist,
p. exemplo a ressurreio de Cristo 

FIGURAS: Palavra 
TEMAS: Conforto/Consolo 

FIGURAS: Glria 
TEMAS: riao de uma expectativa extra- temporal;
dimenso escatolgica da promessa e
bno inauguradas pela esperana crist 

FIGURAS: Parousia de Cristo 
TEMAS: Expectativa da redeno final da criao/
consumao do projeto de Deus 

FIGURAS: Cu 
TEMAS: Referencial de oposio ao
baixos domnios territoriais 

Percebe-se que os temas encontrados nas figuras paulinas no so uma limitao do significado que ela encerra, mas uma tentativa de explicar e exemplificar o propsito 
da experincia crist. Sendo assim podemos afirmar que essas figuras tinham uma misso: concretizar na mente dos cristos que a realidade da esperana era a catalisadora 
dos sofrimentos, das desesperanas, das injustias, das estruturas opressoras e desumanas. Em cada uma delas, o contexto neo-testamentrio  provedor de um ao 
realizadora da misso da esperana.

II- METODOLOGIA MISSIOLGICA DA ESPERANA CRIST

A seguir, apresentaremos os mtodos missiolgicos que podem ser encontrados na Esperana Crist. Para o estudo dessas correntes escatolgicas de interpretao da 
esperana crist, iremos considerar a nfase missiolgica que cada uma tem se proposto a oferecer. 2.1 A Esperana se realiza na f em Cristo
(C.H. Dodd)
Cristo veio cumprir a vontade do Pai, morrendo e ressuscitando. Ele possibilitou essa realizao, pois cumpriu cabalmente os desgnios divinos, determinando o cumprimento 
dos eventos escatolgicos a partir da sua encarnao, morte, ressurreio e exaltao. E , ademais, na parousia que se encontra um novo aspecto dessa escatologia 
cristolgica: nEle tudo se cumprir (Romanos 11:33-36). Os temas com respeito ao julgamento e juzo divinos no se referem aos aspecto escatolgico, mas sim apocalptico 
(consumao). Assim sendo, o reino j est consumado e realizado em Cristo. No entanto, h vrias concepes de interpretao com metodologias que necessitam ser 
aprofundadas.

No caso de Dodd, encontramos a f como concretizadora dessa esperana. A f se torna o instrumento de medida para a realizao dessa esperana. Os intrpretes julgam-na 
necessria para que a esperana crist se junte s estratgias de evangelizao e que cada ato missionrio revele a misso crist enquanto f escatolgica.

 mister, portanto, o ministrio pastoral voltar-se a essa prtica de f enquanto promotora da misso. A prtica pastoral  um ato de f em Cristo. Mesmo com respeito 
aos futuros desafios que a Ekklesia ter que realizar, a f ser ainda um elemento escatolgico de realizao crist. Enfim, a comunidade que cr  a que espera 
a realizao do futuro.

2.2 A Esperana est em realizao pela pregao do Evangelho (Cullmann)

Cristo  considerado como o escats, como agente da realizao escatolgica divina em processos diferenciados pela vontade do Pai, ou seja, no Antigo Testamento 
o sentido escatolgico da esperana era ilustrado pelas alianas de Deus com seu povo; em o Novo Testamento a escatologia divina  manifestada no Filho e executada 
pelo Esprito, mas no futuro, ela ser consumada na parousia. Assim sendo, somos ensinados pelo Esprito nas questes que ho de vir.

 salutar que a posio de Cullmann seja pautada na pregao do Evangelho, uma vez que o aspecto kerigmtico do cristianismo  essencialmente escatolgico. Tudo 
indica que esta interpretao  uma dialtica do j e ainda no O primeiro seria entendido como uma condio, ou seja, pregar o Evangelho. J o segundo como resultado-conseqncia,
 isto , a realizao da esperana pela pregao. A comunidade condicionada  pregao, anuncia a realidade da esperana na vida crist e, em conseqncia disto, 
a mesma comunidade goza dos resultados dessa pregao. Resta-nos, apenas entender como fica a misso, uma vez que a compreenso da Grande Comisso (Mateus 18:18-20; 
Marcos 16:15-17; Lucas 24:47-49; Joo 20:19-23; Atos 1:6-11)  de carter imperativo e no condicional. Da, entende-se que a esperana est em realizao (o ainda 
no). 2.3 A Esperana est condicionada  prxis eclesiolgica (Weiss e Schweitzer)

O paradigma escatolgico  Cristo, logo, todos os elementos de sua escatologia so conseqentes a ns. Essa corrente v o reino como essencialmente escatolgico 
e supra terreno. Esta  a posio que defende o reino futuro. Ela estabelece parmetros de medida e ao eclesiolgica, no permitindo uma outra maneira de reconhecer 
a manifestao da esperana seno pela prtica crist.  claro que no est se referindo  presena crist, mas sim  prtica missiolgica pela Igreja.

Por vezes, pode ser confundida com a corrente anterior, mas ela est querendo abranger a estrutura que a Ekklesia possui para concretizar a esperana enquanto catalisadora 
da misso.  relevante, pois permite  atual missiologia refletir sobre os esquemas de prtica crist dentro das prprias estruturas que igrejas e agncias missionrias 
possuem.

2.4 A Esperana  inaugurada em Cristo (Fuller)

Tem como objetivo, enfatizar a missiologia a partir da escatologia. Cristo tambm  o paradigma escatolgico. Ele  o inaugurador da nova concepo da parousia no 
Novo Testamento. Essa compreenso d-nos uma viso apocalptica da volta de Cristo, ou seja, a pregao se torna emergente, o tema da volta de Cristo  o contedo 
prioritrio da evangelizao. Desta forma, Jesus inaugura uma nova viso de messianismo. E a exigncia  a f.

Esse paradigma escatolgico  o cumpridor da misso inaugurada em Cristo. Favorece os meios de atuao missionria a partir da esperana. Como isso se d? Pela inaugurao 
em Cristo.  escatolgico pelo aspecto apocalptico, na manifestao de Cristo, a esperana se realiza enquanto fator consumador. A misso se cumpre e oferece duplo 
aspecto: o da libertao em Cristo se inaugura a esperana salvfica patrocinada pela misericrdia do Pai; e o outro o da condenao, que explicita a justia no 
julgamento do Pai.

2.5 Reao s Metodologias: A Esperana Crist via paradigmas escatolgicos de planto prejudica a misso da Igreja

Quando olhamos a esperana crist a partir dessas metodologias, via escatlogos de planto, perdemos a verdadeira noo do reino de Deus e da misso da igreja, porque 
o que importa na realidade  lembrar que no  presente, nem futuro, ou seja, no est totalmente no presente, nem somente a realizar-se no futuro. H uma relao 
dialtica entre presente e futuro, pois:

O reino de Deus no  apenas futuro e utopia,  presente e encontra concretizaes histricas. Por isso deve ser pensado como um processo que comea no mundo e culmina 
na escatologia final. Em Jesus encontramos a tenso dialtica sustentada adequadamente; por um lado a proposio de um projeto de total libertao, que podemos entender 
como reino de Deus, e, por outro, mediao (gestos, atos, atitudes) que o traduzem processualmente na histria. Por um lado o reino  futuro, por outro lado  presente 
e est perto.

Desta maneira, em Cristo, a realidade do reino vai alm do que um estado comandado por Deus. Significa tambm o cumprimento da vontade do Pai. Assim sendo, a misso 
da igreja deve ter como fator motivador a esperana crist, baseada na promessa da parousia em um futuro desconhecido.

III- A ESPERANA CRIST COMO ARTICULADORA DE UMA MISSO CONTEXTUALIZADA

Nesse captulo, a Esperana Crist ser tratada enquanto elemento de articulao para a efetivao da misso no contexto latino americano. E salutar que essa articulao 
decorre das experincias histricas vividas nesses 500 anos de colonizao e evangelizao. O tema da justia  algo que ainda percorre na Amrica Latina como carro-chefe 
da esperana crist.  a misso proftica da Igreja que articular essa esperana.

3.1.1 A Igreja  cumpridora de uma misso encarnada na Esperana Crist

A eclesiologia latino-americana volta  prtica de uma teologia encarnacional, pois o cumprir missiolgico se d quando a presena crist efetiva a esperana na 
transformao da realidade atual. A vida na Amrica Latina precisa sofrer uma conscientizao a partir do papel missiolgico da Igreja. Essa funo s se cumprir 
se ela inaugurar um novo imperativo da escatologia crist. No  pois desconsiderar o papel de Cristo na redeno universal da criao, mas extrapolar o sentido 
que a esperana tem para a misso da Igreja. Em poucas palavras, a Igreja  a responsvel pela conscientizao da sociedade no cumprir da misso que gera novidade 
de vida.

Se a igreja  a cumpridora da misso, qual o melhor contedo para expressar essa verdade. Dizemos, pois que se encontra na esperana crist. Em Tito 2:11-13, h 
a promessa da manifestao da esperana e da glria em Cristo. A igreja experimenta a vida de Cristo porque espera na manifestao de sua glria. Diramos que a 
esperana crist incentiva-nos a um carter revolucionrio: esperamos porque acreditamos na transformao da Amrica Latina. Sendo assim, a Ekklesia tem a misso 
de encarnar essa esperana e cumpri-la cabalmente, pois todos aguardam a bendita esperana da manifestao da glria de Cristo (cfe verso 11).

Esse sentido escatolgico de que a misso da igreja se encontra na encarnao da esperana crist  vivido pela f que a comunidade crist tem na concretizao do 
reino anunciado por Jesus para o tempo presente. O encarnar-se  colocar em funcionamento a misso da Igreja. No  um aspecto tico-moral apenas, mas proftico, 
pois anuncia a graa salvadora a todos os homens. Para ns, portanto, latino-americanos, somos desafiados a cumprir a esperana crist.  preciso que o ministrio 
pastoral volte-se  encarnao da esperana como cumpridor da misso integral da Igreja. Somente atravs de uma prtica encarnacional da esperana  que a Ekklesia 
motivar e cumprir a misso na Amrica Latina.

3.2 O contedo da Esperana em Cristo  a misso educativa da Igreja com alcance  liberdade O ministrio educativo da Igreja possui tambm um aspecto escatolgico. 
Entende-se esse ministrio aliado  misso integral da Igreja com a perspectiva de liberdade. O cristo, conhecendo a Cristo, alcana a liberdade como paradigma 
de uma misso educativa. Essa apologia pode ser esquematizada pelos seguintes elementos:

a) A Palavra: , pois, na proclamao que os cristos compreendem o poder da esperana enquanto agente catalisador da esperana. O ministrio da Palavra  essencial 
no entendimento da esperana que liberta;

b) A comunho: gera uma esperana viva, eficaz e solidria na comunidade a ponto de extrapolar o sentido da liberdade, haja vista as comunidades crists primitivas 
surgirem de um contexto de libertao da opresso e dos opressores;

c) O Esprito: tambm  agente catalisador da esperana que liberta. Ele renova a alma (mente) humana dando novas estruturas de pensamento, linguagem e intenes. 
 o Esprito que possui a funo de ensinador (Joo 14:26) e direcionador da verdade;

Uma comunidade que tem como contedo o ministrio educativo da esperana enquanto libertadora, se preocupa em traar estratgias de atuao no cumprimento da misso, 
pois educa para o reino de Deus, para a justia e para o futuro (esperana crist). Esta ltima  a responsvel pela realidade da liberdade humana. A Igreja  a 
promotora da esperana que liberta. Para isso, ela deve contextualizar o ministrio educativo, trazendo em seus currculos o contedo da esperana crist com vistas 
 libertao.

3.3 A Esperana Crist se cumpre na prtica da justia

A justia  tema constante na teologia bblica e sistemtica. Ela precipua a esperana crist, pois exige praticidade de uma f que realiza milagres na histria 
humana. Pode-se dizer que a prtica da justia  a afirmao da esperana que salva, justifica e liberta.  salutar, em nosso contexto latino-americano, o cumprimento 
da justia, pois, efetiva e concomitantemente, ela executa a esperana crist. 

Que diremos pois da esperana que no cumpre a justia de Deus?  incua, ineficaz e irrelevante. A comunidade que anseia pela honestidade, pelos valores morais 
direcionados ao prximo, pela filantropia e pela fraternidade  aquela que volta seus olhos ao anncio da justia e coloca em prtica esses elementos de transformao. 
A comunidade uma vez justificada cumpre a justia de Deus na expectativa de viver pela f a esperana da realizao do reino na vida presente.

Eis, pois, o desafio lanado  eclesiologia latino-americana: converter-se  justia, pratic-la e viver na esperana do reino de Deus. Atualmente, vive-se uma expectativa 
de realizao do anncio proftico contra a injustia, mas  preciso, agora, cumprir esse anncio: da teoria, do palanfratrio, da ineficcia para a prxis crist, 
ou seja, ser mais prtico, dinmico, contextual e proftico. A Igreja latino-americana vive a expectativa do anncio do reino, mas anseia pelo cumprimento dele em 
nosso meio.

3.4 A Esperana Crist se realiza na Amrica Latina: propostas de uma misso evangelizadora

A partir do Clade III, ficou decidido na confisso de Evangelizao pelos documentos finais do Congresso, que o ide  para todos e, parafraseando Atos 1:8... e sereis 
minhas testemunhas tanto em Jerusalm, Galilia, Sarnaria e at os confins da terra... a comear pela Amrica Latina. Entendemos que o contedo da esperana na evangelizao 
ocupa um espao relevante na misso da Igreja. Dessa maneira, os congressos, consultas, conferncias e eventos evangelsticos tiveram um papel de amadurecimento 
quanto  questo de expressar o sentido escatolgico da evangelizao. Para tanto, a caminhada  rumo s propostas de uma misso evangelizadora.

As teologias contemporneas de misso vm de encontro  tradio bblica para expressar a ao evangelizadora da Igreja, observando o contexto da cultura, da raa 
e do ambiente de atuao. Missilogos tm se preocupado nessa rea, favorecendo-nos com ideais diferentes de misso, mas que so essencialmente contextuais. Vamos 
estudar trs modelos bsicos de uma proposta de misso evangelizadora com vistas  esperana crist.

3.4.1 Ren Padilha: servindo os pobres
na Amrica Latina

A proposta de Padilha  a de apresentar o ministrio integral numa perspectiva bblica. , pois, atravs dessa abordagem que ele prope uma avaliao teolgica dos 
tipos de ministrios j desenvolvidos at ento. Sua concluso  de que todos foram frutos de uma misso conquistadora de territrios, ideologias eclesisticas e, 
sobretudo, de estratgias evangelsticas.

Ao avaliar a situao da Amrica Latina, prope uma teologia de misso evangelizadora contextual e de transformao social, ou seja, servindo os pobres. No  uma 
rememorao  Teologia da Libertao, mas sim uma resposta evanglica  Teologia Contempornea de Misso. No que diz respeito s estratgias, comprova-se:

At muito recentemente, a evangelizao feita pelas igrejas evanglicas era, em boa parte , "desencarnada". Estava dirigida para a salvao da alma, mas passava 
ao largo das necessidades do corpo. Ela oferecia a reconciliao com Deus por meio de Jesus Cristo, mas deixava de lado a reconciliao do ser humano com seu prximo, 
que se baseia no mesmo sacrifcio de Jesus Cristo. Ela proclamava a justificao pela f, mas omitia toda e qualquer referncia  justificao social enraizada no 
amor de Deus pelos pobres. 

Compreendo tais dimenses da evangelizao no ministrio integral, podemos dizer que o carter missiolgico da esperana crist  o do servio aos necessitados da 
Amrica Latina.  uma misso voltada  prtica diaconal semeada pela esperana de Cristo.  mister, portanto, que o ministrio pastoral (integral e contextual) seja 
o da esperana crist que viabiliza a evangelizao da Amrica Latina.

3.4.2 Orlando Costas e a Evangelizao contextual

O segundo modelo  mais teolgico. Orlando Costas prope tambm uma Evangelizao contextual tanto nos fundamentos bblico-teolgicos quanto nos pastorais. Fiquemos 
com o primeiro, pois relata a Trindade como paradigma de uma misso evangelizadora contextual. Esse modelo1 todavia, requer uma conscientizao global da Ekklesia, 
pois busca encarnar em seus membros a ao transformadora do evangelho.

Se atentarmos para a temtica da esperana crist, compreenderemos que a responsabilidade missionria da Igreja para a Amrica Latina resulta nas quatro teses defendidas 
por Costas:

A evangelizao contextual envolve o testemunho da igreja em todas as partes e em todo momento na presena da ao do Deus trino.

A evangelizao contextual requer a imerso da igreja na origem da histria humana e da histria trina de Deus.

A evangelizao contextual oferece  Igreja a oportunidade de fazer uma contribuio significativa  reconciliao do mundo com Deus e consigo.

A evangelizao contextual no deve ser entendida na igreja como uma atividade que se faz em tempo parcial por um grupo de especialistas, mas sim como um ministrio 
que pertence a todo o povo de Deus. 
Entende-se, portanto que a esperana crist se cumpre na Amrica Latina quando a Igreja encarna e vive a trindade.  claro que esse ponto teolgico deve ser melhor 
definido: o ministrio pastoral deve elaborar meios de articulao da prxis evangelizadora com vistas ao envolvimento dos santos no servio do Reino.

3.4.3 Leonardo Boff: 500 anos de evangelizao

A anlise feita por Boff  histnco-teolgica. Sua apreciao sobre o pano-de-fundo da colonizao e evangelizao latino-americana  pertinente  nossa pesquisa, 
pois no h realizao da esperana crist seno a feita na histria humana e divina. , portanto, uma ajuda  reflexo histrica da prpria realizao da esperana 
crist. Pode-se afirmar que as conseqncias de realizao do reino de Deus a partir da esperana crist no contexto latino americano  o de uma volta  histria 
e, paulatinamente, uma recomposio desta observando os critrios de injustia opostos aos de justia ou seja, recontar a histria a partir dos vencidos ou oprimidos.

Sendo assim, Boff diz que a misso da Amrica Latina se realiza na antecipao da esperana crist que, comunica os aspectos do profetismo na evangelizao, to 
peculiares  atual pastoral latino-americana: o sentido da justia na sociedade hodierna. Basta-nos, ento, encontrar as razes da interpretao escatolgica da 
esperana crist dominante para, tambm, ser aludida  voz proftica da Igreja missionria que liberta, emancipa e transcende o conceito da volta de Cristo.

A Amrica Latina comunica aos seus habitantes o sentido original da esperana crist a partir de uma misso evangelizadora Da, entende-se, primariamente, a reconquista 
histrica do povo de Deus: Havendo Deus, outrora falado, muitas vezes e de muitas maneira aos nossos pas pelos profetas. Hoje, de certa forma, tem nos falado atravs 
da histria de evangelizao da Amrica Latina (Hebreus 1:1).  o momento de enxergar as conquistas  realidade da esperana crist no continente latino americano.

IV - CONCLUSES

4.1 A Esperana Crist  missiolgica porque apresenta nica e exclusivamente Cristo

Entendemos que a esperana crist  missiolgica porque tem como base e fundamento a pessoa de Cristo.  em Cristo que a nossa esperana est firmada, assim sendo, 
a esperana crist passa a ter um novo carter, entendendo que a vitria de Cristo j foi ganha na ressurreio e na cruz, onde Cristo triunfou sobre a morte. Desta 
forma, a esperana crist assume uma nova concepo, pois somos motivados a proclamar o reino de Deus, a partir da vitria de Cristo. O reino de Deus portanto, j 
no  algo futuro, mas bem presente entre ns. E  neste presente que podemos afirmar "venha o teu reino". Quando fazemos esta afirmao, estamos vivenclando o carter 
missiolgico da esperana que est em ns. Apresentamos a Cristo como a nossa motivao e esperana maior. Cristo  portanto, a razo da nossa esperana.

4.2 No existe misso se baseada numa metodologia de escatlogos plantonistas

Ao vislumbrarmos o reino de Deus dentro das concepes do j e do ainda no, fica claro que a nossa atuao, do ponto de vista da proclamao do evangelho est totalmente 
prejudicada por causa da definio dos escatlogos de pIanto. Se somos movidos a proclamar e ter esperana a partir dessas metodologias, com certeza a nossa motivao 
no estar firmada na verdadeira esperana, que transforma-nos a partir da vitria de Cristo sobre a morte, mas sim determinada pela viso de uma metodologia que 
nos aponta para uma verdadeira apatia proftica.

Com esta viso, os escatlogos de planto mostram que a sua teologia no  uma teologia engajada e comprometida com as transformaes sociais que a Amrica Latina 
tanto clama. Assim sendo, no podemos enquanto igreja aceitar de forma passiva a idia daqueles que pensam misso a partir dessas metodologias. Devemos pensar em 
misso, a partir da viso de que a igreja no espera edificar o reino de Deus sobre a terra, nem cristianizar a sociedade. A nossa esperana  escatolgica, mas 
seu servio e seu testemunho so o sinal bem presente dessa esperana e do domnio de Cristo em nossas vidas.

4.3 A misso da Igreja  motivar a humanidade  f em Cristo e esperar na realizao do Seu Reino

Quando a igreja atravs do anncio proftico fala  humanidade sobre o reino de Deus, ela motiva as pessoas  f em Cristo. Assim sendo, falar do reino de Deus  
falar do propsito redentor de Deus para toda a criao e da vocao histrica que a igreja tem em relao a este objetivo no aqui e agora.  tambm falar de uma 
realidade escatolgica que constitui simultaneamente o ponto de partida e a meta da igreja. A misso da igreja, consequentemente, s pode ser entendida  luz do 
reino de Deus. E j que este reino foi inaugurado em Jesus Cristo, no  possvel entender corretamente a misso da igreja sem entendermos a prpria misso de Jesus. 
 a manifestao, ainda que incompleta do reino de Deus, tanto por meio da proclamao, como por meio do ensino, comunho e ao social. Desta forma, a igreja como 
comunidade do reino produz sinais visveis e estes devem ser direcionados aos cativos e perdidos. O viver da comunidade ento,  o antecipar da presena do reino 
de Deus no meio do povo.

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Parte XIX
O QUE  MISSO? 
 Existe hoje uma confuso generalizada no meio dos cristos, a respeito do que  misso. Assim como antigamente, hoje tudo se convencionou chamar de misso. Ora 
se tudo  misso, nada  misso, diz Stephen Neill.

Tentar definir misso no  tarefa fcil.  claro que houve uma evoluo natural do termo ao ponto de "misso" incluir tudo, porm sem se identificar com esse todo. 
Pr exemplo misso no  sinnimo de evangelismo, pois se tudo que a Igreja fizer for chamado de evangelismo, ento nada  realmente evangelismo. 
No dizer de John Stott, "misso" significa atividade divina que emerge da prpria natureza de Deus". Foi o Deus vivo quem enviou a seu filho Jesus Cristo ao mundo, 
que enviou pr sua vez os apstolos e a Igreja. Enviou tambm o seu Esprito Santo  Igreja e hoje envia aos nossos coraes.

Da surge a misso da Igreja como resultado da prpria misso de Deus, devendo aquela ser modelada pr esta. Para que todos ns entendamos a natureza da misso da 
Igreja, precisamos entender a natureza da misso do Filho. No podemos pensar em misso como um dos aspectos do ser Igreja, um departamento, mas como afirma o Dr. 
J. Andrew Kirk, "a Igreja  missionria pr natureza ao ponto de que, se ela deixa de ser missionria, ela no tem simplesmente falhado em uma de suas tarefas, ela 
deixa de ser Igreja." 

Para ns entretanto, no nos resta outra opo a no ser entender a misso a luz do ministrio de Jesus. O que implica em dizer que misso  ser enviado; "Assim 
como o Pai me enviou, eu tambm vos envio a vs" (Joo 20:21). Primeiramente ao mundo. Johannes Blauw, em a Natureza Missionria da Igreja, diz que "No h outra 
Igreja, que no a Igreja enviada ao mundo". Fomos enviados para que nos identifiquemos com outras pessoas, pois de fato o que Jesus fez foi se identificar conosco 
assumindo nossos pecados, experimentando nossa fraqueza, sendo tentado e morrendo a nossa morte. Somos enviados pr Cristo para encarnar as necessidades das pessoas, 
necessidades espirituais e materiais num mundo cada vez mais hostil. Em segundo lugar, se compreendermos a misso de Jesus corretamente, vamos descobrir que ele 
veio ao mundo tambm com a misso de servir. Charles Van Engen ao citar Dietrich Bonhoeffer diz, "a Igreja existe para a humanidade no sentido de ser o corpo espiritual 
de Cristo e - a semelhana de Jesus -  enviada como serva". Marcos 10:45 diz que "o prprio Filho do homem no veio para ser servido, mas para servir e dar a sua 
vida em resgate por muitos". A nossa misso como a dele deve ser uma misso de servio. Quero concluir com um outro texto de John Stott dizendo que: "Misso, antes 
de tudo, significa tudo aquilo que a Igreja  enviada ao mundo para fazer." Sendo que na sua caminhada ela deve mostrar a vocao da sua misso que  ser enviada 
ao mundo para ser Sal da terra e enviada ao mundo para que lhe sirva de Luz do mundo.

Bibliografia
A Misso da Igreja no Mundo de Hoje, So Paulo, ABU Editora e Viso Mundial,1982. BLAUW, Johannes, A Natureza Missionria da Igreja, So Paulo, ASTE, 1962. KIRK, 
Andrew J., What is Mission? Theological Explorations, London, Darton, Longman and Todd Ltd., 1999. STOTT, John., Christian Mission in the Modern World, USA, InterVasty, 
1975. ENGEN, Charles Van,. Povo Missionrio, Povo de Deus, Por uma redefinio do papel da igreja local., So Paulo, Vida Nova, 1996.

Parte XX
O QUE  MISSO TRANSCULTURAL 
 No podemos falar sobre misso transcultural sem pelo menos tentar entender o que  cultura. Muitas vezes dizemos que fulano tem muita cultura porque ele ouve msica 
clssica, gosta de teatro ou sabe usar todos os garfos e colheres que esto na mesa durante um jantar sofisticado. E dizemos que uma pessoa no tem cultura quando 
no se comporta de modo "civilizado". Cultura, no entanto envolve toda a criao humana. Ela  constituda do estilo de vida de toda uma sociedade, ou de um grupo 
especifico dentro da mesma.

Portanto, quando falamos de misso transcultural, estamos falando do esforo da Igreja em cruzar qualquer fronteira que separe o missionrio de seu pblico alvo. 
Para se engajar na misso transcultural, voc no tem que, prioritariamente cruzar barreiras poltico-geogrficas. Porm, em nosso caso teremos que necessariamente 
cruzar barreiras mais conhecidas como a da lingstica, dos costumes, das etnias, das religies, alm das sociais, morais e etc. 

 difcil para muitos falar sobre a tarefa da misso transcultural, quando muitas outras tarefas ainda continuam, diante da Igreja de Deus, por serem realizadas 
em nosso prprio contexto e local. Aquilo que  necessrio ser feito localmente, tanto dentro como fora da igreja, demanda muito tempo e esforo das comunidades, 
acabando por ofuscar a viso das mesmas para a tarefa mais importante da Igreja, nesta virada de sculo e milnio, que  a evangelizao transcultural. 

Conseqentemente, ns poderamos dizer que o resultado desse tipo de atitude  que 25% da populao mundial, ou seja 1,5 bilhes de pessoas, nunca ouviram do evangelho 
sequer uma vez. Porm, se falarmos em nmero de povos, vamos descobrir que da tabela dos 11.874 povos, 3.915 deles nunca ouviram do evangelho. E o que dizer das 
240 tribos indgenas brasileiras, das quais 126 no possui presena missionria evanglica, enquanto que 06 tem situao indefinida. Ser que estas pessoas no o 
direito de ouvir pelo menos uma vez na vida a mensagem de salvao? 

 nesse sentido que a misso transcultural e/ou a evangelizao transcultural deve ser a mais alta prioridade no evangelismo, hoje. Precisamos alcanar estes 1,5 
bilhes de pessoas que esto distantes culturalmente de ns e que nunca ouviram as boas novas de salvao em Cristo Jesus. Tornar a igreja acessvel para cada um 
desses povos e permitir que eles entendam claramente a mensagem e tenham condio de responde-la positivamente  nossa misso.

O Deus da Bblia  o Deus da Histria. Ele tem um propsito para ela. A Bblia toda  clara quanto a isso e descreve este propsito do inicio ao fim. Se cremos que 
a Bblia  a Palavra de Deus devemos crer necessariamente que misses transculturais  o programa de Deus, visto que de Gnesis ao Apocalipse ela nos revela o amor 
de Deus pelas naes da terra. (Gn.12:3b; Is.49:6; Apoc.5:9) 

Bibliografia Introduo a Misses

Convenio FENIPE e FATEFINA Promoo dos 300.000 Cursos Grtis Pelo Sistema de Ensino a Distancia - SED
CNPJ  21.221.528/0001-60
Registro Civil das Pessoas Jurdicas n 333 do Livro A-l das Fls. 173/173 v, Fundada em 01 de Janeiro de 1980, Registrada em 27 de Outubro de 1984
Presidente Nacional Reverendo Pr. Gilson Aristeu de Oliveira
Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira



1
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
